FEIRA EM HISTÓRIA

FEIRA EM HISTÓRIA – EFEMÉRIDES DE SETEMBRO DE 1957

21/9/2020, 15:9h
 

 

Por Adilson Simas

Na área empresarial - Foi inaugurado o Posto “Servi Centro Esso” na Praça da República.
Além de distribuidor dos produtos da Esso, com a inauguração a cidade também ganhou
um aparelhado serviço de lavagem em qualquer tipo de carro.

Um dos proprietários, Martiniano Carneiro discursou destacando que o estabelecimento
estava à altura dos foros de civilização e desenvolvimento de Feira de Santana. O Padre
Aderbal Miranda benzeu as instalações e a filarmônica da Euterpe Feirense brindou os
presentes com trechos musicais.

Na área esportiva - A grande notícia foi o convite da Federação Baiana a Pedrinho
Rodrigues, o “homem do cachimbo”, técnico do Fluminense, para dirigir a Seleção Baiana
que representaria o Brasil na excursão programada para o Chile.

Logo os cronistas da cidade, começaram a sugerir a convocação de jogadores do tricolor e
entre eles eram citados Flávio, Raimundinho, Valder e Periperi.

Na área policial - A imprensa divulgou quem foi preso no decorrer dos últimos dias,
citando Militão Correia por ter furtado pacotes de café e outros objetos, Arnold Pereira
Santos por ter furtado um liquidificador, Manoel Ferreira Silva por crime de defloramento,
Antônio Roberto Silva por ter furtado 5 sacos de lona e caixas de gás, Cosme Bento Costa
por ter furtado um saco de feijão.

A imprensa também noticiou que Antônio Pereira de Oliveira, por amor, paixão e ciúme,
tentou o suicídio ingerindo Formicida e Coca Cola. A ocorrência ganhou a seguinte
manchete: “O amor quase o leva a sepultura”.

Na área cultural - A Câmara Municipal, na época funcionando no Paço Municipal, cedeu
suas instalações para a concorrida solenidade que marcou a posse da nova diretoria
Associação Cultural Filinto Bastos:

A diretoria ficou assim constituída: presidente de honra, Benedito Farias; presidente
executivo, Humberto Mascarenhas; vice-presidente, José Luiz Navarro; secretários,
Agnaldo Marques e Leny Pinto; tesoureiros, Raimundo Almeida e João Assis, secretário de
Cultura, Djalma Souza, secretário de arte, Olney São Paulo; secretário de imprensa, Edgar
Erudilho; secretário social, José Ferraz, orador, Carlos Pires; bibliotecário, Aurino Bastos; e
na assistência social, Armando Almeida, Ely Rosas e Noelia Rosas.

Na área de serviços - A imprensa noticiou que Tereza Batista, figura do cotidiano da cidade
que há anos permanecia ao relento, abeirada à porta de um estabelecimento comercial, foi
transferida para o Albergue Noturno, naquele imóvel hoje também ocupado pelo escritório
do Fluminense.

Conta o jornal que o delegado de policia incluiu na lista dos presos o nome da velha Tereza
para que “lhe seja fornecida quantia idêntica a que recebem os presos pobres para sua
alimentação”.

Na área religiosa - Além de fornecer aos leitores os horários das missas, uma nota com o
título “Amigo, você sabe?” dizia que no Café São Paulo foi colocado um cofre, que se
destina a recolher esmolas para a construção da Igreja de Santo Antônio.

Segundo a nota um cofre será levado em desfile até o local onde a igreja estava sendo
edificada, saindo da Praça do Comercio (hoje Praça da Bandeira), tendo a frente a Banda de
Musica da Euterpe Feirense.

A nota termina sugerindo que “Quem não puder ir, mande outra pessoa para levar a sua
cooperação, pois Santo Antônio dará o dobro da importância que se vai ofertar para a
construção da sua escola”.

Na área literária - Assim como os jornais atuais estimulam os meios artísticos e culturais,
nos anos 50 a categoria também tinha espaço nos jornais da época.
A Gazeta Literária do dia 14 publicou esta poesia do advogado e grande orador Carlos
Pires, filho de João Pires da antiga Loja Pires:

- Quantos amores tive, francamente, nem sei se sou capaz de descrevê-los. Desde o mais
sensual e irreverente, até o mais puro em recatados zelos. Em cada amor um tipo diferente...
E amei com o ardor de todos os meus desvêlos, morenas com a noite em olhar ardente, e
loiras com luares nos cabelos. Mas, mesmo assim, com todo o meu sucesso, com todas as
mulheres, eu confesso, que insatisfeito o meu viver definha. Ó mundo de terrível contra-
senso! A única mulher a quem pertenço, jamais na vida poderá ser minha.

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: Uefs discute Chico Pinto

14/9/2020, 9:52h

Por Adilson Simas

Há 13 anos, em setembro de 2007 a Uefs realizou durante dois dias um seminário  abordando a vida e a trajetória de Francisco Pinto. Um fato raro, pois antes era impossível imaginar a reitoria reunindo no campus professores, alunos, historiadores e convidados ilustres tendo como tema Chico Pinto. Aproveitei aquele  momento e no programa Primeira Página ancorado pelo jornalista Valdomiro Silva, na Rádio Povo e falei sobre o líder feirense quando prefeito. Vale a pena lembrar.

Eleito para o quatriênio 1963/1966, Pinto governou apenas um ano e 29 dias. A posse aconteceu em 7 de abril de 1963 e foi deposto em 8 de maio do ano seguinte, pouco mais de 30 dias depois do golpe militar de março de 1964.

Dotar a Prefeitura de uma moderna estrutura administrativa  foi a primeira grande tarefa. Até então tudo na Prefeitura era decidido pelo prefeito ou seu chefe de gabinete.

Pinto instituiu então as secretarias municipais, inicialmente em numero de cinco, mais o Chefe de Gabinete, tendo como titulares pessoas representativas da cidade.

Foram secretários os vereadores Colbert Martins e Jackson do Amaury, o empresário João Torres Dantas Filho, o advogado Roque Aras, o agrônomo Waldemar Matos, o médico Milton Marinho e o bancário Marcone Dias.

Em cada  secretaria, além dos departamentos, chefias e seções, existia a figura do Oficial de Gabinete, recrutado entre os jovens estudantes, quase todos, membros dos grêmios colegiais existentes. Entre eles estavam Celso Daltro, Antonio Carlos Coelho, Celso Pereira, Nilton Belas Vieira e Normando Leão.

Coube a Chico Pinto levar calçamento até os subúrbios, como se dizia na época, pois até então as pavimentações aconteciam apenas no centro e ruas vizinhas.

O distante Sobradinho, por exemplo, ficou mais perto do centro comercial  via antigo Nagé, graças ao calçamento que Pinto fez no prolongamento da Rua Voluntários da Pátria e toda a extensão da Rua Arivaldo Carvalho.

O mesmo aconteceu na tradicional Queimadinha. O calçamento na sua principal via a Rua Intendente Abdon, desde o antigo Cruzeirinho à extinta Caeira para chegar à Rua Aloísio Resende e em seguida o centro, fez de Pinto um ídolo daquela comunidade até então isolada da cidade.     

Ainda nesta área, Dona Pombinha testemunhou as emoções vividas pelos moradores da Galiléia, quando o caminhão da Prefeitura chegou trazendo paralelepípedos para o calçamento das ruas General Guedes e Cosme da Farias.

Assim como acontece ainda nos dias atuais, a cidade parou no distante 1963 para assistir o desfile dos modernos veículos equipados  adquiridos por Chico Pinto  substituindo o velho caminhão e até carroças que faziam a coleta do lixo na sede e zona rural..

Foi no tempo de Pinto que o feirense conheceu pela primeira vez a Farmácia Popular, hoje fazendo  sucesso pelo país  afora. Foi também no seu tempo que aqui surgiu a Cesta do Povo, batizada, com o nome de Central de Abastecimento, no imóvel da Rua Senador Quintino onde hoje funciona a sede central da AFAS.

Diferente do que se tenta passar, Chico Pinto implantou e colocou em funcionamento o Ginásio Municipal. Tanto que seu nome foi colocado no grêmio estudantil e só retirado quando ele também foi retirado da prefeitura, depois do golpe de 64.

Antes de Pinto, quando o jovem concluía o antigo primário – e eu estava entre eles, o futuro ginasiano tinha apenas duas opções. O Ginásio Estadual da rede pública e o Ginásio Santanópolis, da rede particular.

Eu, por exemplo, participei da implantação do Ginásio Municipal  em 1963 como aluno matriculado na 2ª série, depois de fazer a 1ª série no  Santanópolis, no ano anterior, com meia bolsa fornecida pela prefeitura.

Pinto implantou o ginásio utilizando o imóvel onde hoje funciona o Museu de Arte Contemporâneo, as dependências do antigo Albergue Noturno (hoje numa das suas salas funciona a sede do Fluminense) e em mais duas salas construídas onde existia a Balança Municipal. Ainda no seu tempo as primeiras medidas para a edificação do atual imóvel, junto a Padre Palmeira, secretário de Educação do Estado.

Aliás, o Estado contou com Pinto para executar grandes obras  na cidade. O Fórum Filinto Bastos e o Ginásio Estadual, por exemplos, foram edificados em áreas doadas na sua gestão. A propósito, a Escola Estadual Eduardo Motta, no bairro Serraria Brasil, foi construída e inaugurada por Chico Pinto.

Em que pese seu curto período à frente do executivo feirense  – um ano e 29 dias, muito ainda teria para lembrar como realizações do governo “Chico Pinto na Prefeitura é o povo governando”. O que faremos numa outra oportunidade

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: Efemérides de 13 de setembro de 1959

8/9/2020, 16:27h

No ano de 1959 o 13 de setembro caiu num domingo, dia que circulava o semanário Gazeta do Povo que tinha redação e oficina no chamado “Beco do França”. Passados 61 anos vamos viver aquela Feira de Santana recordando alguns fatos que foram notícias nas páginas do jornal feirense (Adilson Simas)

Grande público compareceu ao estádio municipal quando foi realizado o Torneio Inicio da Liga Feirense de Futebol. Entre as autoridades o secretário da Prefeitura, Joselito Amorim, representado o prefeito, o vereador Waldir Pitombo que também atuou como médico de plantão da Liga e o coronel João Campos de Aragão, comandante do Batalhão de Policia, cuja banda executou o Hino Nacional.

Todos os seis clubes filiados a Liga – Ipiranga, Botafogo, Mecânico, Vasco, Bahia e Flamengo participaram do torneio. O Bahia foi o vencedor ao aplicar 4 a 0 no  Ipiranga na partida final. O “bicho papão”, como era conhecido o Bahia, também foi o campeão do desfile que marcou a abertura da tarde esportiva.

Para os saudosistas lembramos a escalação dos dois clubes da decisão: Bahia – Carlito, Raimundo I e Ivan; Raimundo II, Renato e Toninho; Zezé, Lolô, Pereira, Djalma e Coruja: Ipiranga – Geraldo, Zizinho e Careca; Liminha, Caboquiho e Dão; Letinha, Edvaldo, Bondinho, Jaime e Galo.

Aconteceu a posse da nova diretoria da Sociedade Montepio dos Artistas Feirenses, tendo na presidência José Gomes da Costa. Vale lembrar que José Gomes foi um dos fundadores da Associação Comercial e dono da Sapataria Costa que funcionou durante muitos anos na Praça da Bandeira.

Também na nova diretoria, no cargo de 1º secretário, Antonio Carlos Borges dos Santos, pai do secretário Borges Júnior. Vale frisar que depois de se aposentar como bancário do antigo Banco da Bahia, na Praça da Bandeira, Antonio Carlos se estabeleceu como comerciante na Rua Sales Barbosa.

Anunciada a comissão para coordenar “Os Jogos da Primavera”, evento realizado todos os anos reunindo alunos da Escola Normal e Ginásio Estadual. Presidida pelo tenente Arlindo Barbosa da Silva, a comissão foi integrada pelas professoras Mary Prats, Hadla Sméra, Célia Bacelar e mais o estudante secundarista Helder Alencar.

O doutor João de Almeida Bulhões, Juiz de Direito da Vara de Menores, assinou a Portaria nº 17, proibindo o ingresso de escolares durante o período de aulas, quer diurno ou noturno, trajados com o uniforme do estabelecimento de ensino, em cinemas, teatros, circos, auditórios, campo de futebol, clubes, bares, bilhares e quaisquer outras diversões públicas.

Pela mesma portaria o juiz informou que a fiscalização ficará a cargo dos senhores Miguel Barreto da Silva, José Conceição Santos, Laureano Barbosa da Silva, Cristovam Ribeiro Costa e Sizinio Alves Amorim. Cristovam e Sizinio pertenciam aos quadros da prefeitura, como guardas municipais.

A crônica social registrou  que “regressou a esta cidade.após alguns dias na Capital da Republica, o sr. Oscar Marques, alto comerciante que representa em Feira os afamados produtos da Brahma, vereador e integrante do PSD. Registrou também o regresso de Agostinho Fróes da Motta, filho do Eduardo Fróes da Motta, que se encontrava a Capital da Republica..

O jornal recebeu e registrou a visita de moradores do Campo Limpo que foram protestar contra a decisão da Prefeitura em autorizar a colocação de todo o lixo coletado na cidade em terreno de propriedade do senhor Filinto Marques, existente no bairro. Alegaram que estavam sendo incomodados por moscas e mosquitos.

Naquele domingo 13 de setembro, um grave acidente com o radialista Raimundo Oliveira, que levado às pressas para o Hospital Dom Pedro de Alcântara faleceria na sexta-feira. A morte de Raimundo Oliveira abalou a cidade e o seu sepultamento, depois do corpo ser velado no auditório da Rádio Cultura, está incluído entre os que atraíram muitas pessoas.

Raimundo Oliveira, irmão dos também radialistas Aristides Oliveira e Dourival Oliveira (já falecido), foi o maior animador de auditório do rádio em Feira de Santana e o seu programa “O ouvinte é quem manda” dominava as noites feirenses. Além de atuar no rádio, era funcionário do DNER.

Quem também faleceu em setembro de 1959, foi o vereador João Martins Mamona, o João Mamona como era mais conhecido. Como vereador deu o nome do poeta Sales Barbosa a biblioteca da câmara.

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA: A primeira disputa depois do Estado Novo

31/8/2020, 16:16h
Neste ano de eleições municipais, vale a pena voltar ao tempo e conhecer a Feira de Santana de 1947 quando aconteceu o primeiro embate eleitoral com a queda do Estado Novo e a promulgação da nova constituição, passados, pois 73 anos. (Adilson Simas)

Feira de Santana ainda estava por completar 100 mil habitantes em todo o município. A fatia maior da população estava nos distritos da zona rural. Na sede do município apenas pouco mais de 30 por cento da população.

Para se ter uma ideia do território urbano da época, Sobradinho, Tomba, Olhos D’Água, Ponto Central, Tanque da Nação tidos como bairros tradicionais da cidade em 1947 não passavam de pequenos subúrbios distantes do centro.

Naquela primeira eleição, depois da queda do Estado Novo município possuía menos de 10 mil eleitores. A única zona eleitoral era chefiada pelo juiz Alibert do Amaral Batista.

As eleições foram realizadas em 21 de dezembro que caiu num domingo e os eleitos foram empossados em 16 de maio do ano seguinte.

Dois candidatos ao governo do Estado disputaram os votos de Feira: Otávio Mangabeira, o mais votado com 4.552 votos, e Antônio de Medeiros Neto que somou 3.291 sufrágios.

Três postulantes ao senado tiveram votos em Feira de Santana: Landulfo Alves de Almeida, o mais votado com 3.801 sufrágios, Antônio Pereira da Silva Moacir, o segundo com 2.615 e  Orlando Gomes que somou apenas 439 votos.

Vários nomes locais foram candidatos legislativos preferenciais. Entre eles Arnold Silva da UDN e Carlos Valadares do PSD.

O eleitor na verdade se ligou mais nas disputas locais, no caso a escolha do novo prefeito e dos nomes que formariam na 1ª legislatura da Câmara Municipal.

Para aquela primeira Câmara após a redemocratização de 1945 o eleitor feirense elegeu 13 vereadores, todos já no “andar de cima”. Ei-los:

Abílio Santa Fé Aquino, Áureo Filho, Augusto Matias Almachio Boaventura, Edelviro Campello de Araújo. Antônio Leopoldo Cabral, Antônio Matos, Democrito Soares, João Batista Carneiro, José Joaquim Saback, Servilho Carneiro, Antônio Ribeiro Cunha  e Renato Santos Silva.

Para Prefeito foram apresentados ao eleitorado dois nomes: Aguinaaldo Soares Boaventura do PR apoiado pelo PSD e Carlos Arthur Rubinos Bahia, da UDN

Urnas abertas, Aguinaldo foi eleito o primeiro prefeito de Feira do novo regime, obtendo 4,688 votos, contra  4.227 dados a Carlos Bahia.

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA – EM 1941 DIVAL PITOMBO JÁ FALAVA DO PROGRESSO DA CIDADE

24/8/2020, 10:36h

Está na página 19 da Revista Serpentina de abril de 1941, de Pedro Matos e reeditada pela Fundação Senhor dos Passos. Assim, há 79 anos o mestre Dival Pitombo diz ao falar do progresso cidade: “E’ como se uma fada a tocasse com a sua varinha magica e de um momento para outro tudo o que estava parado começasse a mover-se, crescer, colorir-se de uma vitalidade nova e verdadeiramente miraculosa”. Vale a pena ler de novo (Adilson Simas)

- Há qualquer coisa de maravilhoso e surpreendente no surto de progresso porque vai atravessando a Feira.

Ela já não é a cidade-garota dos bairros líricos onde violões boêmios enchiam de harmonias as noites de luar na mais adorável simplicidade provinciana.

Já não encontramos aqui, aquele cunho de cidade sertaneja que a caracterizava.

Cresce e civiliza-se.

E, como se uma fada a tocasse com a sua varinha magica e de um momento para outro tudo o que estava parado começasse a mover-se, crescer, colorir-se de uma vitalidade nova e verdadeiramente miraculosa.

Rasgaram-se avenidas, abriram-se escolas, estradas inúmeras como longas «serpentes de jaspe» levaram aos quatro ventos, a lama de uma hospitalidade que já se ia tornando tradicional.

E a cidade foi perdendo rapidamente tudo o que ainda lhe restava do antigo povoado de D. Ana Brandôa.

As suas longas avenidas nada têm de provinciano, os seus parques outrora sombrios e melancólicos, estão inundados de luz; e a alegria radiosa da juventude das escolas forma como que uma aureola cintilante de Vida e de Graça.

Uma verdadeira febre de construção vai possuindo a população; e os bairros novos vão surgindo numa verdadeira sinfonia de cores tecendo uma moldura rica e graciosa na paisagem.

Há os bairros operários onde habita modestamente a classe pobre: - casinhas enfileiradas como um longo rosário colorido. Todas as manhãs, o cortejo processional da gente para o trabalho.

Movimento. O bom humor sadio do povo passando nas ruas embandeiradas de roupas secando ao sol. A noitinha sob a paz das estrelas, as serenatas tradicionais num lírico ambiente de aldeia.

O bairro comercial em movimento constante reflete o dinamismo do povo. Pratico, movimentado, ele é sempre a parte que concentra toda a vida ativa da cidade.

E por fim os bairros aristocráticos. As longas avenidas senhoriais marginadas de construções elegantes onde vive gente abastada.

Mudou muito a minha Feira.

Não mais cidade adolescente e romântica sonhando diante dos crepúsculos maravilhosos.

Não mais simplicidade encantadora de sertaneja nova e inconsciente de sua beleza.

Cresceu. Estudou. Encheu-se de adornos e de ciência. Ficou mais bonita talvez.

Mas o teu poeta ó minha bela terra, já não poderia hoje chamar-te de “Cidade do Silencio e da Melancolia”.

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA – AQUELA QUINZENA DE AGOSTO DE 1960

17/8/2020, 11:0h

Vamos viajar no tempo, voltar aos anos 60 e lembrar o que estava acontecendo na Feira de Santana, mais precisamente no começo da segunda quinzena de agosto de 1960 há exatos 60 anos. (Adilson Simas)

Arnold Silva era o prefeito da cidade, eleito pela UDN nas eleições de 1958. Jornalista e diretor da “Folha do Norte” na sua administração surgiram as primeiras pavimentações asfálticas, pois até então usava-se apenas paralelepípedos no calçamento das vias públicas.

O outro poder, o legislativo, tinha 13 vereadores, basicamente da UDN e do PSD e na presidência estava o udenista João Durval. Já o poder judiciário tinha no juiz Viana de Castro um dos seus titulares.

Vale frisar que dos vereadores em atividades no distante agosto de 1960, João Durval e Colbert Martins foram eleitos prefeitos de Feira em duas oportunidades e Artur Vieira, eleito o primeiro prefeito de Anguera. Já Oscar Marques chegou a deputado estadual.

Ainda se comentava na cidade a reeleição de Aurino de Sena Lima para mais um período na presidência da Filarmônica Vitória. Como vice foi eleito Gabriel Correia Ramos do famoso fabrico de licor na Rua da Chevrolet e como secretário Ângelo Pedra Branca, pai do radialista Itajaí Pedra Branca.

Para inaugurar a galeria dos seus presidentes o Feira Tênis Clube anunciou para o final do mês uma grande festa dançante tendo como atração a cantora Maisa Matarazzo. O “aristocrático” da cidade, como era chamado o FTC, nos velhos bens tempos tinha na presidência Osvaldo Torres.

Foi publicado um aviso da Associação Rural de Feira informando aos pequenos produtores da zona rural que por conta das ultimas enchentes estava vendendo a preço de custo enxadas, enxadetas, facões, foices, pás, picaretas, além de inseticida BHC.

Ideia do Departamento Musical, no dia 16 a Rádio Cultua promoveu no seu auditório o Primeiro Festival de Rock, tendo como apresentadores Ivanito Rocha e Edson Magalhães, além dos locutores Lucílio Bastos e Maria Helena da co-irmã Rádio Sociedade. Os garotos Marcelo Melo e Roberto Oliveira, foram as grandes atrações.

Com a presença do senador Domingos Velasco e dos deputados Ultimo de Carvalho, Fernando Santana e Hamilton Cohin, foi realizado mais um comício pró candidaturas Lott presidente, Jango vice. Aconteceu no coreto da Praça Fróes da Motta e o primeiro orador foi o advogado Francisco Pinto.

Muitos eventos na cidade marcaram os dez anos de fundação da Rádio Cultura. Encerrando com chave de ouro, Nelson Gonçalves, o maior cantor do Brasil, fez uma inesquecível apresentação no auditório da emissora.

Esteve na cidade Djalma Reis Alves, instrutor da Banda Musical do Colégio Ipiranga de Salvador. Veio acertar a participação da banda no desfile de 7 de setembro. Também acertou que a delegação, com 74 figurantes ficaria hospedada no Ginásio Santanópolis.

Foi publicado o Decreto Estadual aposentando Constantino Vicente dos Reios do cargo de Escrivão dos Feitos Cíveis e Criminais, do 1ºOficio do Termo de Feira de Santana. Por outro decreto foi nomeado para responder interinamente Edmilson Lopes dos Reis.

Anunciado para o dia 27 a chegada a esta cidade de Ruy Cajueiro, novo Governador do Distrito 455 do Rotary Internacional, para uma visita oficial aos rotarianos de Feira de Santana. Vale frisar que o tradicional clube de serviços era presidido por Antonio Alves Caribé.

A crônica social registrou o aniversário de José Olimpio, quando sua genitora, Aurelina Mascarenhas demonstrou ser uma grande anfitriã. Entre as presenças jovens a crônica destacou Noide Cerqueira, Armando Luiz Sampaio, Luiz Silvany e Eme Portugal – “o divino cronista”.

Nas suas “Notas Esportivas”, Ivanito Rocha comenta a rodada dupla do certame feirense de amadores. No jogo “esfria sol” o Flamengo aplicou 2 a 1 no Bahia. No jogo principal o Mecânico ganhou também  de 2 a 1 para o Botafogo, gols de Juarez e Bululu para o time do óleo e Tenor para o time do Tanque da Nação. Colbert Martins era o técnico do Mecânico e Manuel de Emilia o dono do Botafogo..

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA – ESTE DEZ DE AGOSTO EM 1977

10/8/2020, 18:49h

Por Adilson Simas

Vamos fazer mais uma viagem no tempo. Vamos voltar a Feira de Santana de 1977, lembrando o que estava acontecendo basicamente no dia 10 de agosto, há 43 anos. Antes vale lembrar que naquele ano o dia 10 de agosto caiu numa quarta-feira.

O País ainda não respirava a plena democracia, mas na cidade os poderes constituídos funcionavam normalmente. O executivo era comandado pelo prefeito Colbert Martins e o legislativo tinha na presidência o vereador Rubem Carvalho.

A câmara era composta de quinze vereadores, oito do MDB e sete da Arena, pois existiam apenas dois partidos. Assim como o prefeito, os vereadores daquela legislatura ganharam mais dois anos de mandatos, o que permitiu que muitos suplentes assumissem interinamente.

Ainda sobre os poderes, o judiciário tinha em Helio Vicente Lanza e Galileu Lima, dois dos seus principais juizes. Vale frisar que à frente do 35º Batalhão de Infantaria estava o tenente coronel Eugenio Vieira de Melo.

Vamos agora lembrar alguns fatos daquele tempo: a Câmara criou uma comissão para discutir a situação das indústrias localizadas em áreas fora do centro industrial. 43 anos, depois de muitas reuniões, discussões e sugestões, o problema ainda persiste.

Por sugestão do prefeito Colbert Martins técnicos do antigo EPI começaram a estudar a criação da “Linha Circular” para o transporte coletivo, que logo foi implantada. Ela surgiu em razão da transferência da feira-livre para o Centro de Abastecimento, ocorrida em janeiro daquele ano.

Chefe da 3ª Ciretran, o cap. Antonio Vital levou ao prefeito Colbert Martins, sugestões para serem adotadas no trânsito da cidade, por conta da ”Linha Circular”. Responsável pelo setor, o secretário Eduardo Leal, de Serviços Urbanos, participou do encontro a convite do prefeito.

A Uefs anunciou para fim de agosto e inicio de setembro, a realização da I Semana da Cultura Italiana. Além da exibição de filmes italianos a semana constou de várias palestras sobre literatura, artes plásticas, histórias e outras artes da cultura italiana.

A Câmara desta cidade foi incluída na comissão responsável pela elaboração do XIV Encontro Nacional de Vereadores, em salvador, com abertura no Teatro Castro Alves. Carlos Coelho e Beto Oliveira formaram na comissão ao lado de José Carlos Melo e Ewerton Valadares, de Salvador.

Secretário de Turismo, Antônio Miranda reuniu a imprensa e anunciou as primeiras medidas visando dois acontecimentos de agosto: o Dia do Fotografo e o Festival de Teatro Amador. Aproveitou e antecipou que o Trio Nordestino seria uma das atrações da Expofeira, em setembro.

Com uma larga margem de votos o radioamador feirense Marcio Queiroz Oliveira foi eleito para a chefia da diretoria seccional da Labre na Bahia. A cidade já possuía vários radioamadores, entre eles lembramos aqui o radialista Ávido Medeiros, da antiga Rádio Carioca.

Márcio foi relações públicas na gestão do prefeito Newton Falcão e durante a gestão do governador João Durval Carneiro, teve destacada atuação na governadoria. É filho do advogado e historiador Fernando Pinto de Queiroz, que chefiou o antigo Serviço Jurídico.

A cidade recebeu a visita de técnicos do antigo Banco Nacional de Credito Cooperativo, tendo frente Augusto Paim. Vieram fazer revisão cadastral na Cooperfeira que pleiteava empréstimo de 2 milhões  de cruzeiros para a aquisição de ferramentas e insumos. A Cooperfeira era presidida pelo empresário e pecuarista Wilson Pereira.

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA – 23 ANOS SEM JOSÉ FALCÃO

3/8/2020, 17:58h

Esta quarta-feira, dia 5 de agosto, lembra que há 23 anos Feira perdeu um dos seus mais destacados líderes políticos, o ex-prefeito José Falcão da Silva, falecido em 1997, quando estava no exercício do seu terceiro mandato como prefeito da cidade.

Falcão nasceu na Fazenda Cocão, distrito de Mercês, atual Sergí, no Município de São Gonçalo dos Campos, no dia 19 de agosto de 1930, falecendo, portanto, poucos dias antes de completar 67 anos. Hoje, se vivo estivesse, iria completar 90 anos.

Filho de Tiburcio Ferreira da Silva e Abadézia Falcão da Silva, aos 10 anos perdeu o pai, passando a ser criado pelos tios Antonio Eloy da Costa e Francisca Carolina da Costa, na Vila de Mercês, onde iniciou os estudos. Aos 12, com os tios, veio morar em Feira.

Por convite do monsenhor Amílcar Marques, em 1945 entrou no Seminário Menor de São José, em Salvador, onde ficou até 1949. De volta estudou no Colégio Santanópolis onde concluiu Contabilidade e Magistério Público. Ao mesmo tempo em que fazia os cursos lecionava Latim, Francês e Português.

Como estudava à noite, durante o dia trabalhava como balconista da loja de sapatos de Antonio Barbosa Caribé, para ajudar no sustento da família. Por concurso público foi ser bancário na agencia local do Banco do Brasil, onde ficou lotado até 1982, quando aconteceu sua aposentadoria.

Após vestibular em 1952 ingressou no curso de Direito, da Faculdade de Direito de Aracaju, transferindo-se em 1959 para a Ufba sendo diplomado na turma de 1960.

Falcão estreou na vida pública em 1962 como candidato a deputado pelo nanico PR sem obter êxito. Quatro anos depois, em 1966, foi o mais votado vereador do MDB, liderando na câmara uma bancada que tinha entre outros, Luciano Ribeiro, Noide Cerqueira e Theodulo Junior. Ao se despedir da câmara declarou em discurso:

- É a hora do adeus. Não um adeus daqueles em pranto, mas um adeus com a certeza da consciência tranquila do dever cumprido.

Em 1970 foi o candidato a prefeito do MDB para um mandato de dois anos. Perdeu a eleição para Newton Falcão por conta dos distritos, já que na sede obteve expressiva votação. Os mais antigos ainda cantam a famosa marchinha da campanha que dizia:

- Não adianta pedir, não adianta dá a mão, meu voto é de José Falcão...

Tanto assim que dois anos depois, em 1972, foi eleito prefeito vencendo para a soma dos dois candidatos da Arena - João Durval e Beto Oliveira. Prefeito construiu muitos prédios escolares na zona rural acabando com as escolas isoladas. Mas ao final do mandato, quando os adversários diziam que ele abraçou mais apenas a obra do Centro de Abastecimento ele respondia com ironia:

- Quem muito abraça pouco aperta...

Em 1978 tentou ser candidato a deputado federal, mas não obteve êxito por conta da pulverização dos votos. Naquele ano, além dos arenistas Wilson Falcão e João Durval, também foram candidatos pelo MDB Francisco Pinto, Noide Cerqueira e Roque Aras. Recolhido na residência da Avenida Sampaio, dizia aos amigos que o procuravam:

- O dia da virada ainda vai chegar...

Chegou com as eleições de 1982, ao se filiar ao PDS carlista que surgiu com a onda do pluripartidarismo. A morte de Clériston Andrade, a indicação do feirense João Durval para substituir Clériston como candidato ao governo e de quebra a divisão do PMDB, sem contar o carisma do próprio Falcão, o fez novamente prefeito. Àqueles que estranhavam seu alinhamento aos rivais carlistas ele respondia com sabedoria:

- Na política não existem aliados eternos, nem adversários irreconciliáveis.

Em 1990 para surpresa de muitos, Falcão consegue afinal ser eleito deputado federal, mas dois anos depois, também para surpresa de muitos, ele não consegue ser novamente prefeito em 1992. Foi eliminado logo no primeiro turno, ficando a disputa final com João Durval e Luciano Ribeiro. Para a vitória de 1990 como candidato a deputado e para a derrota de 1992 como candidato a prefeito, Falcão usava a mesma frase de efeito:

- Política e mineração, só depois da apuração...

Em 1996 com a saúde debilitada e abandonado pelos carlistas, Falcão disputa a prefeitura pela quinta vez. Chega ao segundo turno e com o apoio de Colbert Filho e outros oposiçionistas vence o candidato carlista Josué Melo. Nos debates ainda do primeiro turno, no lugar do homem abatido pela doença, o público via em Falcão um gigante com respostas na ponta da língua, às vezes causando risos na plateia:

Colocou o candidato carlista como sendo um homem que desconhecia a cidade ao fazer a pergunta que entrou para o folclore feirense:

- Vossa Excelência sabe onde fica o Ovo da Ema?

Quando o mediador perguntou qual era o seu programa para o esporte e o lazer, Falcão levou a platéia ao delírio:

- Ninguém aqui tem plano melhor do que o meu. Afinal, não é àtoa que todos me chamam de Zé Festinha...

Quando um dos adversários questionou seu estado de saúde a resposta saiu carregada de ironia:

- Praga de urubu velho não pega em cavalo novo...

Empossado prefeito pela terceira vez, Falcão foi a inauguração de uma horta comunitária no Jardim Cruzeiro, onde encontra o colberzista Aloísio Benjamim de Oliveira, o Sergipe, que cobra o cargo que lhe fora prometido durante a campanha do segundo turno. Falcão levante a cabeça, lambe os lábios e diz piscando um olho:

- Sergipe, Sergipe, não me venha com essas conversas de campanha...

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA – LEMBRANÇAS DA FESTA DE SANTANA

27/7/2020, 15:42h

Por Adilson Simas.

A primeira referencia oficial sobre a Festa de Santana data de 1868.

Mas a sua realização vem de tempos mais distantes, ainda na capelinha dos Olhos D’Água, de Domingos e Ana Brandão.

Nos primórdios a festa era realizada em julho, por ser o dia 26 consagrado a Senhora Santana.

As chuvas do mês e a não interrupção das aulas no meio do ano, não permitindo uma grande afluência de público, determinaram a mudança da festa para o mês de janeiro.

Diferente do que muitos pensam a festa não saiu diretamente de julho para janeiro.

Fez um estágio no mês de setembro entre os anos 80 e 90 do século IXX.

Somente no começo do século XX ela passou para o mês de janeiro, excetuando as de 1914 e 1919 realizadas em fevereiro.

Da Capela dos Olhos D’Água a festa passou para a capelinha do Padre Antonio Tavares, o sacerdote que confessou Lucas.

No mesmo local da capelinha, onde hoje se ergue a Catedral, Padre Ovídio de São Boaventura iniciou a construção da Igreja da Matriz concluída por Monsenhor Tertuliano Carneiro e que outros foram ampliando.

Desde que surgiu, a Festa de Santana dividia-se em duas partes: a religiosa e a profana.

Além dos bandos anunciadores, inicialmente formados por jovens mascarados que montados em seus cavalos percorriam as ruas anunciando mais uma festa, da parte profana também faziam parte a lavagem da igreja e a levagem da lenha.

A lavagem acontecia na quinta-feira que antecedia a data magna.

Homens, mulheres e crianças se dirigiam para a igreja com latas, baldes e outros vasilhames e faziam a lavagem do templo.

O trabalho começava pela manhã e ao final, antes do entardecer, acompanhados por músicos, todos percorriam as ruas com as latas na cabeça.

A levagem, nos mesmos moldes da lavagem, passou a acontecer na terça-feira, véspera da procissão.

Ela teve sua origem no vai e vem das pessoas levando lenha para a enorme fogueira que era acesa em frente da igreja durante os dias da festa, quando a cidade ainda não tinha luz elétrica.

As festas da padroeira dos tempos idos estão registradas nas páginas de antigos jornais e revistas da cidade.

Outras ainda estão na memória da infância de muita gente feirense.

Essas publicações informam que nos tempos idos a Festa de Santana, com a parte religiosa e a profana, era dirigida pelos comerciantes e fazendeiros locais.

Os homens ricos da cidade, como se dizia na época.

Foi nesse tempo que aconteceu a revolta dos operários e fumageiros que inconformados com aquele privilégio decidiram também assumir a festa.

Isso aconteceu por muitos anos, até que a Irmandade de Santana abraçasse a tarefa.

No começo do século XX a irmandade foi substituída pelas comissões organizadoras ainda existentes.

Das festas do passado muitos trazem na memória o tempo em que as famílias levavam as suas cadeiras e sentavam na praça para ouvir musicas e assistir os jovens dançarem em volta do coreto ao som das filarmônicas que se rivalizavam executando dobrados de autores da terra, ou tocando marchas e ranchos carnavalescos.

Das festas do passado muitos recordam o tempo das modistas e alfaiates repletos de encomendas, pois todos queriam fazer roupa nova que era exibida nas novenas, na missa festiva do domingo maior, como também no dia da solene procissão.

Tempo dos homens usando ternos brancos de linho inglês, chapéu palinha, gravata bem larga ou borboleta e o sapato de duas cores.

Tempo das senhoras exibindo o vestido novo também feito sobre encomenda.

Do tempo das grandes festas, entre as inesquecíveis está a de 1915, que marcou a inauguração do Altar Mor, construído pelo arquiteto e pintor francês Colman Linhart.

A missa solene foi celebrada pelo arcebispo D. Jerônimo Tomé e a pregação pelo orador sacro padre Antonio Ferreira.

A festa soube acompanhar os novos tempos sem perder seu sentido maior.

O de reunir em torno da padroeira, o mundo católico de Feira de Santana.

Dos velhos tempos sobreviveu apenas a tradição das filarmônicas, mesma assim sem a guerra das torcidas em volta do coreto.

Confetes e serpentinas que forravam e embelezavam o largo pavimentado com pedras irregulares, deram lugar a coloridas gambiarras...

As emoções de cada sorteio da quermesse foram substituídas pelas aventuras no parque de diversões armado na Praça Padre Ovídio...

O serviço de som anunciando que “um jovem apaixonado dedica a próxima música à moça do laço de fita azul” saiu do ar dando lugar as transmissões diretas das emissoras da cidade...

Assim foi a festa até 1987.

  •  

FEIRA EM HISTÓRIA – A CIDADE HÁ 43 ANOS

22/7/2020, 11:24h

Vamos lembrar na crônica de hoje fatos que foram notícias há 43 anos, mais precisamente nos dias 20, 21 e 22 julho de 1977. Como a cidade já possuía dois diários – Folha do Norte e Feira Hoje, as notícias aqui retratadas estão nas edições que circularam naqueles dias (Adilson Simas).

Feira comemorou os 25 anos de fundação do Banco do Nordeste do Brasil, ocorrida em 19 de julho de 1952. Na sede do banco houve coquetel às 18 horas sendo condecorado com medalhas o gerente José Carlos Silveira e o prefeito Colbert Martins. Às 19 horas, sessão solene da câmara, tendo como orador oficial o vereador Alberto Oliveira.

Experiente, com participação em diversos segmentos da vida da cidade, mesmo de improviso o vereador da Arena, fez um discurso com riqueza de detalhes, sendo ouvido em silencio pela seleta platéia que ocupou todas as dependências da câmara ainda funcionando no prédio do antigo INPS.

Feita tinha razões para comemorar a data. Afinal, já em 1958, apenas sete anos após sua fundação, o BNB instalou uma agencia nesta cidade, participando assim, dos primeiros passos reais e firmes que levariam o  município para o índice de progresso e desenvolvimento que de há muito exibe na Bahia.

Na quinta-feira, dia 21, foi publicado o gabarito do vestibular da Uefs que por sua vez prometeu divulgar o resultado no dia 28. No mesmo dia a edição dos jornais também publicou, enviado pela Secretaria Estadual de Educação, o resultado do concurso escrito para quem se habilitou ser professor de 1º grau.

Tendo a prefeitura anunciado com antecedência o período de 11 a 18 de setembro para a realização da V Exposição Agropecuária de Feira e I de Gado Holandês, o Gerfab, através de Paulo Pimentel, chefe da área piloto, também antecipou as medidas visando as duas mostras no Parque João Martins.

A mesa da câmara, presidida por Otaviano Campos, escalou dois vereadores - Antônio Carlos Coelho, do MDB e Alberto Oliveira, da Arena, para representarem o poder no XIV Encontro de Vereadores marcado para o período de 16 a 19 de agosto em Salvador. Entre os temas estava a Simplificação do Serviço Burocrático.

O Sindicato dos Bancários requisitou junto ao Bradesco o secretário geral da entidade, Pedro Carlos de Amorim para dar mais assistência na sede do órgão. O sindicato já tinha como diretores permanentes na entidade os bancários Rubenito José da Silva requisitado ao Banco Nacional e Luiz Gonzaga Ferreira, ao Banco Mercantil do Brasil.

O juiz da 1ª Vara Civil, Helio Vicente Lanza, autorizado pelo corregedor geral da Justiça do Estado, determinou a abertura de inscrições para o concurso de oficial de cartório de Títulos e Documentos e do Registro, com encerramento marcado para o dia 9 de agosto. Marinete Leal, oficial do Registro de Imóveis do 2º Oficio respondia pelo cartório.

No jornal que circulou no dia 20 o “Feira hoje” anunciou que além de uma edição especial abordando diversos aspectos da vida da cidade, também será lançada no dia 6 de setembro a pedra fundamental da sede própria do jornal no bairro Mochila. Vale frisar que o jornal estava funcionando em imóvel alugado na Rua Visconde do Rio Branco.

Além de um concerto com o pianista Pierre Klose marcado para a sexta-feira, 22, o Departamento de Vida Universitária da Universidade Estadual de Feira de Santana confirmou para segunda-feira, dia 25,  uma palestra do senador baiano Rui Santos tendo como tema “O papel da universidade”, dando prosseguimento a sua programação cultural.

Notícias que circulavam nos bastidores sobre o DERBA em Feira de Santana, foram confirmadas na edição de quarta-feira, dia 20. O engenheiro residente Benjamim Fontes foi transferido para a capital do Estado enquanto que o engenheiro Luiz Welf Vital, Diretor de Conserva, foi deslocado para a residência de Jacobina.

Sete besouros (um para cada distrito), duas patróis, um trator e uma pá carregadeira foram os novos equipamentos anunciados pelo prefeito Colbert Martins durante encontro em seu gabinete com os repórteres que cobriam o executivo. Os novos equipamentos ficariam sob o comando da Surfeira e Secretaria de Expansão Econômica.

Tendo na presidência Antônio Magalhães e como secretário Daniel Franco, a Associação dos Fotógrafos Profissionais de Feira de Santana começou a divulgar as primeiras medidas visando a comemoração, em 19 de agosto, do Dia Mundial do Fotografo. Do programa constava a participação no Congresso marcado para São Paulo.

  •