FEIRA EM HISTÓRIA

FEIRA EM HISTÓRIA: Trajetória de vida de Joselito Amorim será contada em livro

18/2/2019, 10:9h

Primeiro secretário de Comunicação no tempo do prefeito Colbert Martins que criou a secretaria e titular da secretaria de Cultura, quando instituiu o Natal Encantado de Feira de Santana, já no tempo do prefeito José Ronaldo, o jornalista Jailton Batista se revela um grande escritor. Sua nova obra- O Filho da Madre, que será lançado  na próxima sexta-feira é baseado na vida do ex-prefeito Joselito Amorim, cujo “enredo de vida se confunde com uma obra de ficção”. Veja o que diz Jailton sobre o livro. (Adilson Simas)

O FILHO DA MADRE - NOTA DO AUTOR

O filho da madre é um livro inteiramente baseado na vida de um personagem às vésperas de completar 100 anos de idade: o professor de Matemática e político baiano Joselito Falcão de Amorim, cujo enredo de vida se confunde com uma obra de ficção, tão fascinantes quanto inacreditáveis foram os episódios que se desdobraram em quase um século de existência. 

Fruto de uma única noite de amor de uma jovem descendente de uma sólida aristocracia com um alemão importador de tabaco, com poucos dias de nascido ele foi entregue a uma pobre lavadeira para que a ele desse um sumiço - ou um destino. 

A vida, contudo, foi lhe bafejando com lances inacreditáveis de sorte, e ele se tornou um reconhecido professor de Matemática e um político vitorioso, amigo do general Castelo Branco, alcançando o cargo de prefeito da segunda maior cidade da Bahia, Feira de Santana, além de presidente do Tribunal de Contas do Estado, diretor de importante empresa estatal eum militar de carreira vertiginosa.

A sua mãe, a jovem Deolinda Falcão, aos vinte anos de idade, depois de dar à luz, foi mandada ao desterro de um convento, morrendo poucos anos depois supostamente de depressão, por não suportar a clausura.
O pai de Joselito foi o senhor... Bem, aí é onde o autor introduz a ficção, que se estende ao universo de Bertolina, a velha engomadeira. Na impossibilidade de levantar precisamente em Salvador, Feira de Santana e Hamburgo, na Alemanha, a verdadeira identidade do alemão que em 1918 foi recepcionado no palacete do senhor Manoel Ribeiro Falcão e com sua filha se deitou uma noite, acabei arranjando um pai fictício para ele. 

Na lista de passageiros alemães que desembarcaram no porto de Salvador naquele ano não era possível deduzir qual deles viera fazer negócios com o exportador de tabaco, pois os nomes de suas companhias não eram registrados. Além disso, os documentos oficiais da velha firma Ribeiro Sr. Falcão desapareceram. 

Poderia ter investigado mais sobre os negócios do senhor Falcão em Bremen e Hamburgo, para onde exportava frequentemente seu fumo, mas como não sou historiador e tinha pressa, restringi meu interesse em torno da madre Deolinda Falcão e seu fruto proibido.

A negra lavadeira que recebeu a incumbência de dar-lhe um fim, também não tem sua identidade verdadeira, pois seu nome foi esquecido pelos pais que o adotaram e pelo próprio Joselito Amorim. Contudo, seu endereço e sua pobre vida existiram no bairro Tanque do Urubu, na periferia de Feira de Santana, Bahia.

Fora isso e a licença que o escritor tem para construir sua obra, tudo o mais foi baseado em fatos reais, levantamentos históricos, longas entrevistas com o professor Amorim, viagens exploratórias a Hamburgo e Frankfurt e depoimentos de muitas pessoas vinculadas por laços de família ou afinidade aos personagens do romance. 

Naturalmente, a narrativa está eivada pela fantasia do autor, especialmente na construção dos cenários. Exceto o sr. Kurt Wilhelm Rudolf, Elga, sua esposa, seu amigo Heinz Schreder, Bertolina, a negra Berta, e a madre Maria Gorete, os nomes das demais pessoas que aparecem em “O filho da madre” são todos reais.

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FEIRA EM HISTÓRIA: Entrudo, as festas de Momo que antecederam a Micareta

11/2/2019, 9:56h

No livro “31 Anos de Micareta”, publicado em 1967 pelo jornalista Helder Alencar com capa de Juracy Dórea e republicado em 2011 pela Fundação Senhor dos Passos, o editor lembra que muito antes da Micareta, a cidade comemorava as festas de Momo com a denominação de “Entrudo”. Vale a pena ler de novo o consagrado historiador feirense (Adilson Simas):

O ENTRUDO

São antigas, muito antigas mesmo, as festas de Momo na Feira de Santana. Elas datam de quando o carnaval ainda era a festa bárbara, denominada de Entrudo, festa que precedeu, no Brasil, como em Portugal, aos grandes festejos carnavalescos. 

Diz Luiz da Câmara Cascudo, inegavelmente o maior folclorista brasileiro, no seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, que o “entrudo brutal e alegre viveu até meados do Século XIX”. 
Assinala, ainda, Cascudo, que “pelo norte, centro e sul do Brasil o movimento era geral. Água, farinha do reino, gomas ensopavam os transeuntes - águas molhando famílias inteiras em plena batalha”. 

O velho jornal “O Comercial”, que por muitos anos se editou na cidade de Feira de Santana, condenava, em 1871, o entrudo feirense, com a seguinte nota: 
“O divertimento do entrudo passou nesta vila sem lamentar-se desgraça alguma, graças ao desuso e que vai caindo esse péssimo brinquedo”. 

O entrudo permaneceu, entretanto, até 1891, ano em que os jornais locais dão conta das primeiras manifestações carnavalescas. 

Em 1877 --  durante o entrudo feirense -  no baile das máscaras do Hotel Globo, o moço Francisco Xavier de Macedo recebeu uma estocada e, no local denominado Minadouro desancaram a pauladas a Martin Levino Diego. 

Como pode se notar a fama do Minadouro data de longos anos. 

O entrudo era, assim, uma festa bárbara, violenta e absurda, precursora do carnaval. 

Na Feira de Santana houve muitos entrudos, até que surgisse o carnaval que durou alguns anos, quando então apareceu esta festa magnífica e grandiosa que é a Micareta.

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FEIRA EM HISTÓRIA: Do antigo campo de aviação ao aeroporto

4/2/2019, 9:6h
Vale a pena ver de novo artigo assinado pelo jornalista Hugo Navarro, publicado no blog da Tribuna Feirense em 23 de janeiro de 2011, versando sobre o antigo Campo de Aviação no bairro Campo Limpo e o atual aeroporto em terras do distrito de Jaíba. (Adilson Simas)
 
O CAMPO DE AVIAÇÃO E O AEROPORTO
 
O primeiro campo de aviação da cidade, criado nos tempos do governo de Heráclito Carvalho (Seu Lolô), ocupava espaço, no Campo Limpo, onde hoje está o bairro que recebeu o nome de George Américo, líder de invasões de terras e, por isso mesmo, herói popular. O alheio, para muita gente, tem sabor especial. 
 
O Município, dono do terreno, reagiu, mas seus esforços tonaram-se inócuos porque o governador, Waldir Pires, benfeitor da humanidade porque fez discursos, declarou a área como de utilidade pública.
 No antigo campo de aviação floresceu o Aero Clube, que formou inúmeros pilotos sob o comando de oficial da Aeronáutica, contando com aviões doados por Assis Chateaubriand. Um daqueles aviões, pilotado por José Torres Ferreira (Zé Petitinga), caiu em mangueira de chácara, no Ponto Central, provocando comoção pública. 
 
A notícia chegou ao dono do imóvel, quando dava aula de Francês, no Colégio Santanópolis, o Dr. Pedro Américo de Brito, que saiu, precipitadamente, em direção ao local do desastre, seguido por quase todos os estudantes do Colégio e populares, em desabalada e esbaforida correria.
 
O acontecimento era sensacional e inédito, mas resultou em frustração porque soldados do II, 18º. R.I., armados, já haviam isolado toda a área, não permitindo a aproximação de curiosos. O avião teve danos de pequena monta, o piloto livrou-se incólume para novas aventuras aéreas, que não foram poucas, e o Dr. Pedro Américo, salvo alguns galhos quebrados e umas poucas mangas sacrificadas, não sofreu prejuízos.
 
Diante da invasão e ocupação desordenada do campo, outro governador, que tinha propriedade rural em Jaíba, resolveu dar, ao Município, novo campo de pouso, com o nome de aeroporto, unindo o útil ao agradável, mas o campo, construído perto de sua fazenda, caiu no abandono. Nem os “Irmãos Metralha” ali permaneceram. “Brevemente, entretanto, segundo promessa do governo, será recuperado”.
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FEIRA EM HISTÓRIA: Arnold Silva transcreve trabalho de Godofredo Filho sobre a Igreja dos Remédios

21/1/2019, 9:57h

No seu tempo de jornalista em plena atividade, o ex-intendente, ex-deputado constituinte e ex-prefeito Arnold Silva mantinha no jornal Folha do Norte a coluna “Vida Feirense”, lembrando fatos do passado alusivos a esta cidade registrados. Na edição do jornal que circulou em 29 de abril de 1950 o historiador transcreve o trabalho do poeta Godofredo Filho sobre a Igreja dos Remédios. Vale a pena lembrar (Adilson Simas).

NA COLUNA VIDA FEIRENSE, A IGREJA DOS REMÉDIOS


 

“29 de maio de 1940 - O poeta Godofredo Filho [foto], ilustre feirense, ex-professor da Escola Normal e assistente técnico da 5ª Região do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, está empenhado em obter apontamentos sobre a capela de N. S. dos Remédios, no sentido de colocá-la sob a proteção do mesmo Serviço” 

- Neste ponto, como em tantos e importantes outros, falham lamentavelmente os dados de que se dispõe, bastando lembrar, a respeito, que ninguém sabe como, quando e onde morreu Maria Quitéria de Jesus.
Não se conhece a data de fundação do pequenino templo, com a sua torre que é, na opinião de Godofredo ‘tudo que a Feira possui de interessante em arquitetura’, tendo sido ‘salva de maior profanação’ nas sucessivas remodelações porque passou a capela.

Diz-se que da comissão que a construiu fez parte o velho boticário Gouveia; que a louça da torre foi uma oferta do capitalista Joaquim Pedreira de Cerqueira; e que um dos sinos viera do engenho ‘IIicuritiba’, doado pelo agricultor português cel. Felipe Benício Teles Barreto. Nada, porém de certo e comprovado.
No dia 7 de novembro de 1859, pela manhã, o imperador d. Pedro II visitou a capela dos Remédios. Em 1864 era seu administrador Joaquim Pereira da Silva.

Este foi, segundo alguns antigos moradores da cidade, o fundador e construtor da capela, antes, muito antes de 1846,quando para esta vila se transferiu a sede da freguesia, que era, até então, o arraial de São José das Itapororocas.

Outras opiniões dão, porém, à capela dos Remédios origem mais remota. O certo é que já em 1835 era ali que se reunia o ‘tribunal de julgação’.

Caboclo alto, forte, já entrado em anos quando o conheceram velhos habitantes da cidade, Joaquim Pereira da Silva, se não foi o fundador e construtor, foi remodelador zeloso e devotado da capelinha. 

Negociante estabelecido em casa de molhados à Rua Direita do Comércio, tinha o apelido de Joaquim Grande e do próprio estabelecimento, que era próximo, estava constantemente a observar as obras que do seu próprio bolso fazia executar na capela.

Da torre se encarregou a princípio o pedreiro Pacheco e depois, vindo de Cachoeira, Francisco, vulgo Chico. Ficou, depois, cognominado Chico da Torre.

Estes informes devemo-los, principalmente, ao falecido Possidônio José da Silva (Possidônio Cabano)
Em 1895 estava quase arruinado o templosinho dos Remédios.  Foi restaurado e reentregue ao culto em 1900, quando se realizou, ali, uma das mais pomposas festas religiosas que a cidade tem assistido até hoje.

Em 1917 demoliu-se a fachada principal, erguendo-se nova frente, que obedeceu a planta traçada pelo Sr. Miguel Araújo.

Volvidos três lustros, necessidade houve de uma remodelação completa na capelinha. Dela se desobrigou uma comissão em que foram figuras principais os srs. Heráclito Dias de Carvalho e Antônio Ferreira da Silva. Reabriu-se, então, em outubro de 1936. 

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FEIRA EM HISTÓRIA: "O Ouro dos Frades" e outros fatos misteriosos lembrados em crônica de Hugo Navarro

14/1/2019, 9:32h

Professor e advogado com passagem pela vida pública como procurador, vereador e advogado, o jornalista Hugo Navarro Silva, que faleceu em 29 de março 2015, deixou inúmeras crônicas sobre as coisas de Feira Santana, todas publicadas no centenário Jornal Folha do Norte. Lembremos hoje “O Ouro dos Frades”, uma das últimas antes de sua viagem para o “andar de cima” (Adilson Simas).

CRÔNICAS DE HUGO – O OURO DOS FRADES

Volta e meia Feira de Santana torna-se palco de fatos estranhos, extravagantes, misteriosos, que até sumir no tempo vão ganhando contornos surpreendentes, levados pelos exageros populares, causando estupefação e às vezes justas revoltas. Causou espanto e frenesi o caso do “ouro dos frades”, quando pessoas de certo destaque quase derrubam casa da Praça da Matriz com largas e profundas escavações em busca do ouro – um vasto tesouro semelhante ao dos piratas do Caribe – que frades teriam ali enterrado em priscas eras.
                   
A corrida do ouro atraiu pessoas que largavam “croisé”, colete, calças de flanela, cucos e cartolas para ingentes e quase secretos esforços ao cabo de pá e picareta, a começar do jornalista polemista e temido poeta satírico Cristovam Barreto, que se valeu da condição de afamado antropólogo para mascarar suas atividades, havidas por busca de ossos, cerâmicas, instrumentos e outros traços de índios que aqui teriam vivido desde tempos imemoriais.
                   
Sem querer falar do “lobisomem da avenida” e de outros fantasmagóricos freqüentadores de nossas ruas, quando chegava a madrugada, lembramos o estranho “caso das caveiras”, escândalo que ultrapassou as fronteiras do pais, liquidou, moralmente, um bando de rapazes da sociedade local e nunca foi devida e completamente esclarecido.
                   
Outro caso intrigante aconteceu na noite de 5 de dezembro de 2006, quando  irrompeu, na Rua Sales Barbosa, pavoroso incêndio. Apesar de esforços populares e de intenso trabalho dos bombeiros o fogo devorou, rapidamente, quase uma dezena de casas comerciais, causando enormes prejuízos e enchendo a cidade de apreensões.
                   
A Sales Barbosa, há tempos, vem criando ambiente para sinistro de vastas proporções. Estreita, transformada em calçadão onde não podem circular veículos, atulhada, completamente, de barracas e incrível tralha de vendedores ambulantes, formada de casas geralmente antigas, com precárias instalações elétricas, a qualquer momento poderia, como infelizmente aconteceu, transformar-se em terrível fogueira.
                   
A polícia, entretanto, descobriu os culpados. Em operação de rotina, quando ouvia conhecidos arrombadores, três deles, sem grande esforço da parte da polícia, confessaram o crime com detalhes rocambolescos e com enorme facilidade. Não possuíam mandato popular, nem eram ladrões da República, mas simples larápios, vagabundos, pés-de-chinelo. Segundo o noticiário, numa rua cheia de vigilantes noturnos e de ambulantes que ali passam a noite a vigiar barracas, os ladrões tentaram arrombar porta de comércio. Não conseguiram. Resolveram, então, atear fogo a tábua e o incêndio se alastrou de forma devastadora. A polícia, surpreendida diante do inesperado, levou os supostos incendiários ao Ministério Público para que confirmassem a estranha confissão, com o ar de quem poderia dizer: achamos o “ouro dos frades!”
                   
No Brasil de hoje nada surpreende. Não deixaram de causar espanto, contudo, declarações de pessoas de alguma responsabilidade lamentando que a polícia, ao invés de meter os supostos incendiários, imediatamente, em galés perpétuas, deixou-os em liberdade. Querem, brasileiramente, um estado policialesco.
                   
Muito mais espantoso, entretanto, é que no intenso noticiário sobre o assunto ninguém falou da preservação do local do suposto crime, mexido e remexido por curiosos e saqueadores, e nem de longe houve referência a exames periciais obrigatórios, em tais casos, que poderiam determinar a causa do sinistro e o sítio de origem se conduzidos de forma competente e honesta.
                   
Ao que tudo indica a confissão dos ladrões resolve tudo. Logo a confissão, a “rainha das provas” nos tempos da Inquisição, mas que nos dias do hoje, longe da certeza, só levanta dúvidas?

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FEIRA EM HISTÓRIA: Artigo relembra trajetória de Edelvira Oliveira, a professora Catuca

10/12/2018, 9:57h

Citada como “reserva moral da sociedade feirense” o jornal “Folha do Norte” na sua edição nº 2.801, de sábado, 29 de dezembro de 1962, a ultima do ano, registra na primeira página o falecimento da professora Edelvira Oliveira, irmã de Áureo Filho, e que deixou viúvo Armando Oliveira. Passados 56 anos, vale a pena, através artigo do sobrinho Evandro Oliveira, um pouco da mestra Catuca, como era carinhosamente chamada.

LEMBRANÇAS DA PROFESSORA CATUCA

Minha Tia Catuca foi a maior referência como educadora durante minha infância e mocidade, eu tinha a maior admiração, por este motivo guardei muitos casos de sua peculiar forma de interação com as famílias dos alunos, professores e funcionários do Santanópolis.

Catuca, juntamente com Hermengarda eram irmãs de meu pai, e, como todos em volta dele se engajaram de uma forma ou de outra na missão de educar. Esta influência na família já atingiu a terceira geração. 

Voltemos a Catuca, nas primeiras décadas do Santanópolis foi sua Diretora ela era a presença educacional de fato. Áureo fazia mais a função de teses educacionais, dirigente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino da Bahia e também político, Deputado. Era o ideólogo, Catuca exercia a função da educadora presente. 

Seu conhecimento, da língua portuguesa, atestado em concurso em Salvador quando foi a 1ª colocada, não lhe valeu a nomeação para o Colégio Estadual em vaga existente, por não ter o aval de Dr. Eduardo Fróes da Mota, chefe político adversário de então, sendo nomeada a 2ª colocada. Porém, mais do que professora o seu senso de comunidade norteava sua filosofia educacional.

Esta é a razão que faz sentido contar neste espaço. Casos que conheci ou soube por relato de outros, o que deveria ser a função de educar.

A Paixão indevida

Certa vez Catuca foi procurada por uma mãe desesperada, apelando-a como última esperança, para que ela resolvesse um problema que estava angustiando a família, relatando suas agruras: o filho, rapaz de 16 anos, bom aluno, ajudava ao pai na pequena banca do mercado, nunca deu trabalho sempre obediente, bonito, o orgulho da família até quinze dias atrás, quando sumiu de casa, não foi mais para a banca do mercado, faltando muito ao colégio. 

Cidade pequena, cerca de 50.000 habitantes, não foi difícil descobrir, estava homiziado no Minadouro (rua do baixo meretrício) com uma profissional do sexo, neste tempo de outro nome. Para os mais novos vale explicação: 

Antigamente a prostituição era exercida em guetos sem que suas habitantes tivessem o direito de sair na porta da rua durante o dia, só depois das 22 horas que era permitido mercadejar seus atributos. O pai tinha tentado convencê-lo a voltar para casa sem sucesso, amigos, parentes, tentaram entendimento, mas fracassados, só restava ela, Professora Catuca, como última esperança.

Catuca, depois de saber o nome da companheira do rapaz e o nome da Cafetina, dona da casa, foi ao Minadouro, à tarde no mesmo dia, quem assistiu contou como uma senhora como Professora Catuca entrou naquela rua, sozinha, fez-se silencio sepulcral de respeito. 
Entrou na casa chamou a responsável, pegou o rapaz pela orelha e ameaçou a dona da casa caso ele voltasse, como era menor de idade, mandaria fechar o estabelecimento. Depois o levando, era aluno do Santanópolis, para a diretoria do colégio. 

Prometeu que não seria castigado e dizendo-lhe se ele gostasse mesmo da moça, quando se formasse e já tivesse condições financeiras e a paixão persistisse ela seria a madrinha do casamento, até lá ele não poderia pisar na região nem se encontrar com aquela mulher.
Arrematando; também obrigou os familiares a prometerem não castigá-lo e esquecerem o assunto.

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FEIRA EM HISTÓRIA: Como surgiu a bandeira do município

19/11/2018, 16:26h

Aproveitando a comemoração do Dia da Bandeira do Brasil, o jornalista Adilson Simas relembra o surgimento da bandeira de Feira de Santana e as mudanças que ela sofreu ao longo do tempo. Confira abaixo o artigo:

NESTE DIA DA BANDEIRA – E A BANDEIRA DE FEIRA

A Bandeira de Feira surgiu do projeto de lei que em 1966 o prefeito Joselito Amorim enviou com as devidas justificativas para a apreciação da Câmara Municipal.

Sem maiores discussões a V Legislatura transformou o projeto na Lei nº 507 que o prefeito sancionou em 19 de dezembro de 1966, quatro meses antes de concluir sua gestão.

A Lei, conforme publicado na imprensa local, também foi assinada por Tancredo André dos Santos, secretário de Finanças; José Joaquim Lopes de Brito, secretário de Viação e Obras Públicas; Almiro Vasconcelos, secretário de Educação e Cultura; Antônio Freitas Costa, secretário de Agricultura e por Augusto Matias, secretário de Saúde e Assistência Social.

Coube, porém ao prefeito João Durval, que sucedeu Amorim no comando do poder executivo, tomar as medidas seguintes para colocar em execução a Lei que no seu Artigo 1º, além da Bandeira, também instituiu o Brasão do Município.

O grande momento aconteceria somente em 1968, mas precisamente em 26 de julho, dia em que se comemora Senhora Santana, a Padroeira da Cidade.

O local escolhido para a solenidade foi a Praça da Bandeira, com grande presença popular e inúmeras autoridades convidadas, entre elas o Governador Luiz Viana Filho.

Naquele dia foram oficializadas 9 bandeiras, constituídas, conforme determinava a Lei, por 16 faixas nas cores alternadas de verde e vermelho, dispostas duas a duas paralelamente no sentido horizontal e vertical em banda e em barra, partindo de um retângulo branco central, onde está aplicado o Brasão.

O bispo diocesano Dom Jackson Berenguer Prado procedeu a benção das Bandeiras que foram paraninfadas por duas personalidades da vida feirense:

João Marinho Falcão, prefeito nos anos 50, e Dona Maria Bereniza Bahia da Silva, filha do ex-intendente Bernardino Bahia e viúva do ex-intendente e ex-prefeito Arnold Silva.

Conforme ata lavrada pelo jornalista Helder Alencar, assistente do prefeito, cinco das nove bandeiras foram destinadas ao prédio da Prefeitura.

As outras, em número de quatro, foram distribuídos com a Câmara Municipal, Fórum Filinto Bastos, Biblioteca Municipal e Ginásio Municipal.

Especulou-se que cores foram inspiradas no Fluminense de Feira

Sobre a escolha do verde, vermelho e branco para a bandeira, especulou-se que assim se fez  para que as cores da cidade fossem também as cores do Fluminense que desde 1954  representava Feira de Santana no campeonato baiano de futebol profissional.

Essa versão surgiu quando a AD Bahia de Feira precisou trocar de nome para continuar no profissionalismo, por exigência do presidente da FBF, Carlos Alberto de Andrade.

Criou-se o Feira Esporte Clube, que não podendo adotar as cores da cidade, pois elas já estavam no uniforme do Fluminense, seus dirigentes optaram pelo vermelho e amarelo contidos no símbolo da Diocese da Cidade.

A Propósito, vale lembrar que a mesma Lei 507 que criou a Bandeira e o Brasão de Feira também instituiu, através do artigo 2º, a Ordem Municipal do Mérito, para laurear pessoas com relevantes serviços prestados à cidade.

Sabe-se que apenas uma vez a prefeitura teria recorrido ao artigo 2º daquela Lei. Segundo alguns, foi para homenagear o jornalista Assis Chateaubriand, presidente das Emissoras e Diários Associados e seu representante na Bahia, o também jornalista Odorico Tavares, diretor do extinto “Diário de Notícias”, onde assinava a famosa coluna “Rosas do Vento”.

Os dois jornalistas tiveram papel importante na implantação do Museu Regional de Feira de Santana.

Em 2005, na mesma linha da Lei 507, mas com maior dimensão, o prefeito José Ronaldo através do Decreto nº 792 de 11 de julho, criou a Ordem Municipal do Mérito de Feira de Santana.

Assim, a partir daquele decreto o prefeito condecora como comendadores e oficiais, personalidades com serviços prestados a esta cidade. As primeiras condecorações aconteceram ainda naquele ano. (Adilson Simas)

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FEIRA EM HISTÓRIA: Joia da Princesa completa 52 anos nesta terça-feira

13/11/2018, 9:6h

Até a metade dos anos sessenta, o Fluminense já como clube profissional e a Liga Feirense com seus filiados amadores, desenvolviam suas programações esportivas no estádio que o prefeito Almáchio Boaventura havia construído no início dos anos cinqüenta e que a câmara municipal batizou com seu nome.

No Estádio Almachio Boaventura grandes clubes brasileiros se exibiram para os desportistas feirenses. Entre eles, pela ordem, Madureira do Rio (1955), Botafogo do Rio (1956), Bangu, Flamengo do Rio, Atlético Mineiro, Sport do Recife (1957), Fluminense do Rio e Corinthians de São Paulo (1958), Cruzeiro de Minas (1959). O Rosário Central da Argentina também se apresentou no velho estádio em 1957.

Em 1966, na mesma área do “Almachio Boaventura”, entre os bairros Sobradinho e Cruzeiro foi construído o novo estádio, logo na inauguração carinhosamente chamado “Joia da Princesa”.

Inauguração em 13 de novembro de 1966

Sua inauguração foi na tarde de domingo, dia 13 de novembro de 1966 pelo prefeito Joselito Amorim (foto). 

Além dos componentes indispensáveis numa praça para a prática do esporte das multidões, o prefeito construiu quatro lances de arquibancadas.

Um localizado nas gerais do lado  do Sobradinho e mais três dando frente para as gerais e já na área do bairro Cruzeiro, assim distribuídos:

No lance  central as cadeiras numeradas protegidas por alambrados, tendo à direita o lance de arquibancada destinado à torcida do Fluminense e o da esquerda para torcida visitante. Em 1967 quando o Bahia de Feira ingressou no profissionalismo passou a ser ocupado pelos torcedores do “bicho papão”.

A festa de inauguração foi com os portões abertos, tendo como atração o Clube de Regatas Vasco da Gama, único grande clube do futebol carioca que faltava vir a Feira.
O  amistoso inaugural agradou o grande público presente.

O Vasco venceu a partida pelo placar de 1 a 0, gol contra do zagueiro Val, um dos maiores craques da história do Fluminense.

O Fluminense enfrentou a equipe vascaína com a seguinte escalação:
Mumdinho, Djalma, Onça, Val e Carlinhos; Chinezinho (Ubaldo) e Paulo Choco (Dequinha); Veraldo, Renato (Nona), Almeida (Ivan) e Neves.

Antes do embate principal e dos discursos, o público foi brindado com uma preliminar cheia de gols. 

Um time misto de amadores e juvenis do Fluminense, enfrentou  o Botafogo do saudoso Manuel de Emilia. O combinado tricolor venceu pelo placar de 5 a 0, gols assinalados por Pinheirinho de Xique Xique (3 vezes) e Coelho da Discolândia (2 vezes).

AS MELHORIAS

Na noite de terça-feira, 4 de abril do ano seguinte, outra festa no estádio Jóia da  Princesa, marcando a inauguração dos refletores.

O clube convidado foi o Flamengo do Rio, que venceu pelo placar de 2 a 1, e o gol do Fluminense foi contra, marcado por Leon, do Flamengo.

Naquele amistoso o Fluminense assim se apresentou: Mundinho, Misael, Onça, Val e Noroel: Chinezinho e Zequinha; Veraldo (Pinheirinho), Nona, Ivan e Neves.
Prefeito do município, assim que tomou posse em 7 de abril de 1967 João Durval logo tratou de introduzir melhorias no Jóia

Entre elas, novos lances de arquibancadas circundando o campo, deixando apenas a ferradura dando frente para a Rua Gonçalo Alves.

Nos anos setenta o prefeito Colbert Martins dotou o estádio de novos e modernos refletores, inaugurados com o jogo Fluminense  x Botafogo do Rio que terminou em 1 a 1.

Nos anos oitenta, como governador do Estado, novas melhorias introduzidas por João Durval, entre elas o fechamento da ferradura.

Ao longo do tempo foram muitas as melhorias introduzidas no estádio ainda hoje conhecido como Joia da Princesa, mas oficialmente batizado “Estádio Alberto Oliveira”, homenageando um dos mais destacados desportistas da Feira da Santana. (Por: Adilson Simas)

 

 

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Dival Pitombo detalha conferência a luz de velas de Érico Veríssimo em Feira

23/10/2018, 11:1h

Na crônica “Feira em tempo de nostalgia”, que o mestre Dival Pitombo publicou no jornal A Tarde há 43 anos, num sábado, 26 de julho de 1975, o professor recorda a visita que o consagrado escritor gaúcho Erico Veríssimo fez a Feira de Santana. Com o subtítulo “Conferência a luz de velas”, Dival Pitombo detalha a ilustre presença. Vale a pena recordar (Adilson Simas):

“Um dia recebi um recado do velho João Marinho.

Queria falar comigo. Ao procurá-lo, disse-me o seguinte:

- Amanha chega aqui um literato que João Falcão me pediu para receber. E como não sei conversar muito com essa gente, quero que você venha fazer-lhe companhia.

Fui sem saber quem era. E encontrei-me – que agradável surpresa – com Érico Veríssimo. Após o jantar sair com ele e a senhora, para mostrar-lhe a cidade.

No caminho recebi um recado de Joselito Amorim, pedindo-me para levar o romancista no Colégio Santanópolis, que os estudantes queriam conhecê-lo.
Érico mostrou-se interessado no contato com os jovens. 

Fomos. 

Ao nos dirigirmos para lá, um “blackout” total surpreendeu a cidade.
Chegamos ao colégio na mais repleta escuridão. Ficamos na secretaria aguardando a normalização, que não se deu até o fim da noite. 

Então os estudantes compraram grande quantidade de velas e, na sala de aula, colocaram  uma em cada carteira.

Ao entrar, Érico foi saudado com uma calorosa manifestação dos alunos. Palmas entusiásticas estrugiram.  

Surpreendido, o escritor improvisou uma linda conferência  sobre costumes gaúchos, à luz das velas, que naquele auditório “sui generis” criaram um ambiente fantasmagórico semelhante a um lago iluminado, que impressionou o romancista.

Mais tarde escreveu-me de Porto Alegre comentando o fato. 

E treze anos depois, no Rio de Janeiro, em lançamento de um dos seus livros na Livraria São José, relembrou o acontecimento, dizendo-me que não esqueceria, porque foi a única vez, em sua vida, que pronunciou uma conferência à luz de velas.

A originalidade da situação fixou o episódio, que talvez, um dia, figure em suas Memórias

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Eduardo Fróes da Mota fala para Revista Panorama sobre Golpe de 37 e chegada da Rádio Cultura

1/10/2018, 18:3h

Há 35 anos, em setembro de 1983, circulou o primeiro número da Revista Panorama, projeto do falecido empresário Antônio Gonçalves, reunindo grandes profissionais – Jânio Rêgo, Edson Borges, Marcílio Costa, Oydema Ferreira e outros. Na estreia entre as muitas matérias, uma longa entrevista com o cacique político Eduardo Froes da Motta. Nela vale lembrar quando ele trata do golpe de 1937 e de sua luta para conquistar a Rádio Cultura de Feira que seria cassada na vigência do golpe de 1964 (Adilson Simas).

O Senhor apoiou o golpe de 37?

- Não. Os partidos políticos não intervieram na revolução. Foi uma revolução de cúpula, de alto nível, de maneira que os partidos não opinaram. Mas eu acompanhei a revolução de 30, que foi daí, realmente que ocorreu a modificação do país. Naquele tempo nos tivemos presidentes militares. O Dutra, por exemplo, um grande presidente, contra meu partido, mas eu, várias vezes me entendi com ele.

O Senhor teve oportunidade de estar com Dutra?

- Tive. Na ocasião da Rádio Cultura, porque quem trouxe a Rádio Cultura para aqui fui eu. Eu consegui o canal, quando na ocasião era prefeito Almáchio Boaventura.

Como foi?

- O projeto da rádio foi de Almáchio, e naquela ocasião funcionava a Rádio Sociedade que pertencia a Pedro Matos. Pedro, muito amigo de Juracy Magalhães, e o Juraci prometeu a ele que não consentiria a entrada de outro canal de rádio em Feira, enquanto ele tivesse prestígio no governo federal. Tratando-se de minha terra, tendo um correligionário meu à frente do projeto, eu me interessei em conseguir o canal.
Fomos varias vezes a Comissão Técnica de Rádio e encontramos as dificuldades. Fomos ao ministro, e dificuldades em falar com ele. Eu, então, reuni a bancada, que era constituída do senador Pedro Aleixo, do senador Moacir e de alguns deputados da Bahia como Vieira de Mello, Pacheco de Oliveira e fomos a Dutra. Lá Moacir foi quem falou em nome da bancada e colocou a questão da Rádio Cultura como um assunto político:
- Senhor Presidente, o prédio da Rádio Cultura já está construído, é justamente o PSD, partido contrário de Vossa Excelência, presidido aqui (neste tempo havia democracia...!) pelo nosso amigo deputado Fróes da Motta. E se esse canal não for concedido é um desprestígio para um chefe político, que não conseguiu porque o partido oposto não permitiu.
Então o Dutra nos respondeu com aquele aspecto amável dele: -“Os senhores esperem um instante que o ministro neste momento vem falar comigo e eu então abordarei o assunto a ele”. Descemos, ficamos numa saleta, e momentos depois sobe Pestana, que era ministro, entendeu-se lá com o presidente e quando desceu perguntou logo: “Quem é o deputado Fróes da Motta?”
- Sou eu.
- O Senhor poderia ir amanhã ao Ministério, falar comigo?
- Pois não, às suas ordens, amanhã estarei lá.
Dia seguinte eu fui lá. Todas as portas estavam abertas. Não houve dificuldade nenhuma.
- Deputado, faça logo uma petição, requerendo da Comissão Técnica de Rádio, a concessão do canal.
Eu fiz e ele despachou imediatamente, pedindo a comissão que olhasse com simpatia. Eu então perguntei se levaria ao almoxarifado e ele disse: “Não fica logo comigo”.
Quando desço o rapaz do almoxarifado perguntou: “O senhor vai deixar a petição aqui?”. Eu disse: Não, ficou com o ministro e de lá mesmo segue.
E foi assim que eu consegui a concessão da Rádio Cultura, e que hoje sinto não está funcionando como deveria estar. Uma rádio muito prestigiada, sem desconhecer as outras

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