FEIRA EM HISTÓRIA

FEIRA EM HISTÓRIA: Há 60 anos, Feira era incluída em programa de educação sob comando de Anisio Teixeira

10/6/2019, 11:24h
Em 16 de junho, a cidade comemora mais um ano de sua emancipação política, ocorrida em 1873. Nada a ver com o Dia da Cidade - 18 de setembro, pois foi nesse dia, em 1833, que ganhamos foros de cidade, graças ao ato do presidente da província da Bahia, Joaquim Pinheiro de Vasconcelos, criando o Arraial de Feira de Santana.
 
Vamos lembrar o que estava acontecendo na Feira de Santana em 16 de junho dos idos de 1959, portanto, há mais de meio século, mais precisamente 60 anos.
 
Juracy Magalhães, governador da Bahia, havia criado  a CEREB – Comissão Executora da Rede Escolar da Bahia, para atuar em conjunto com o INEP – Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos. O novo órgão com recursos iniciais de 100 milhões de cruzeiros, teve seu comando entregue ao professor Anísio Teixeira, ainda hoje lembrado como um dos maiores educadores do Brasil.
 
Lider da bancada do PSD, o vereador Antonio Manuel de Araújo apresentou requerimento pedindo que o governo do Estado incluísse Feira no programa. Aprovado por unanimidade logo a mesa diretora remeteu o pedido ao governador. Naquela época a câmara tinha na sua presidência o vereador João Durval, da UDN.
 
O grande acontecimento social da semana foi o desfile de modas da Loja de Confecção de Leonor Barreto, esposa de Antônio Barreto, ambos já falecidos. O desfile foi uma iniciativa das professorandas da Escola Normal, tendo à frente a senhorita Vilma Carneiro, um das mais elegantes da sociedade feirense.
 
Durante a mostra pisaram na passarela entre outras, Ovidia Cunha, Maganólia Dantas e Isa Assis. Quem também subiu a passarela sendo delirantemente aplaudida, foi  Diva Américo de Brito, representante de Feira de Santana no  Miss Bahia, da Rede de Emissoras e Diários Associados.
 
Quem também fez festa visando angariar recursos para a solene  formatura no final do ano foram as professorandas do Colégio Santanópolis, do saudoso professor Áureo Filho. Fizeram a Festa do Milho, tendo como atração maior o casamento do Coroné Pestana dos Oios Fundos cum Dona Gertrudes Maria das Dores Pitanga Roxa de Abreu Chibata de Jesus Canhastra.
 
A cidade recebeu a visita de uma das suas mestras mais queridas: a professora Ursula Martins da Silva que foi catedrática de Matemática da Escola Normal de Feira de Santana. A mestra já estava aposentada e residindo em Salvador, ou na Bahia, como se dizia antigamente.
 
A câmara viveu uma semana agitada, por conta do projeto de lei nº  13, de autoria do poder executivo, que o prefeito Arnold Silva enviou ao poder legislativo alterando a tabela do Serviço de Água. As discussões foram intensas com governistas e oposicionistas apresentando emendas, uma vez que a proposição majorava os valores que estavam sendo cobrados dos usuários do precioso líquido.
 
Colbert Martins, vereador da oposição foi incisivo afirmando: “Se concordarmos com aumentos escorchantes o precioso liquido em Feira será somente para gozo dos ricos. Que as boas intenções do saudoso Getulio Vargas, do Ministro Simões Filhos e do ex-prefeito Almachio Boaventura, a quem devemos realmente, tão grande realização, não venham a se tornar em esperanças malogradas”.
 
Na área educacional a cidade comemorou a Portaria 3451, designando a professora Ruth de Oliveira Matos, regente efetiva do Magistério Primário da Capital para exercer a função de Diretora das Escolas Reunidas Graça Lessa, funcionando no 1º BPM, sediado nesta cidade. A propósito o pai da professora, o cel Antinio Matos, havia sido comandante do batalhão local.
 
Na área esportiva, "Zé da Pelota", que assinava a coluna “Tiro de Meta”, continuava soltando veneno. Na ultima da semana ele escreveu: “Ao que pudemos apurar, parece que as relações entre os Touros do Sertão e o Prefeito não vão muito afinadas. O motivo é provocado pela falta de recolhimento da cota que tinha direito a Prefeitura no jogo realizado pelo Fluminense contra o Cruzeiro Mineiro”.
  
Ainda tratando de futebol, no domingo, 15, o Mecânico foi a Serrinha, enfrentou a seleção local e perdeu de 3 a 1. Assim como nos dias atuais o pessoal da crônica esportiva feirense disse que o juiz prejudicou de tal maneira o Mecânico que até os torcedores serrinhenses se revoltaram. Valdomiro Silva não foi assistir ao jogo porque menores de 16 anos só podiam entrar acompanhados.
 
A UDN que dominava o poder municipal encontrou a solução que apaziguou seus correligionários do distrito de Jaguara, na época também conhecido como Bom Despacho. Indicou Carlos Barbosa para administrador no lugar de Juvêncio Braga, que mesmo assim continuou dando as cartas, pois foi indicado para o cargo de sub-delegado.
 
Domingo, 15, logo pela manhã, Champanhe correu a vontade pela Rua Hermínio Santos. Naquele dia aconteceu a inauguração do cassino da Euterpe Feirense com a presença de grande público principalmente pessoas ligadas ao “Matier”. Dotada de modernas mesas de roleta, o novo espaço passou a concorrer com o famoso “Cassino Irajá”, do saudoso Oscar Marques. 
 
No mais vale a pena ler de novo, protesto do leitor Mário Miranda publicado na imprensa. Dizia ele no distante junho de 1959: “Cresce  cada vez mais o mato na Avenida Presidente Dutra, uma das artérias mais importantes de Feira, pois é justamente por ela que o viajante procedente da capital toma o primeiro contato com a nossa cidade. A coisa não está pior graças ao criatório de vacas e outros animais ali existente e que se incumbem de capinar aquela avenida”. (Adilson Simas)
  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: Em artigo, Hugo Navarro cobra homenagens ao maestro Estevam Moura

3/6/2019, 9:38h

Em uma das suas crônicas publicadas no centenário jornal Folha do Norte, o saudoso jornalista e historiador Hugo Navarro fala da importância do maestro Estevam Moura na vida da cidade, cobra as homenagens devidas ao maestro que mesmo nascido em Santo Estevão dedicou a esta cidade maior parte de sua existência. (Adilson Simas)

Feira de Santana, ultimamente, volta-se, atenta, para o passado, na tentativa de reconquistar o tempo perdido. Empenhado na dura luta pela vida, nosso povo nunca teve lazeres e fôlego para se dedicar a pesquisas para reviver figuras e fatos históricos que marcaram a trajetória, nem sempre tranquila, de município que em sua história enfrentou todo tipo de carência e que só ultimamente tem encontrado campo para o que sempre foi tarefa eventual de poucos.

Martiniano da Silva Carneiro, que editou semanário nesta cidade, falando à “Folha do Norte”, certa feita, deu a medida das dificuldades, ao declarar que no seu jornal muitas vezes tinha que escrever, compor, fazer revisão, paginar, impor e, ele próprio, imprimir, encadernar e cuidar da distribuição.

Se no passado raros pesquisadores realizaram trabalhos de inegável utilidade para os estudiosos e pesquisadores de hoje, muito se perdeu no torvelinho do tempo. São importantes detalhes, tão importantes quanto os grandes feitos, que nem sempre destes é formada a trajetória das comunidades.

Fato inegável é que passamos a contar, agora, talvez por influência da UEFS, cuja presença, aos poucos, se faz sentir na sociedade, e da inegável evolução das condições de vida de grande parte do povo, com o empenho de considerável número de pessoas, algumas de reconhecida competência, dedicadas à preservação da memória do Município.

Assistimos, hoje, ao que antes era muito difícil.  Vemos a restauração de templos e outros prédios, a edição de obras literárias e de pesquisa e homenagens em que se reaviva a lembrança de vultos  importantes de nossa história, trabalhos em que se empenham a UEFS, a Câmara Municipal, sob a presidência do Vereador Antônio Carlos Coelho, e a Fundação do Senhor dos Passos.

Envolvidos nesse clima, quase frenético, de labuta em busca do passado, em que pessoas, trabalhos e fatos são resgatados do olvido a que estavam votados, estranhamos que permaneça no esquecimento a memória do maestro Estevam Moura. 

Oriundo de Santo Estevão, o maestro dirigiu e regeu, de forma impecável, nesta cidade, por muitos anos, a banda da “Sociedade Filarmônica 25 de Março”. Deixou grande número de peças musicais como dobrados, marchas, valsas e composições sacras, cujos originais não se sabe por onde andam. 

Professor de Música do Colégio Santanópolis e da escola da “25 de Março”, algumas de suas obras de vez em quando aparecem, em outras bandas, atribuídas a autores diversos. Sua produção é vasta, valiosa e corre o risco de se perder de forma irreparável.

Estevam Moura formou, na “25 de Março”, filarmônica  que durante muitos anos foi motivo de orgulho para o povo de Feira de Santana pela organização, gosto musical, afinação apurada e garbo com que se apresentava nas ruas e festas. Deixou alunos famosos, como o maestro Miro, que hoje dá o nome a um teatro desta cidade.

Pena que estejam a cair no esquecimento a memória e a importante obra de Estevam Moura.

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: A pujança do futebol feirense profissional e amador há 59 anos

27/5/2019, 8:37h
ULTIMA SEMANA DE MAIO DE 1960
 
Diferente dos dias atuais, com o certame da Liga Feirense praticamente enterrado e o bravo touro do sertão de há muito transformado em vaca magra, vamos lembrar a última semana de 1960, portanto há 59 anos, começando com o futebol.(Adilson Simas)
 
O Fluminense, na época presidido por Joselito Julião Dias, o conhecido Jucadias, que naquele ano também foi o presidente da Micareta, além de obter um honroso terceiro  lugar na divisão de profissionais do futebol baiano, terminou a temporada como campeão baiano na categoria de aspirantes.  
 
Afora os jogos oficiais, no mês de maio o clube realizou dois amistosos no velho estádio Almachio Boaventura; Goleou o Galícia -  6 a 0 e aplicou 2 a 0 no Ipiranga.
 
A propósito, no encerramento do ano esportivo, o Fluminense exibiu os seguintes números impossíveis nos dias de hoje: realizou 32 jogos entre oficiais e amistosos. Obteve 16 vitórias, 9 empates e amargou apenas 7 derrotas. Marcou 43 gols e sofreu 27.
 
Também rico, em 1960, foi o campeonato de amadores promovido pela Liga Feirense de Desportos. Além da disputa entre os times titulares, também no amadorismo acontecia o confronto dos aspirantes do mesmo clube. Os antigos se recordam que o time de aspirantes era formado basicamente por jogadores que independente da idade, buscavam um lugar no time titular.
 
Os jornais da época registram que o Mecânico dirigido pelo técnico Colbert Martins conquistou na tarde de domingo, 23 de maio, o tetra campeonato feirense de futebol aspirantes do ano anterior, ao vencer o Vasco da Gama pelo placar de 2 a 1 em jogo apitado pelo arbitro José Santos.
 
Lembramos, para os saudosistas, a escalação das duas equipes: O Mecânico com Geraldo, Dadá e Agenor; Reginaldo, Isaac e Val; Tote, Tonho, Duca, Branco e Molequinho e o Vasco com Pitel, Louro e Santinho; Washington, Rodrigues e Jacob; Tonho, Walquir, Denílson, Carlito e Caverinha.
 
Naquele mesmo dia, de folga da tabela, o time do Flamengo fez jogo amistoso contra o São Paulo, que ainda não participava do certame amador oficial. O Flamengo venceu pelo placar de 2 a 1, com gols de Targino e Betinho. O jogo foi realizado no campo dos casados e eis as escalações:
 
Flamengo -  Nem (depois Lessa), Vavá e Nelson; Dario, Raul e Zé Negro; Gerson Targino, Tonho, Betinho e Augusto; São Paulo; Paixão (depois Leopoldo), Agnaldo e Castro Alves; Jorge, Jozino e Sandoval; Bueiro, Fernandinho, Estrangeiro, Vermelhinho e Messias.
 
Em maio de 1960, há 59 anos, já existia em Feira de Santana o futebol feminino, uma idéia avançada concebida pelo radialista Joel Magno.
 
Naquele domingo, de Mecânico e Vasco da Gama no Estádio Almachio Boaventura e Flamengo e São Paulo no campo dos casados, o Bahia Feminino de Joel Magno fez exibição para os desportistas de Conceição de Feira. 
 
As meninas comandadas pelo decano homem de rádio enfrentaram o time de juvenis do próprio Bahia, formado por meninos estudantes da cidade. As meninas, para delírio do público que encheu o campo da vizinha cidade, ganharam pelo placar de 4 a 2 e novamente para os saudosistas aqui estão as atletas que vestiram a camisa do Bicho Papão:
 
Lurdinha, Glorinha, Zumira e Regina; Nicinha (depois Rosinha) e Selenita; Alzirinha (Maria Edilia), Miracy, Elionor, Denise e Wanda (Waldecy). 
 
Mudando de assunto, lembramos que nos meios estudantis a principal noticiai foi a eleição da nova diretoria do Grêmio Cultural Dival Pitombo, da Escola Normal de Feira de Santana, que ficou assim  constituída:
 
Iara Cunha (presidente), Miriam Lima Silva (vice), Zilah Porto (secretária geral), Walberico Veiga (1º secretário), Cleide Barros (2º secretário), Silvio Pedra Cruz (tesoureiro), Noemia Miranda (secretária  cultura), Marisa Assis (imprensa), Julieta Araújo (intercambio), Maria José Mamona (esportes), Denise Boaventura (artes), Liege Portugal (social), Fabiola Vital (beneficente), Waldênia Jatobá (feminina) e Wilma Lira (bibliotecária). 
 
Na área social, destaque para a posse da nova diretoria da Sociedade Filarmônica 25 de Março que passou a ter a seguinte constituição: Ildes Meireles (presidente),  Edward de Sena Assis (vice), Orlando Navarro Bahia (1º secretário), Claudemiro Campos (2º secretário),  Rubem Borges Cerqueira (tesoureiro), Aloísio da Silva Nunes (arquivista), Romário Teixeira Braga (procurador)  e Luiz Carneiro e José Ferreira (oradores). 
 
Na área de saúde o grande fato teve origem na Santa Casa de Misericórdia, mais precisamente no Hospital Dom Pedro de Alcântara. Em nome dos médicos que atuavam no hospital recebendo 3 mil e 500 cruzeiros por mês, vários irmãos da Santa Casa assinaram um documento solicitando uma reunião de assembléia geral. 
 
Na pauta, cobrar explicações sobre a contratação de um médico para o cargo de diretor que ainda não existia na estrutura do órgão, recebendo um gordo salário de 8 mil cruzeiros. Para os saudosistas, lembramos que o documento dos irmãos foi entregue ao vice provedor Geraldo Leite, uma vez que o provedor Augusto Matias, responsável pelo ato, se encontrava na capital de São Paulo.
 
Na área política os jornais destacaram uma indicação do vereador Antonio Manuel de Araújo, líder da bancada do PSD, que fazia oposição ao governo municipal, pedindo ao prefeito Arnold Silva a organização do Serviço de Engenharia do Município  que seria denominado Diretoria de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo da Prefeitura. Além do autor, a indicação teve ainda as assinaturas dos vereadores Theódulo Bastos Junior, Colbert Martins e Oscar Marques, todos do PSD.
 
Na área administrativa, a coluna Vida Legislativa destaca as seguintes matérias votadas e aprovadas na Câmara de Vereadores nas ultimas sessões de maio: Moção pela passagem de mais um aniversário natalício do cel. Servilho Carneiro, ex-vereador e líder político de Bom Despacho, hoje Jaguara; Projeto dando a uma das ruas da cidade, o nome do saudoso Juventino Pitombo; Requerimento pedindo reparos nas estradas que dão acesso ao distrito de São José, principalmente  a Estrada do Meio, hoje conhecida como Estrada do Besouro e por ultimo melhoramento na Rua Professor Honorato Bonfim.
  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: Há 44 anos rotarianos plantaram a semente para construção do presídio regional

20/5/2019, 9:12h
Efeméride de 22 de maio de 1975
 
Fato da maior importância foi à vinda a Feira de Santana do secretário de Justiça, João Carlos Tourinho Dantas para ver “in loco” o estado lastimável em que se encontrava a Cadeia Pública, no imóvel onde hoje funciona a Câmara de Vereadores.
 
A ideia de trazer à cidade aquela autoridade foi dos dois clubes de Rotary da época - Rotary Feira e o Rotary Feira-Leste. Os rotarianos davam inicio a uma campanha em prol de uma nova Casa de Detenção. Como detalhe, o secretário também era rotariano. 
 
Além dos sócios, várias autoridades participaram da reunião banquete e entre os oradores estavam o médico Mário Sergio Carvalho, o juiz Helio Vicente Lanza, o presidente da Associação Comercial, Arnaldo Saback e o prefeito José Falcão da Silva.
 
O atual Presídio Regional teve sua semente plantada naquela reunião. Na sua fala o secretário foi taxativo: “A cadeia pública de Feira é igual às outras da Bahia, em estado precário”.  Era governador do Estado o professor Roberto Santos.
 
Logo a iniciativa repercutiu na câmara municipal e o primeiro orador foi o vereador Sinésio Felix, do MDB. Na tribuna elogiou os rotarianos pela presença ilustre e a série de matérias feitas pelo jornal “Feira Hoje”, mostrando a realidade da cadeia pública. 
 
O vereador destacou duas matérias: “Na Cadeia Pública, gente está vivendo como bicho”, dizia na primeira. A outra manchetou: “Na Cadeia, o pátio das mulheres é também sanitário”. O repórter foi Paulo Norberto, e o fotógrafo Antonio Magalhães. 
 
Coube ao vereador Antônio Carlos Coelho, também do MDB, apresentar a moção nº 17/75 de parabéns ao jornal que naquele tempo circulava três vezes por semana. Antes da leitura do texto Coelho destacou a missão da imprensa.
 
Na época o deputado federal Noide Cerqueira era membro da Comissão Parlamentar de Inquérito encarregada de apurar a situação das penitenciárias do Brasil. Aproveitou a CPI e citou a cadeia publica local, exibindo exemplares do jornal “Feira Hoje”.
 
Outro fato importante naquela data foi a chegada a cidade de Pedro Moreno, do Departamento de Desenvolvimento Local, órgão da SUDENE. Veio a convite do prefeito José Falcão para constituir uma equipe encarregada de reformular o Plano de Desenvolvimento Local Integrado.
 
Ao lado do prefeito, o técnico informou à imprensa que a além de Coordenador Geral da equipe, iriam participar três arquitetos, dois economistas, dois engenheiros, um sociólogo, um técnico em administração e um advogado.
 
O 35BI, na época sob o comando do coronel Abílio Henrique Marques já tinha tudo organizado para as comemorações do Dia da Infantaria, quando se homenageia todos os infantes, através do Gal. Sampaio, Patrono da Arma e herói da Batalha de Tuiuti.
 
Os atos começaram na sexta-feira com a I Corrida do Infante do Sertão. No sábado, houve alvorada, formatura geral, hasteamento da Bandeira, apresentação da Bandeira aos recrutas, canto da Canção da Infantaria, desfile e competições esportivas.
 
O MOC já era noticia. Por solicitação do Comitê de Nova Iorque, do Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas, o órgão feirense estava recrutando pessoas para prestar serviço como voluntárias em países considerados subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento no continente Asiático, Africano e Americano. 
 
A AFAS também estava em evidencia. Naquele dia os seus conselheiros por unanimidade escolheram para presidente o comendador Jonathas Carvalho. Assumiu no lugar de Frei Aureliano que renunciou por motivo de doença 
 
O DNER anunciou o contrato para o inicio de mais um trecho da BR-324, conhecido como BR-101/Norte, ligando Feira a Alagoinhas e Esplanada. Já sobre o inicio das obras de duplicação da BR/324, trecho Feira/Salvador, nenhuma informação.
 
Um eclipse total da lua foi anunciado pelo Observatório Astronômico Antares, para acontecer na madrugada de domingo, alcançando sua fase máxima às 2:49 horas. Para tanto o Antares trouxe a Feira o astrônomo Antonio Guedes, de Juiz de Fora. (Adilson Simas)
  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: Micareta, encontro de Chico Pinto com Roberto Santos e outras notícias em maio de 1981

13/5/2019, 9:47h

Nesta viagem ao encontro de tempos idos, vamos lembrar fatos que foram notícias ocorridas na primeira quinzena de maio de 1981, portando há quase quatro décadas, mais precisamente 38 anos e que ganharam destaque nas páginas do extinto jornal Feira Hoje. (Adilson Simas)

Abrindo a quinzena, na sexta-feira, 1º, foi noticiado que por pouco o pecuarista Ubaldo Rodrigues Cruz não engoliu uma lâmina de barbear encontrada na garrafa de Coca Cola que estava lacrada. O refrigerante foi comprado na lanchonete de uma galeria na Rua Sales Barbosa.

No sábado, 2, a cidade  estava em clima de micareta que naquele ano foi mais longa por conta do feriado do dia 1º. No Cajueiro, Tênis, Euterpe e outros clubes os bailes foram iniciados, e nas ruas blocos como “Os Nacionais” e o trios como o “Traz os Montes” já arrastavam a multidão.

A música “Deixa o coração mandar”, de louvação a Mário Kertész, prefeito de Salvador, além de já cantada intensamente nos clubes, chegou também ao sitio momesco, tocada nos trios, inclusive os contratados pela prefeitura, pois a Seturf não conseguia evitar. 

Mesmo com a micareta dominando o noticiário, a imprensa divulgou que a última sessão da câmara antes do inicio da folia, “não durou mais de 65 minutos”. Os vereadores estavam mais ligados no Baile dos Artistas e no jogo Grêmio x São Paulo, decidindo a Taça de Ouro.

No dia 5 Juvenal Teodoro presidente da comissão local do PT foi com outros petistas a Salvador, onde foi eleita a seguinte executiva estadual: Edival Passos (presidente), Jorge Almeida e Nilson Bahia (vices), Marco Antonio Nascimento e Waldir Regis (secretários) e Paulo Antonio Freitas e Carlos Antonio Leite (tesoureiros).  

Além dos eleitos para a executiva, mais quatro nomes formaram na comissão regional, representando as cidade de Salvador, Conquista, Alagoinhas e Feira, esta  com o nome do próprio Juvenal Teodoro. Irecê, Jacobina, Paulo Afonso e Extremo Sul deram os suplentes.

Ainda na manhã de quarta-feira, 6, “um vazamento no cano da rede de abastecimento de água  provocou o desabamento de parte do calçadão da Rua Sales Barbosa e abalou a estrutura do Edifício da Galeria Caribe”.  

No dia seguinte, quinta-feira, 7, o jornal “Feira Hoje” circulou com a seguinte manchete: “Ameaçado edifício da Galeria Caribé”. O texto dizia que “o prédio teve algumas de suas vidraças quebradas e apresenta rachadura”.

Rotarianos representando 57 clubes dos Estados de Sergipe Alagoas e Bahia chegaram a esta cidade na sexta-feira, 8, para a XXIV Conferencia Distrital de Rotary Internacional,   numa promoção dos dois clubes locais, Rotary Feira e Rotary Feira-Leste.

O evento, realizado no Clube de Campo Cajueiro teve como objetivo  preparar os clubes do Distrito 455 (Sergipe, Alagoas e Bahia)  para a Conferencia de São Paulo no final do mês. O Distrito 455 tinha como governador o rotariano feirense Jonathas Teles de Carvalho.

Sábado, 9, com dados do CDL, o colunista Antonio José Laranjeiras listou as dez empresas que mais consultaram o SPC: Sadel, Universal Moveis, Lojas Santana, Feira Retalhos, Sapataria Oliveira, Casas Pernambucanas, Finivest, Mersan, Banorte e Sapataria Costa

O jornal “Feira Hoje” de domingo, 10, destacou a passagem por Feira do governador Antonio Carlos Magalhães, para cumprir compromissos em Antônio Cardoso, sendo recebido por lideranças no antigo Campo de Pouso entre Campo Limpo e Estrada do Besouro.
 
Poucas indicações e muitos discursos, assim a foi sessão da câmara na segunda-feira, 11, conforme registrou da imprensa no dia seguinte. Foram  tribuna, Adessil Guimarães, Hermes Sodré, Rubem Carvalho, José Pinto, Aloísio Lima, Renato Sá  e Vavá Machado. 

Como aconteceu em todo o país, na tarde de terça-feira, 12, a cidade parou para assistir o primeiro grande teste da Seleção Brasileira visando o Mundial da Espanha em 1982. O jogo foi contra a Inglaterra, em Wembley, onde os ingleses jamais perderam para os sul-americanos.

Na edição do dia 13, o jornal feirense estampou na capa: “O tabu foi quebrado: um país sul-americano conseguiu vencer a Seleção da Inglaterra, em Wembley e este país foi o justamente Brasil que aplicou ontem 1 a 0 nos britânicos, gol marcado por Zico”.

A grande notícia na quinta-feira, 14, foi o encontro do deputado Francisco Pinto com o ex-governador Roberto Santos, ocorrido na noite do dia anterior, no palacete do líder político Eduardo Fróes da Motta, que estava comemorando 90 anos. 

E no mais, na sexta-feira, 15, fechando a quinzena, o jornal Feira Hoje anunciou que a fachada do prédio da Galeria Caribé “poderá ser demolida ou ter sua base reforçada”. Deu a segunda opção. (Adilson Simas)

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: A Feira há 41 anos - Maio de 1978

6/5/2019, 9:19h
Efemérides dos dias 6 a 9

Vamos relembrar fatos ocorridos na Feira de Santana no começo de maio de 1978, conforme texto de Adilson Simas lido em 8 de maio de 2008 durante o programa Primeira Página apresentando por Valdomiro Silva na Rádio Povo, tomando como fontes  as edições do jornal “Feira Hoje” dos dias 6, 7 e 9, respectivamente de sábado, domingo e terça-feira (Adilson Simas). 

Tendo à frente o comandante Cezar Augusto Guimarães, do 35BI, foi celebrado na Catedral de Santana oficio religioso em memória dos que morreram durante a II Guerra Mundial, em campos da Itália.

Ainda sobre o assunto a câmara marcou para quinta-feira, 11, sessão especial para comemorar 33º aniversário da vitória dos aliados contra o poder nazista, na II Guerra Mundial. Como oradores, a Arena escolheu José Ferreira Pinto e o MDB, Nilton Belas Vieira.

Moções de parabéns pelos aniversários do jornalista Raimundo Gama e dos deputados federais João Durval e Noide Cerqueira, foram apresentadas na câmara. As duas primeiras de autoria do vereador Antonio Carlos Coelho e a ultima, de Werther Mascarenhas Farias.

Mesmo aniversariando na segunda-feira, 8, já no domingo, 7, amigos do deputado João Durval mandaram celebrar missa às 19 horas na Catedral de Santana. A missa também foi dedicada a arquiteta Yeda Barradas Carneiro, cujo aniversário aconteceu em 26 de abril.

Outra moção, tendo como autor o vereador Roberto Pitombo, apresentou votos de parabéns aos artistas André e Charles Albert “pelos dez anos de colaboração, com suas fantasias, para a micareta de Feira de Santana”.

Todos os coordenadores e os 108 alfabetizadores do Mobral/Feira se reuniram dia 8, na Biblioteca Arnold Silva, avaliando o trabalho do mês de abril. Também anunciaram o concurso “Mobral Transformação”, consistindo transformar objetos em desuso em peças de arte.

Abrigos instalados em pontos estratégicos da linha circular dos ônibus coletivos foram batizados de “belo Antônio” pelos usuários. Argumentavam dizendo que embora de boa aparência “eles não protegem ninguém contra nada (sol ou chuva)”.

Mesmo faltando muito tempo, as eleições para a escolha do novo provedor da Santa Casa de Misericórdia, marcada para janeiro do ano seguinte, já era o assunto mais discutido entre os irmãos da secular instituição. E o nome de Osvaldo Torres foi o primeiro a ser lançado

A turma pró Osvaldo Torres divulgou nota mostrando sua eficiência quando esteve presidindo o Feira Tênis Clube, o Clube de Campo Cajueiro, a Liga Feirense de Desportos e o Lions Clube, quando construiu a Biblioteca Infantil na Praça da Matriz.

Notas diversas publicadas  nas colunas políticas anunciavam  a candidatura do jornalista, advogado e ex-vereador Hugo Silva a Assembléia Legislativa por Feira. Eleito, Hugo devolveu a Arena local a cadeira perdida com a morte de Áureo Filho no exercício do mandato parlamentar.

Triste notícia foi a agressão sofrida pelo jornalista Edson Queiroz dos Santos, o saudoso Pascoal, exatamente num bar próximo ao Cemitério Piedade. Foi barbaramente espancado por policiais e o fato amplamente divulgado por toda a imprensa feirense.

Pascoal que na época cobria o futebol amador para o jornal “Folha do Norte”, recebeu a solidariedade de diversos segmentos da vida da cidade, começando pela antiga Associação Feirense de Imprensa, que se posicionou através Nota Oficial.

Vereador e presidente em exercício do diretório local do MDB, Gerson Gomes marcou para o dia 14 o reinicio das reuniões dos dirigentes do partido com os diretórios de bairros. Informou também que o Tanque do Urubu foi escolhido para primeiro encontro.

Naquele ano eleitoral vale frisar que Gerson Gomes foi um dos candidatos do MDB à Assembléia Legislativa. Concluídas as eleições e com sua vitória nas urnas, Gerson passou a formar no grupo de vereadores que interromperam o mandato municipal para ser deputado estadual. 

Foram abertas no Feira Palace Hotel as inscrições para a II Jornada Bahiana de Cancerologia marcada para de 22 a 24 de maio. Promoção da Liga Bahiana Contra o Câncer, contou com o apoio da Prefeitura, Governo do Estado e da regional da ABM.

Retornou a cidade o arquiteto Raimundo Torres, superintendente do Centro Industrial do Subaé. Estava na capital participando no Desenbanco do 2º Encontro sobre Participação em Feiras e Exposições no Exterior, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores.

Dentro do trabalho de prevenção da febre aftosa no rebanho bovino baiano, a Gerfab anunciou uma campanha de desinfetação dos caminhões que fazem o transporte de gado, a partir do posto da BR 116. A informação foi do chefe da área dez, Joel Andrade Mota.

No mais, homens de negócios da cidade, preocupados com o incremento comercial de Camaçari em função do Pólo Petroquímico pediram uma reunião à Associação comercial para uma ampla discussão sobre a vida comercial de Feira de Santana. (Adilson Simas)

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: A Procissão do Fogaréu

22/4/2019, 9:3h

Os mais antigos são unânimes em afirmar que a fé tem sido a mesma durante a procissão, que, no entanto muito tem perdido em afluência e solenidade. Vamos, pois, lembrar a Procissão do Fogaréu de tempos idos, conforme editorial da Folha do Norte de abril de 1997, com a marca do saudoso jornalista e historiador Hugo Navarro Silva (Adilson Simas). 

- A procissão, que ficou em nossa memória, era majestosa. À frente, com seu porte marcial, andar  pausado, o Coronel Álvaro Simões Ferreira, levando a imagem do Crucificado, seguido da irmandade da Santa Casa de Misericórdia, encapuzada, numerosa e dividida em duas alas, a conduzir tochas.

Em seguida vinha o Padre Mário Pessoa, a puxar a ladainha com voz  suave mas audível à distância, tal o pesado silêncio que se fazia.

Surgia, depois, a matraca, tangida, nos intervalos, por Claudio “Macaca Fêmea”, e o bombardino, tocado por Oscar Bombardino, que dava, ao cortejo, tom lúgubre e cerimonioso. Só depois aparecia o povão, tomando toda a largura da rua, mas respeitando o espaço das principais figuras da procissão.

O cortejo saia da Matriz, entrava na Marechal Deodoro pela Travessa de Santana, ganhava a Praça João Pedreira, na direção da Prefeitura e entrava na Avenida Senhor dos Passos em cuja igreja fazia a primeira parada, seguindo pelo Beco do França, detendo-se na Igreja dos Remédios e subindo a Rua Conselheiro Franco, parava na Capela de São Vicente, desaparecida como o prédio da Pensão Universal, com a construção do Mandacaru, recolhendo à Matriz a cuja porta, todos de joelhos, contritos, entoavam  o “Senhor Deus”.

Ninguém jamais conseguiu substituir o Padre Mário na ladainha e no “Senhor Deus” da Procissão de Fogaréus cuja melodia, no decorrer do tempo, foi sendo alterada até se tornar quase irreconhecível.

Naqueles tempos mulheres não entravam na Procissão, que simbolizava a prisão e a condenação de Jesus Cristo ao martírio, fatos de que mulheres não participaram. Ficavam, elas, em grandes grupos, nas esquinas, nos passeios, precipitando-se de uma rua para outra só para ver passar aquela enorme massa de homens contritos a entoar o “ora por nobis” nas pouco iluminadas e quase desertas ruas da nossa cidade, que davam à Procissão, aspecto  fantasmagóricos.

Contava-se, na época, que em tempos anteriores e mais ignários, frades estrangeiros, vermelhões de vinhaça, afastavam as mulheres da Procissão com poderosos e certeiros golpes dos pesados cordões das sotainas. Já naquela época as mulheres queriam se meter em tudo.

A procissão atraia notáveis tipos populares. Para Claudio “Macaca Fêmea”, que tocava a matraca, nas ruas, durante toda a Semana Santa, a grande glória era a de participar, de balandrau roxo, da Procissão de Fogaréus, o que também acontecia com Oscar “Bombardino”, que se preparava durante todo dia, para a Procissão, mandando às goelas boas doses de cana para temperar o sopro, que sempre saia suava e contido, como a ocasião exigia.

No meio da massa humana, que acompanhava a Procissão, entretanto, há que se destacar o grande número de cantores de todas as escalas e de todos os timbres, que ensaiava o “ora pro nobis” nas vendas, nos botecos, nos bares, reforçando as cordas vocais com aguardentes variadas, mas, principalmente com os produtos do alambique da Lapa, aproveitando o meio feriado de quinta-feira de trevas (a tarde não se trabalhava), para expandir a voz na Procissão.

O mais importante deles talvez tenha sido Euclides Alves Mascarenhas, escriturário da Prefeitura, ator do grupo teatral “Taborda”, tenor dramático e notável intérprete de “O Ébrio” de Vicente Celestino.

As transformações sofridas por Feira de Santana têm sido profundas, radicais. Tudo aqui muda rapidamente. Hábitos, costumes, trajetos, crenças, aspectos e cacoetes. Mas, nem sempre para melhor.

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: A MICARETA DE 1947

15/4/2019, 9:9h
Texto lido por este cronista em 21 de abril de 2007, dentro do programa Primeira Página, da Rádio Povo, então comandado por Valdomiro Silva. (Adilson Simas)
 
Parece saudosismo, mas quem se dedicar à leitura de antigos jornais, revistas e outras publicações locais, vai concluir que mesmo com o advento do trio elétrico e tantos outros elementos, a micareta de Feira já não exibe a mesma animação de tempos passados.
 
A falta de animação, é bom frisar, não é um fato que ocorre nos dias atuais nem  de poucos anos  atrás. Há mais de cinco décadas, em 1966, por exemplo, logo após a realização de mais uma micareta, o jornal “Folha do Norte” já dizia que “a cada ano que passa, a animação de rua vai desaparecendo”.
 
Também naquele ano o jornalista Franklin Machado, em artigo com o titulo “Velhos Tempos”  dizia textualmente: “O fato é que no meu tempo de menino víamos batucadas, cordões, ranchos, blocos e fantasiados desfilando pelas ruas  fazendo todo mundo rir com seus trajes  em cartazes cômicos.”.
 
Feitas  essas observações, vamos hoje lembrar de uma micareta mais distante, a de 1947, realizada nos dias 11, 12, 13 e 14 de abril, com grande animação nas ruas e nos clubes.  
 
A cidade, como de resto o país, vivia a transição entre a queda do Estado Novo, a instalação da Assembleia Constituinte que come uma nova constituição que devolveu ao país o regime democrático. Nesse período, até que fossem realizadas eleições gerais, vários prefeitos assumiram como interventores os destinos da cidade..
 
Quando da realização da micareta de 1947, era prefeito  o farmacêutico João Barbosa de Carvalho, que substituiu Carlos Valadares que se afastou para ser candidato a deputado estadual. Homem bondoso, dono da antiga Farmácia Agrário, João Barbosa era tido como médico pela classe pobre da cidade. Morreu no exercício do cargo e foi substituído por mais um prefeito tampão, o advogado Edelvito Campello, mas esse é outro assunto, pois hoje estamos tratando de micareta.
 
Naquele ano Feira  ainda era uma cidade pequena basicamente com  quatro grandes ruas no centro, alguns becos que ficariam famosos e cerca de meia dúzia de subúrbios com poucas casas. Entre eles, Tomba e Sobradinho. Tanto  assim que segundo  os números oficiais do IBGE, nos anos 40  todo o município de Feira de Santana tinha apenas  83.268 habitantes, sendo 63.608 na zona rural e sòmente  19 mil e 660  pessoas residindo na sede do município.
 
Sobre a micareta, os jornais da época destacam que além dos três clubes tradicionais -  25 de Março, Vitória e  Euterpe Feirense, que ainda funcionava no prédio da antiga Prefeitura, em frente a Igreja Senhor dos Passos, também houve festa no caçula Feira Tênis Clube, que tinha três anos de fundado.
 
O Tênis realizou quatro bailes cobrando do não associado 50 cruzeiros por noite e 150 cruzeiros pelas quatro noites. Vale ressaltar que para melhorar a sede  em razão da festa momesca, o diretor Newton Falcão conseguiu da Fábrica de Tintas Renner a doação de 72 galões de tintas Reko, para que fosse feita a pintura do clube.
 
Também foi grande a animação nas ruas. O jornal “Folha do Norte” que circulou depois da micareta, disse em matéria de primeira página:
  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: A Micareta de 1975

8/4/2019, 11:19h
No sábado, 14 de abril de 2007, participando do programa Primeira Página comandado por Valdomiro Silva, na Rádio Povo, abordei como tema a Micareta de 1975. Já que estamos às vésperas de mais uma folia momesca vale a pena lembrar aquela festa 44 anos depois (Adilson Simas)
 
- No último programa fizemos uma retrospectiva sobre antigas micaretas, começando com a primeira, realizada em 1937. Hoje vamos continuar com o tema focalizando a folia momesca de 1975.
 
Optamos por 1975 uma vez que naquele ano alguns elementos novos foram incorporados à festa. Entre eles a eleição para a escolha do Rei Momo e a criação do mais um baile pré-micaretesco, o “Caju de Ouro”.
 
A micareta foi realizada de 19 a 22 de abril, mas já a partir  de março a cidade entrou no clima momesco. No comercio, por exemplo, em meio a confetes e serpentinas, as lojas exibiam nas suas vitrines camisas havaianas, shortes, sandálias e principalmente mortalhas. 
 
Naquele tempo ainda existiam os gritos de micareta. Com grande afluência de público, o primeiro aconteceu no sábado, 29 de março, na Cidade Nova e no dia seguinte repetiu-se o sucesso no Alto Cruzeiro.
 
Os gritos prosseguiram no dia 5 de abril na Queimadinha, dia 9 no Sobradinho, dia 12 no Jardim da Paquera e encerrando a série houve grito no dia 16 na Praça da Kalilândia. Tamanha a importância desses ensaios que muitas vezes as emissoras de rádio faziam transmissão direta.
 
No dia do primeiro grito no sábado de Aleluia, o Feira Tênis Clube brindou seu quadro social com o famoso baile “Uma Noite no Havaí”. Após a leitura do  testamento de Judas, teve inicio a folia ao som da bandinha  Fetecê e do trio Tapajós.
 
No sábado seguinte, dia 5, substituindo o baile “Ula Ula” o Clube de Campo Cajueiro realizou pela primeira vez o  “Caju de Ouro” que se constituiria no maior evento divulgador não só da micareta, como da Feira de Santana.
 
O primeiro “Caju de Ouro” foi realizado em grande estilo. Além das ricas e luxuosas fantasias do carnaval carioca, à Feira vieram artistas  da Rede Globo, inclusive os que estavam participando das novelas em exibição.
 
Dos nomes globais aqui estiveram Elisangela, Isabel Tereza, José Augusto Branco, Miriam Pérsia, Marina Montini. Com eles costureiros famosos como Clovis Bornay, Evandro Castro Lima e Eloy Machado.
 
Também no “Caju de Ouro” Vinicius de Morais, Gesse Gessy e a ex-missa Marta Vasconcelos, que ao lado de personalidades locais, como o arquiteto Juracy Dórea, formaram no júri que  escolheu e elegeu as melhores fantasias em luxo e originalidade.
 
Naquele concurso, Charles Albert, para uns, mexicano, para outros argentino e para nós um feirense de coração, expressão da cidade na arte da tapeçaria e da criação de fantasias, encantou os visitantes exibindo suas ricas criações concebidas em solo feirense.
 
No sábado, 12, uma semana antes do inicio oficial da micareta, aconteceu mais um elemento novo. Foi o concurso para a escolha do Rei Momo, sendo eleito Hilkias Carvalho, o conhecido Gordo do Portão, como era denominado um dos pontos de encontro dos artistas da cidade, na Praça Padre Ovídio, onde também funcionava a Gafes – Galeria de Artes de Feira de Santana. Vale frisar que até 1974 a cidade trazia Ferreirinha, Rei Momo do carnaval de Salvador, para reinar na Micareta de Feira.   
 
Na sexta, 18, no palanque armado na Praça João Pedreira, o prefeito José Falcão da Silva coroou Silene Machado como rainha e as jovens Helena e Marizete como princesas. Já o Rei Momo recebeu as chaves da cidade.
 
Findo o ato simbólico, rei, rainha, princesas e autoridades se dirigiram ao Ginásio do FTC, onde com muita pluma e paetês, teve inicio mais um Baile dos Artistas, quando Neide Sampaio, a rainha dos artistas em 74, passou a coroa para Alvalice Mércia, a nova rainha.
 
De sábado a terça-feira, foi só alegria. Nas ruas, além do préstito de domingo e terça-feira, muitos blocos, cordões, escolas de samba, batucadas, e trios elétricos arrastando a multidão. Nos clubes, além de bailes no Clube Ali Babá, Clube Sesi e Clube dos Sargentos e Subtenentes, os chamados grandes clubes,  Cajueiro, Tênis e Euterpe, juntos, promoveram 28 bailes.
 
O Tênis, presidido por Dazio Brasileiro Filho, tendo como secretário João Marinho Gomes e Eduardo Teles diretor social, brindou o associado com a decoração  “Arlequim Supeestar”, bolada por Charles Albert.
 
No Cajueiro a Orquestra Yemanjá contratada pelo diretor social José Olimpio Mascarenhas tocou para o folião pular nos salões decorados com o tema “Aquário Musical”. Jacob Aguzzoli era o presidente.
 
Na Euterpe, presidida por Rubem Carvalho, além dos cantores locais como Geraldo Borges interpretando velhas marchinhas, a presença do famoso Zé Pretinho da Bahia. “Micareta na China” foi o tema da decoração.
 
Tranquila foi aquela micareta e não poderia ser diferente. Dias antes do início da festa, Nivaldo Tourinho, delegado de Furtos e Roubos, tratou de recolher na pensão de seu Emídio, como era chamada a Cadeia Pública, hoje Câmara de Vereadores, todos os indivíduos como passagem pela delegacia, desde o famoso “Barriga Lascada” ao perigoso “Gasparzinho”.
 
Por sua vez, Jurandir Fernandes, Delegado Regional, percorria os bares tradicionais do centro, como o Boteco do Regi, Boteco do Vidal, Coréia de Edgar, Katucha de Aniceto, Visgueira da Vitorino Gouveia e tantos outros vendo in loco se estava sendo cumprida sua portaria, na qual dizia ser proibida a venda de bebidas alcóolicas a pessoas que estejam em liberdade condicional.
 
Por fim, numa dessas visitas, ao chegar no Boteco do Regi, local preferido do pessoal da imprensa, Jurandir, sempre gaguejando,  perguntou  ao saudoso sargento Regi se ele estava cumprindo rigorosamente a sua portaria. Regi alisando a cabeça forrada de brilhantina goltora respondeu em voz alta e causando risos:
 
Tô não amigo velho! Você mandou realmente a portaria e eu colei ali na parede. Mas  esqueceu de mandar o álbum de fotografias, para eu poder identificar  os clientes foliões que estão em liberdade condicional. (Adilson Simas)
  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: Uma mulher especial

1/4/2019, 8:35h

No seu disputado livro A Feira na Década de 30, o decano historiador Antônio do Lajedinho relembra seu ingresso na Escola Normal em 1939. Com o título “Uma Mulher Especial” ele lembra seus colegas, entre eles Analdina, filha de Leolindo Silva (Lili) e Dona Maria Silva (Maria de Lili). Vale a pena lembrar (Adilson Simas):

- Em 1939, depois de passar pelas escolas particulares de D. Neném, Professora Edith M. Boaventura, Margarida Brito e Emengarda Oliveira, submeti-me ao exame de suficiência e fui aprovado para ingressar na Escola Normal Rural de Feira de Santana.

Dos colegas de turma recordo-me Boanergens Santos, Divaldo Franco, Valdir Pomponet, Eurico Pinto, Antônio Pereira, Aloísio Cerqueira, Wagner Mascarenhas, Elza Macedo, Cibele Almeida, Maria Éster Portugal, Niá Guimarães, Dalva e Abgail Moreira, Percília Dórea, Tereza, Ivete, Margarida, Faraildes, Aidil, Carmosina e mais outras quarenta colegas, além de outros já em fase de professorandos como Arlindo Pitombo, Antônio Barreto, Itan Guimarães, etc. 

Naquele ano entre os colegas de turma estava Analdina, a mulher que nasceu na década de 20 com o espírito de mulher do ano 2.000. Filha de Leolindo Silva (Lili) e Dona Maria Silva (Maria de Lili), irmã dos meus amigos Osvaldo e Evilásio, família de classe média alta, Analdita agia como age hoje uma universitária: mantinha amizade com colegas de ambos os sexos, discutia assuntos políticos, montava a cavalo com calça de homem e era espirituosa e criativa.

Uma vez, durante uma prova de língua francesa, o professor, Padre Mário Pessoa, flagrou Analdina com uma pesca enrolada na meia que vinha acima do joelho. Com sua voz macia, porem firme o Padre Mário pediu – D. Analdina, devolva-me a pesca que está em sua meia. Mas Analdina contestou – Não há pesca nenhuma em minha meia e se o senhor acha que tem pode vir tira-la.

Embora todos sorrissem do desafio, o Padre Mário aproximou-se, mentalizou a localização da pesca, virou o rosto, levantou um pouquinho a ponta da saia e pegou a pesca na dobra da meia. Enquanto todos voltavam a sorrir o Padre Mário mostrava a pesca como sinal do dever cumprido. Era um bonachão e deixou-a prosseguir na prova.

Analdina deixou a Escola Normal no ano seguinte e em Salvador adquiriu um Taxi, sendo talvez a primeira taxista na Capital. Depois encontrei com Analdina em Salvador dirigindo um ônibus, que certamente também lhe conferiu a posição de primeira motorista de coletivo.

Analdina era muito brincalhona e estava constantemente se metendo em encrencas, o que levava seu pai a castiga-la, principalmente cortando-lhe a mesada.
Mas um dia, segundo me contou seu irmão Osvaldo, Analdina acordou cedo e foi à cozinha e, por acaso, flagrou seu pai beijando a empregada.

Surpresa, exclamou: “Pa-pai!”

O velho assustado perguntou:

“Esta não é a tua mãe, não?!”

E arrematou:

“Eu sem óculos não sou ninguém!!!”

Daquele dia em diante a mesada de Analdina teve uma estabilidade maravilhosa.

  •