FEIRA EM HISTÓRIA

FEIRA EM HISTÓRIA – NOTÍCIAS DE JULHO DE 1959

6/7/2020, 12:55h

Nestes primeiros dias de julho a gente vai viajar no tempo lembrando algumas notícias sobre a cidade, vinculadas no jornal Gazeta do Povo que circulou no primeiro sábado também de julho no distante ano de 1959. Fatos que aconteceram há 61 anos. (Adilson Simas).

Como circulava uma vez por semana logo os festejos juninos ainda ocupavam as suas páginas. A grande festa de São João quem fez foi Oscar Marques. Tão disputada que a crônica social do jornal listou algumas das muitas presenças.

Entre elas, Eduardo Mota, Alberto Oliveira, Hugo Navarro, Antídio Matos, Walter Sarkis, Carlos Marques, Juca Dias, Cícero Carvalho, Tito Machado, Francisco Maia, Antonio Barreto, Doute Gonçalves, Renato Santos Silva, Milton Falcão, Avelino Cerqueira, Osvaldo Boaventura, Enádio Morais, Manuel Brito e Armando Lacerda.

“O crime de São José das Itapororocas” foi o titulo da manchete de primeira página. Resumindo a notícia, um menor desapareceu no distrito e a policia deu como sendo do mesmo um corpo em decomposição encontrado nas imediações da “Lagoa da Serra”, na Fazenda Conceição. Tempo depois o menor reapareceu e o jornal no sub-titulo perguntou: E agora, a quem pertence a ossada humana que se encontra na Delegacia Regional?

Também na primeira página os atos que marcaram no dia 3 de julho, o primeiro aniversário de instalação do Banco do Nordeste do Brasil em Feira de Santana.

Naquela época o BNB tinha como gerente Francisco Veloso e como contador Graça Leite. Antes da atual sede própria o banco funcionou na Rua Direita, perto da esquina com o Beco do Mocó e depois no Edifício Medrado, na Rua Marechal Deodoro.

Ganhou destaque decreto do Governador concedendo aposentadoria a professora Sidrônia Jaqueira. Mestra de várias gerações começou como professora adjunta na Escola Maria Quitéria em 1926 no ano seguinte designada para lecionar na Escoa Normal onde foi efetiva em 1933. Quando a aposentadoria chegou lecionava na Escola Normal e no Ginásio Estadual.

O Doutor Geraldo Leite publicou anuncio comunicando aos colegas, amigos e clientes que durante um mês, de 30 de junho a 30 de julho “realizará estágio de laboratório na Capital do país e que nesse período atenderá a todos no seguinte endereço: Revista Brasileira de Medicina, Avenida Almirante Barroso, 90, primeiro andar, Rio de Janeiro”.

Matéria especial foi feita com a Associação Desportiva Bahia que no dia 2 de julho completou 22 anos de existência, fundado que foi em 1937. No dia do aniversário, antes da festa dançante que serviu para empossar a nova diretoria, houve tarde esportiva no Campo dos Casados. Naquele ano, era presidente do Conselho Deliberativo o dentista e desportista Adir Athayde.

O jornal foi a Santo Estevão cobrir o lançamento da Pedra Fundamental do Clube Santo-estevense. A festa foi animada pelo Jazz Copacabana do Feira Tênis Clube e teve como atração a Celina Coelho, rainha do Clube Fantoches de Salvador.

No ato discursam o prefeito Linésio Bastos e o acadêmico de direito Expedito Nascimento. Linésio seria mais tarde também prefeito de Itaberaba e Expedido, já advogado tinha na Rádio Sociedade o programa “Consulte os seus direitos”. Foi assassinado dentro da delegacia aqui em feira.

No espaço destinado a reclamações está esta nota: ”É inadmissível que uma cidade de 60 mil habitantes, a segunda do Estado, esteja, há mais de dois meses, sem um só policiador nas ruas zelando pela segurança pública. Será que os responsáveis por este estado de coisas desconhecem que nesta terra vive um povo que merece mais respeito e consideração?”.

Numa das páginas internas esta notinha: “O prefeito municipal deliberou a execução de calçamento de ruas da cidade e compra de veículo para os serviços da Prefeitura, mas não se esqueceu de mandar abrir concorrência pública, conforme dispositivo da Lei Orgânica dos Municípios”.

A nota termina com este veneno no prefeito anterior; “Recorde-se que a administração passada desdreocupou-se de adotar atitude semelhante”. Apenas para ilustrar, Arnold Silva tinha assumido a prefeito em 7 de abril, substituindo João Marinho Falcão.

Aristeu Queiroz, uma das grandes estrelas do rádio feirense nos anos 50 e 60, assinava a coluna de rádio do jornal. Terminava oferecendo aos leitores, como fazia no microfone, uma das suas composições. Naquela edição ele dedicou a canção “Corta o Coração”. Eis a letra:

Mamãe, papai! / Pra onde esse povo vai, / Pau de arara não!/ Corta o coração!/ É verdade que a seca, / Acaba com o sertão. / É verdade que o nortista, / Sofre muito no verão. / Mas a fibra dessa gente, / Não deve ser maltratada!/ Abandonar seu torrão, / Isso Não! Por nada!/ Pau de arara não! Corta o coração!...

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FEIRA EM MEMÓRIA – COMEÇANDO JULHO DE 1949

29/6/2020, 16:28h

Vamos voltar aos primeiros dias de 1949, com notícias encontradas na edição nº 2.086 do Jornal Folha do Norte. Como o semanário circulou na véspera de domingo, dia de todos os esportes, foram muitas as notas principalmente sobre o “Foot-ball” e o “Basket-Ball” (Adilson Simas)

Sobre o futebol, o jornal por ser semanário trazia informações dos embates travados no domingo anterior. Entre eles, destaque para a “refrega” envolvendo Fluminense de Feira e Botafogo de Santo Amaro. O jogo foi no estádio local o tricolor venceu de 2 a 0.

Conta o jornal que “a chuva prejudicou terrivelmente a renda do jogo e o aspecto técnico do mesmo, pois nenhum dos dois quadros pode apresentar padrão apreciável. O Flu esteve melhor, mas não convenceu, pois Tuta não agüentou sozinho a defesa e o ataque continua carecendo de um bom finalizador”.

Ainda sobre a “porfia”, diz o jornal: “Não foram jogados os 90 minutos. O juiz Benedito Reis viu-se forçado a interrompê-la em virtude de uma invasão do campo, motivando a prisão de dois torcedores santamarenses que desrespeitaram o delegado de policia”.

Informa também  que “chegou hoje a esta cidade procedente da Capital do Estado, o forte conjunto de ‘basket-ball” do Clube de Regatas Itapagipe com todos os seus titulares, que jogará ainda hoje contra o Colégio Santanópolis e amanhã contra o Atlântida.

Vale frisar que o time do Atlântida tinha basicamente a seguinte formação: Reginaldo (o Régis do Boteco), Arlindo (Professor Arlindo Pitombo), Barreto (Antônio Alves Barreto), Carlos (Carlos Marques da Galeria Carmac) e Oyama (Folha do Norte)

Fechando o noticiário esportivo, todo na ultima página, o jornal registra mais um aniversário do Bahia de Feira que fundado em 2 de julho de 1937 estava completando 12 anos  de existência. Com bonito texto o jornal fala da trajetória do “Bicho Papão”.

Mudando de assunto, quem esteve na cidade foi o padre feirense “Manuel Magalhães de Araújo digno e operoso vigário de Paripiranga”. Aqui disse que a sua paróquia estava empenhada em obras sociais, entre elas a construção de uma maternidade.

O jornal recebe e registra a eleição e posse da nova diretoria da Associação Comercial, que promete “manter o maior nível possível de cordialidade com tudo que diga respeito com a defesa e engrandecimento das classes produtoras”.

Ficou assim a diretoria da Associação Comercial para biênio 1949-1951: José Elmiro de Souza (presidente), Hamilton Cohin (vice), Theodorico José Alves (1º secretário), Joselito Falcão Amorim (2º secretário) e Gerson Rocha (tesoureiro).

Também foi eleita e empossada a Comissão de Contas, assim constituída: Hermínio Santos, Frederico Simões e Alfredo Sarkis tendo como seus respectivos suplentes os sócios Osvaldo Boaventura, João Augusto Pires e Felinto Marques Cerqueira.

Registra o semanário que “ocorreu anteontem, no coração da cidade do Salvador, em frente ao Palácio do Governo, mais um crime horripilante: foi estupidamente assassinado pelo ‘chauffeur’ Eduardo Rodrigues Santos, o industrial Amado de Oliveira Bahia”.

A nota do jornal assim encerra: “Membro de tradicional e numerosa família baiana, o extinto era um moço honesto, trabalhador e ativo, sendo muito conhecido nesta cidade e no distrito de Tanquinho, onde operosamente desenvolvia suas atividades industriais”.

Pela lei nº 1 a câmara municipal “Mantém por dois anos o lançamento predial de 1948 de acordo com a lei nº 140 de 22 de dezembro de 1948”. O decreto tem as assinaturas dos vereadores Servilio Carneiro, Almachio Alves Boaventura e Antonio Leopoldo Cabral.

Com as assinaturas dos mesmos vereadores a edição do jornal publica a lei nº 2, pela qual a câmara “autoriza o poder executivo municipal a aumentar para Cr$ 3.000,00 a subvenção da Associação de Proteção à Infância de Feira de Santana”.

Aviso na página 2 com o seguinte texto: “Convido aos senhores negociantes desta praça a vir efetuar o pagamento de imposto de revisão de balanças, pesos e medidas de secos e molhados, até 31 de julho do corrente ano. O aferidor – José Inácio de Almeida Pedra”.

Afora o “aviso”, a página 2 foi toda ocupada com o lançamento do Imposto Predial da cidade. São listados proprietários de imóveis na rua Boticário Moncorvo, Intendente Freire, Intendente Abdon, Travessas da Queimadinha, Praça João Barbosa, Travessa da Chevrolet , Travessa da Rua do Fogo, o lado impar da Rua São José e a Rua João Evangelista.

E no mais o juiz eleitoral Alibert do Amaral Baptista publica edital convidando vários eleitores a comparecem na sala das audiências, para resolver assuntos urgentes de seus interesses.

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FEIRA EM HISTÓRIA – O SÃO JOÃO ANTIGAMENTE

22/6/2020, 16:32h

Neste São João em tempo de confinamento, vale a pena lembrar os festejos de antigamente. Do tempo de dona Cecília, no Nagé fazendo pamonha; do disputado licor de Pedro Mendes, no Minadouro da roupa da festa costurada por Lindu na Baraúnas; dos fogos “adrianino” na venda de Pedro Alexandre, no Sobradinho. (Adilson Simas)

No São João daquele tempo a gente via as residências feericamente iluminadas, adornadas de graciosas lanternas e longas fitas coloridas pelos corredores da casa.

Do São João daquele tempo lembro a mesa bem forrada e sobre ela pratos maravilhosos, de travessa, contendo morena e saborosa canjica – a rainha da festa que tinha como seus seguidores os doces secos e de calda, frutas variadas em profusão, comandadas pelas gostosas laranjas de umbigo.

No São João de outrora, também presente na mesa a leitoazinha tostada, vaidosa ainda, pois ostentava uma flor na cintura, parecendo namorar o porquinho sizudo, mas cheiroso como um cravo, que também enriquecia a mesa farta.

No São João de tempos idos, o rei da mesa, no entanto, era o peru com seu papo recheado, orgulhoso, desafiando os seus adversários gastrônomos, principalmente as galinhas assadinhas, enfeitadas de tirinhas de papel, lembrando as garotas que passavam em bandos usando chapeuzinhos coloridos.

No São João de um passado distante tinha muita mais na mesa de todas as casas. Tinha queijos verdadeiros, o sublime doce de leite, o doce de caju. Tinha vinho, tinha cerveja, mas tinha principalmente o licor de jenipapo sempre saboroso e forte, que na mesa parecia bater papo com o licor de maracujá, certamente disputando quem seria o mais consumido pelos convivas.

No São João daquele tempo, na frente de cada casa não existia apenas a fogueira assando milho, batata doce e outros produtos típicos. Tinha cana com folhas e também a árvore plantada, em cujos ramos colocava-se fitas coloridas de papel de seda, milhos, bebidas, laranjas, cocos e como aquele era um tempo de bonança, colocava-se também até dinheiro e tudo mais conforme o gosto do dona da casa.

Do São João do passado, recordo a palavra de ordem “Um por todos para a canjica, todos por um para o jenipapo”, quando a gurizada iniciava a romaria de casa em casa.

No São João que não sai da lembrança, a gente bebia, dançava e pulava fogueira, num ritual que motivava o surgimento de compadres e comadres que muitos vezes até terminava em casamentos com as graças de Santo Antônio e a proteção de São João.

Exalto o São João da minha infância sem a pretensão de achar que a festa junina acabou e muito menos o São João. A festa ainda existe, mas não tem a beleza do passado.

Aqui na Feira, quando o São João já não motivava o intenso vai e vem das pessoas de casa em casa, de rua em rua, o prefeito José Falcão, ainda no seu primeiro mandato, no começo dos anos 70, fez do distrito de Maria Quitéria a sede da grande festa junina.

Recordo, na entrada para a sede do distrito, pela rodovia Feira/Serrinha, uma enorme placa de zinco  com os seguintes dizeres: “Entre. Veja como é bonito o São João de São José”.

Com o passar dos anos, mesmo nas gestões seguintes do próprio prefeito José Falcão, o São João de São José foi perdendo as fogueiras, as quadrilhas, as mesas fartas.

Na imensa praça, além das barracas com muita cerveja e quase nenhum tipo de licor, apenas um enorme palco armado para a exibição de artistas famosos interpretando as mesmas musicas exibidas ao longo do ano nos programas de rádio e televisão.

Aliás, mesmo nos poucos recintos fechadas onde a festa tenta resistir, no lugar das canções exaltando Santo Antônio, São João e São Pedro, interpretadas por Marinês, Trio Nordestino ou mesmo pelos cantores mais recentes do período junino, ouve-se musicas de duplo sentido como aquela que diz “Eu conheço a cara da mulher de pode”, ou então “Eu nunca fui de mal com você...”.

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FEIRA EM HISTÓRIA – O COMÉRCIO NOS FESTEJOS JUNINOS

15/6/2020, 11:48h

Abertos com as trezenas e procissão dos romeiros numa promoção dos frades capuchinhos, os festejos juninos – Santo Antonio, São João e São Pedro, de tempos idos agitavam o comércio da cidade. Vale a pena lembrar a movimentação em 1981 às vésperas dia da fogueira do São João. (Adilson Simas)

O forró na porta das lojas chamava a atenção dos fregueses. Alguns estabelecimentos ficaram famosos no uso desta tática, entre eles no distante ano de 1981 estava o “Mercadão das Malhas”.

Em tempo de festa junina, não faltava o cidadão comum transformado em sanfoneiro para ganhar alguns trocados. Vestido em trajes típicos e empunhando instrumentos do forró, era visto na Sales Barbosa, Marechal Deodoro, Conselheiro Franco, Praças da Bandeira e João Pedreira e outras.

Grupos profissionais também animavam as lojas do centro comercial. Entre estes, se destacava o conhecido “Os Três do Nordeste”, formado nos anos 60 pelos comerciantes, Francisco de Assis, José Bezerra e José Miranda.

Vale frisar que já no inicio dos anos 80 o famoso grupo “Os Três do Nordeste” era contratado para participar do concurso de quadrilhas promovido pela Secretaria de Turismo. Mas o trio se gabava mesmo era de ser o responsável pela animação do São Pedro do FTC.

O outro grupo que também despertava a atenção era comandado pelo motorista Manuel Alves dos Santos que no mês de junho virava sanfoneiro. Com ele, formando o trio, o fotógrafo José Ferreira da Silva e o carroceiro Raul Carneiro.

O clima junino fazia a alegria dos camelôs. No centro da cidade, em ruas como a Vitorino Gouveia, eles espalhavam de tudo: confecções, calçados, flores de papel crepom e chapéus enfeitados – até mesmo com  tranças.

Artigos predominantes nas calçadas naqueles festejos eram os chapéus de palhas. Desde os mais simples, apenas com uma saudação a São João pintada na aba, aos mais enfeitados ou com abas desfiadas. Existiam também os chapéus de papel crepom enfeitados geralmente com “areia prateada” que eram destinados às crianças.

Ainda no colorido das ruas os vendedores da “sorte”. Ela vinha envolta no papel crepom em forma de cravos que as mulheres compravam para ofertar aos namorados, ou em pequenos arranjos para cabelos que os homens ofertavam as suas “eleitas”.

Algumas “sortes” nem sempre eram agradáveis tanto para quem ofertava como para quem recebia. Uma delas, por exemplo, dizia: “Teu falso príncipe encantado/Que conquistou teu amor/é gabola inveterado/barato conquistador”.

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FEIRA EM HISTÓRIA – FLUMINENSE PROFISSIONAL EM 1954

9/6/2020, 7:6h

Em 1954, no dia 6 de junho, que caiu num domingo, portanto há 66 anos, o Fluminense de Feira Futebol Clube, foi a Salvador e estreou na primeira divisão do futebol profissional baiano, no estádio Otávio Mangabeira, a Fonte Nova, na época também conhecida como Fonte das Pedras. Vale lembrar o ingresso do tricolor feirense no profissionalismo. (Adilson Simas)

O Fluminense enfrentou a poderosa equipe do Esporte Clube Vitória que no Estado dividia com Bahia e Ipiranga a preferência dos amantes do esporte das multidões. O “Leão da Barra” colocou em campo sua força maior, assim constituída:

Nadinho, Valvir, Alirio, Porunga e Eloi; Joel e Tombinho; Quarentinha, Juvenal, Antônio e Ciro. A imprensa da capital criticou a atuação do árbitro Francisco Moreno, prejudicando o Flu, mas mesmo assim o placar ficou  em 1 a 1.

O gol que garantiu o surpreendente empate do Fluminense aconteceu aos 36 minutos do segundo tempo. Foi assinalado pelo atacante Alfredo, pai do radialista Jair Cezarinho, num tiro direto de fora da área.

Durval Cunha, o primeiro treinador do Fluminense como clube profissional, colocou em campo, como diria o saudoso Ligoza, a seguinte onzena: Batista, Augusto, Julio, Elias I e Edinho; Zezinho e Hosanah; Maneca, Pelucio, Alfredo e Elias II.

Coube ao diretor Osvaldo Torres representar o Fluminense na reunião do Conselho Arbitral da Federação, que serviu para formular o convite ao tricolor para participar como representante do interior do campeonato baiano de profissionais.

De volta a cidade Osvaldo Torres anunciou que a FBF sugeriu uma espécie de fusão dos clubes amadores da cidade, e o Fluminense com as mesmas cores passaria a ser Feira de Santana Futebol Clube. Não vingou porque alguns clubes, especialmente o rival Bahia de Feira não aceitou. Mas Enádio Morais, que presidia o Flamengo, passou a formar entre os tricolores.

O clube ingressou no profissionalismo reunindo no seu Conselho Deliberativo os mais diversos segmentos, tendo na presidência Manuel Contreras que na cidade era o gerente da Souza Cruz. Já na presidência do Conselho Diretivo estava Wilson da Costa Falcão, médico e vereador.

A reação contrária do Bahia tinha uma explicação: Naquele ano, os dois clubes decidiram o titulo do certame feirense de amadores, tendo o Fluminense chegado ao tri campeonato ao vencer o Bicho Papão pelo placar de 3 a 1.

Aquela disputa mexeu com a cidade. No dia da partida, domingo, 2 de janeiro, houve verdadeira romaria tanto na ladeira da Barroquinha como na descida do Nagé, com os torcedores se dirigindo para o antigo estádio Almachio Boaventura, na divisa do Alto do Cruzeiro com Sobradinho.

Antes, durante e depois do embate em campo, houve como se dizia na época, sururu entre as duas torcidas. “Guarda chuva”, também chamados de “guarda sol” foram quebrados na cabeça de torcedores, sem falar nos chapéus palhinha voando pelos velhos alambrados do campo.

O Fluminense conquistou o tri ao vencer a partida, que os cronistas chamavam de refrega, pelo escore de 3 a 1. O primeiro tempo terminou com a vitória parcial de 2 a 0, gols de Pelúcio aos 36 minutos e Zequinha aos 42. No segundo tempo, aos 22 minutos, Mário Porto de cabeça diminuiu o placar, mas com outro gol de Zequinha, novamente aos 42 minutos, o Fluminense deu número final a partida.

O “bicho papão” colocou em campo China, Lipinho e Buieiro, Valter, Tote e Juvenal; Alegre, Dário, Jorge de Barros, Mário Porto e Guri. Já o “touro do sertão” escalou Batista, Tutú e Juarez; Elisio, Edinho e Elias; Zequinha, Alfredo, João Macedo, Pelúcio e Alberto.

A exemplo dos dias atuais, o protesto foi geral ao se anunciar, com o estádio Almachio Boaventura  completamente lotado, uma arrecadação de 25 mil cruzeiros. O extinto Diário da Feira disse na edição seguinte:

“Registrar uma renda desta em jogos como este, é prejudicar o esporte local, é fechar as portas ao interesse de clubes de fora para a realização de amistosos”. Na preliminar do clássico envolvendo os dois tricolores, o Bahia chegou ao titulo da segunda divisão, ao vencer o Vasco da Gama pelo escore de 5 a 0.

Como clube profissional, logo em 1956 o Fluminense foi vice-campeão e em 1959 foi eleito pela ABCD o melhor plantel da temporada. O invencível time de espirantes foi bi campeão em 1960/1961 e em 1963 chegaria afinal ao primeiro titulo de campeão baiano, numa disputa melhor de três jogos com o Esporte Clube Bahia.

O clube feirense foi o único representante do interior na divisão de profissionais até 1967. Naquele ano o presidente da FBF, advogado Carlos Alberto de Andrade, estadualizou o campeonato. Inicialmente convidou outro clube local, o Bahia de Feira, que viraria Feira Esporte Clube, e mais Conquista, Itabuna, Colo-Colo, Flamengo e Cruzeiro da Vitória, estes três últimos da cidade de Ilhéus.

No seu primeiro período de grandes conquistas, que vai até 1963, ano do titulo de campeão baiano, alem de Durval Cunha, também passaram pelo comando técnico Ariston Carvalho, Enaldo Rodrigues, Pedrinho Rodrigues, Sotero Monteiro, Fernando Lopes, Manoel Mesquita – o Maneca, Antonio Conceição e outros.

A segunda fase, também de muitas  glórias, como o titulo inédito de 1969, durou até 1971. Sem falar no “regra três” Geraldo Pereira, foram técnicos do tricolor, entre outros, Paulo Emilio, Zé Maria, Carlos Volante, João Paulo – o Pinguela, Jouber Meira e principalmente a dupla Walter Miráglia e Evaristo de Macedo.

Após a grande campanha de 1971 sob o comando de Evaristo de Macedo, logo no ano seguinte o clube entrou em crise e abandonado por alguns figurões terminou baixando na UTI. O óbito só não aconteceu graças a ação de meia dúzia de abnegados torcedores como Alcione da Prefeitura, Adolfo da Dislar, Xavier contador, Gersinho da Chevrolet, Gileno da livraria e outros.

A partir daquele ano, em que pese algumas participações no Campeonato Nacional, quase todas bisonhas mesmo quando integrando as séries inferiores, o Fluminense deixou de ser o bravo touro pioneiro, alegria da torcida tricolor. 

A grandiosidade do Fluminense ao longo desses 66 anos como clube profissional está na fidelidade de sua aguerrida torcida, sempre presente, empunhando a bandeira na esperança de que como em tempos idos ela vai estufar o peito e gritar numa só voz: “Avante, avante Fluminense, é hora, é hora, queremos mais um gol...”

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FEIRA EM HISTÓRIA: Primeira semana de junho de 1964

1/6/2020, 9:22h

O golpe militar que em março destituiu o presidente João Goulart e em maio afastou Francisco Pinto da Prefeitura continuava dominando o noticiário da cidade na primeira semana de junho de 1964. Vamos lembrar algumas notícias. (Adilson Simas)

Capitão Edmundo, famoso Capelão da Policia Militar proferiu palestra no templo da 1ª Igreja Batista (foto)historiando sua infância e adolescência na União Soviética, revelando para os presentes “a verdadeira face o regime vermelho”. 

A palestra com o tema “Comunismo e Democracia” foi promovido pela Confraternização da Mocidade Evangélica de Feira de Santana na noite de sexta-feira, 5, contou com grande assistência na sua maioria jovens e estudantes.

Entre os convidados, o capitão João Melo, encarregado do transito; Nathan Medeiros, Delegado Regional e tenente Euclides Souza, representando o 1º BPM/FS. O evento foi encerrado com a Banda Musica do Batalhão executando o Hino Nacional Brasileiro.

No distrito de Humildes, José Ferreira Rocha, Agnelo Costa, Estevam José de Souza, Albino Brandão e outros promoveram festividades em regozijo pela vitória da revolução de março. Houve missa em ação de graças e tocata da Filarmônica 25 de Março.

Professor Joselito Falcão de Amorim, prefeito nomeado para substituir o prefeito eleito  Francisco Pinto, esteve em Salvador para acompanhar, segundo a imprensa, os inquéritos instaurados para apurar atos do seu antecessor.

Na capital, segundo  a imprensa, o prefeito nomeado visitou o general Manoel Mendes Pereira, comandante da VI Região Militar e o coronel Humberto Melo, chefe do Estado maior da Região, expondo fatos alusivos a administração anterior. 

Secretário municipal de Educação e Cultura, o professor Almiro Vasconcelos assinou e publicou portaria fixando o período de 10 de junho a 10 de julho para as férias juninas nas escolas primárias de Feira de Santana.

Pedindo urgência na votação pra ter vigência ainda em junho, foi enviado a Câmara de Vereadores projeto de lei do poder executivo reajustando os vencimentos dos servidores públicos municipais dos dois poderes.

Assinado pelo prefeito Joselito Falcão de Amorim e devidamente publicado na imprensa local, o Decreto nº 1425, nomeando Albino Brandão de Souza, líder político udenista como administrador do distrito de Humildes.

O prefeito esteve na Capital visitando o Departamento Nacional de Obras e Saneamento. No escritório regional do órgão federal discutiu a possibilidade de um convênio visando a ampliação do serviço de água da cidade.

Atendendo pedido do prefeito a CEEB – Companhia de Energia Elétrica da Bahia iniciou projeto para a extensão da rede elétrica até a Travessa da Avenida Maria Quitéria, parte da Rua Voluntários da Pátria e Vila Gabriel. 

A mestra Anna Maria de Oliveira, professor do Colégio Santanópolis, aviou pela imprensa a abertura das inscrições para o “Curso de Italiano na Secretaria do Seminário de Musica das 8 às 12 e das 14 às 17 horas”.

Instalada na cidade o Deposito de Cordas de Pedro Glicério, na Travessa Santana 19, “dispondo de todos os tipos para qualquer quantidade a preços convidativos” e que “tratar-se de cordas de primeira qualidade de sua fábrica em Pé de Serra de Riachão do Jacuípe”.

Membro do grupo conservador do PSD, o ex-vereador Servilho Carneiro recebeu de Eusébio Gomes, secretário particular da Presidência, telegrama agradecendo as felicitações por ocasião da investidura do Mal. Castelo Branco na presidência da República.

Os 15 anos de Hélvia Maria Guimarães Alencar foi o grande acontecimento social, sendo por isso, destaque na capa da “Folha do Norte” que circulou no sábado, 6.  Filha de Dr. Humberto Alencar e da professora Arminda Guimarães Alencar, a festa debutante levou à sua residência a alta sociedade feirense.

O jornal destaca os membros da sociedade presentes “à elegante reunião” e lembra que “a debutante dançou a sua primeira valsa com o seu irmão, o jornalista Helder Alencar, sob os aplausos de seus familiares e amigos ao som do conjunto ‘Irapurús’

E no mais, domingo, 7, no ginásio de esportes Péricles Valadares, do Feira Tênis Clube, foi escolhida a representante da beleza da mulher feirense – Miss Feira, para representar a cidade no Concurso Miss Bahia...

 

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FEIRA EM HISTÓRIA: Primeira Quinzena de Maio de 1981

25/5/2020, 16:50h

Esta semana vamos lembrar aos leitores alguns fatos que foram notícias em Feira de Santana durante a primeira quinzena do mês de maio de 1981, há exatos 39 anos (Adilson Simas).

Abrindo a quinzena, na sexta-feira, 1º, foi noticiado que por pouco o encontrada na garrafa de Coca Cola que estava lacrada. O refrigerante foi comprado na lanchonete de uma galeria na Rua Sales Barbosa.

A cidade no sábado, 2, estava em clima de micareta que naquele ano foi mais longa por conta do feriado do dia 1º. No Cajueiro, Tênis, Euterpe e outros clubes os bailes foram iniciados, e nas ruas  bloco como “Os Nacionais” e o trios como os  “Traz os Montes” já arrastavam a multidão.

A música “Deixa o coração mandar”, de louvação a Mário Kertész, prefeito de Salvador, além de já cantada intensamente nos clubes, chegou também ao sitio momesco, tocada nos trios, mesmos os contratados pela prefeitura, pois não conseguia evitar.

Mesmo com a micareta dominando o noticiário, a imprensa divulgou que a ultima sessão da câmara antes do inicio da folia, “não durou mais de 65 minutos”. Os vereadores estavam mais ligados no Baile dos Artistas e no jogo Grêmio x São Paulo, decidindo a Taça de Ouro.

No dia 5 Juvenal Teodoro presidente da comissão o PT de Feira foi com outros petistas a Salvador, para eleger a seguinte executiva estadual: Edival Passos (presidente), Jorge Almeida e Nilson Bahia (vices), Marco Antonio Nascimento e Waldir Regis (secretários) e Paulo Antonio Freitas e Carlos Antonio Leite (tesoureiro).  

Além dos eleitos para a executiva, mais quatro nomes formaram na comissão regional, representando as cidade de Salvador, Conquista, Alagoinhas e Feira, esta  com o nome do próprio Juvenal Teodoro. Irecê, Jacobina, Paulo Afonso e Extremo Sul deram os suplentes.

Aida na manhã de quarta-feira, 6, “um vazamento no cano da rede de abastecimento de água  provocou o desabamento de parte do calçadão da Rua Sales Barbosa e abalou a estrutura do Edifício da Galeria Caribe”.  

Na quinta-feira, 7, do jornal “Feira Hoje” circulou com a seguinte manchete: “Ameaçado edifício da Galeria Caribé”. O texto diz que “o prédio teve algumas de suas vidraças quebradas e apresenta rachadura”.

Rotarianos representando  57 clubes dos Estados de Sergipe Alagoas e Bahia chegaram a esta cidade na sexta-feira, 8, para a XXIV Conferencia Distrital de Rotary Internacional,   numa promoção dos dois clubes locais, Rotary Feira e Feira-Leste.

O evento, realizado no Clube de Campo Cajueiro teve o objetivo de preparar os clubes do Distrito 455 (Sergipe, Alagoas e Bahia)  para a Conferencia de São Paulo no final do mês. O Distrito 455 tinha como governador o rotariano feirense Jonathas Teles de Carvalho.

Sábado, 9, com dados do CDL, o colunista Antonio José Laranjeiras listou as dez empresas que mais consultaram o SPC: Sadel, Universal Moveis, Lojas Santana, Feira Retalhos, Sapataria Oliveira, Casas Pernambucanas, Finivest, Mersan, Banorte e Sapataria Costa

O jornal “Feira Hoje” de domingo, 10, destacou a passagem por Feira do governador Antônio Carlos Magalhães, para cumprir compromisso em Antonio Cardoso. Muitos arenistas foram receber ACM no campo de pouso, hoje Conjunto George Américo.

Poucas indicações e muitos discursos, assim a foi sessão da câmara na segunda-feira, 11, conforme registrou da imprensa no dia seguinte. Foram  tribuna, Adessil Guimarães, Hermes Sodré, Rubem Carvalho, José Pinto, Aloísio Lima, Renato Sá  e Vavá Machado.

Como aconteceu em todo o país, na tarde de terça-feira, 12, a cidade parou para assistir o primeiro grande teste da Seleção Brasileira visando o Mundial da Espanha em 1982. O jogo foi contra a Inglaterra, em Wembley, onde os ingleses jamais perderam para os sul-americanos.

Na edição do dia 13, o “Feira Hoje” disse na capa: “O tabu foi quebrado: um pais sul-americano conseguiu vencer a Seleção da Inglaterra, em Wembley e este país foi o justamente Brasil que aplicou ontem 1 a 0 nos britânicos, gol marcado por Zico”.

A grande notícia na quinta-feira, 14, foi o encontro do deputado Francisco Pinto com o ex-governador Roberto Santos, ocorrido na noite do dia anterior, no palacete do líder político Eduardo Fróes da Motta, que estava comemorando 90 anos.

E no mais, na sexta-feira, 15, fechando a quinzena, o jornal “Feira Hoje” anunciou que a fachada do prédio da Galeria Caribé “poderá ser demolida ou ter sua base reforçada”. Deu a segunda opção...

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FEIRA EM HISTÓRIA – GEISEL NA CIDADE EM 1976

19/5/2020, 14:2h

Há 44 anos – sexta-feira, 14 de maio de 1976, Feira de Santana recebeu a visita do presidente da Republica, Ernesto Geisel, aqui permanecendo praticamente durante toda a manhã (Adilson Simas).

Uma semana antes o jornal Feira Hoje de sexta, 7, já anunciava que “Chegam hoje a esta cidade os batedores da Companhia de Policia do Exercito da 6ª Região Militar e do 4º Batalhão do Exército de Recife encarregados de proteger o presidente”.

Como era ano eleitoral a Arena que dava sustentação ao regime, através dos seus lideres locais, trataram de assumir a organização da visita presidencial, colocando à margens da programação a autoridade maior da cidade, o prefeito José Falcão, do MDB.

Tanto assim que na mesma edição do dia 7, o jornal informou que no dia anterior, Ângelo Mário Silva, presidente local do parido promoveu ampla reunião no auditório do Hospital Dom Pedro de Alcântara “para tratar da visita de Geisel”.

A nota cita os presentes convocados pelo partido, entre eles dirigentes dos principais órgãos públicos estaduais existentes na cidade, além de representantes de entidades como Associação Comercial, Centro das Indústrias e CDL.

Logo em seguida as emissoras de rádio e também os jornais, começaram a divulgar nota das entidades patronais convidando para a “grande concentração”, mas também anunciando o fechamento do comércio e da indústria durante a estada do presidente.

Geisel passou a ser o quarto presidente no exercício do mandato a visitar Feira de Santana. O primeiro foi Getulio Vargas durante o Estado Novo, vindo pela ordem Juscelino Kubitschek em 1957 e Castelo Branco em 1967.

Além de presidir a inauguração da Fábrica de Pneus Tropical, no Núcleo Piloto do Subaé, na Feira/Salvador, o programa também constou o anunciou da conclusão da duplicação da BR/324 e a implantação da rede de esgotos sanitários, com discursos na Praça. João Pedreira.

Antes das 9 horas o presidente pisou na terra de Santana. Chegou de helicóptero com o governador Roberto Santos, alguns ministros e assessores militares e civis. Vários ministros e outras autoridades, porém chegaram a esta cidade utilizando a rodovia Feira-Salvador.

Dona Lucy, a primeira-dama e a filha Amália Geisel, que sempre acompanharam o general presidente, cumpriram programa a parte, em Salvador, ao lado da primeira-dama do Estado, Maria Amélia Santos. O Museu de Arte Sacra foi um dos pontos visitados.

Após o ato inaugural de Pneus Tropical (hoje Pirelli), o presidente se dirigiu a Praça João Pedreira para falar ao povo feirense. Antes a multidão ouviu discursos de ministros, entre eles Dirceu Nogueira, dos Transportes e do governador Roberto Santos.

Vale frisar que o mercado não funcionou. A arrumação para a feira-livre de sábado em volta do mercado só começou quando terminou a concentração. O pedido para o seu fechamento foi feito ao prefeito pelo comandante João Longuinhos, do1ºBPM/FS.

Para os arenistas o melhor momento da fala foi quando o presidente ergueu o braço de Ângelo Mário e disse que ele seria o candidato seu e do partido para ganhar as eleições. O gesto, fotografado, foi a principal peça publicitária da campanha do partido.

Após o ato popular Geisel voltou a Pneus Tropical onde almoçou. Na seqüência retornou a Salvador e por volta das 14 horas regressou a Capital Federal. Alguns membros da comitiva ficaram mais tempo na cidade discutido a sucessão do prefeito José Falcão. Entre eles o presidente nacional da Arena, o senador Francelino Pereira.

Nota triste da visita foi o não convite ao chefe do executivo para participar do ato público. Afinal em que pese o gesto político do presidente anunciando apoio, a Ângelo Mário, o motivo maior de sua vinda a Feira de Santana foi o anuncio de obras para a população de um modo geral. O prefeito, entretanto. Esteve no palanque da Pneus Tropical.

Aquela não foi a primeira visita de Ernesto Geisel a terra de Santana. Nove anos antes, em 1967 ele aqui esteve acompanhando presidente Castelo Branco, como Chefe da Casa Militar do primeiro governante do ciclo militar instalado em 1964 (Adilson Simas).

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FEIRA EM HISTÓRIA: Maio de 1978

11/5/2020, 9:8h

Vamos lembrar fatos ocorridos na cidade no começo de maio de 1978, tomando como fonte edições do jornal “Feira Hoje” que desde março de 1976 passou a circular diariamente (Adilson Simas).

Por iniciativa do comandante Cezar Augusto Guimarães, do 35BI, foi celebrado na Catedral de Santana oficio religioso em memória dos que morreram durante a II Guerra Mundial, em campos da Itália.

Já a câmara marcou para quinta-feira, 11, sessão especial para comemorar 33º aniversário da vitória dos aliados contra o poder nazista, na II Guerra Mundial. Como oradores, José Ferreira Pinto (Arena) Nilton Belas Vieira (MDB)

Mesmo aniversariando na segunda-feira, 8, já no domingo, 7, amigos do deputado João Durval mandaram celebrar missa às 19 horas na Catedral de Santana. A missa também foi dedicada a arquiteta Yeda Barradas Carneiro, cujo aniversário aconteceu em 26 de abril.

Aprovada na câmara moção, do vereador Roberto Pitombo, desejando votos de parabéns aos artistas André e Charles Albert “pelos dez anos de colaboração, com suas fantasias, para a micareta de Feira de Santana”.

Os coordenadores e alfabetizadores do Mobral/Feira se reuniram dia 8, na Biblioteca Arnold Silva, avaliando o trabalho do mês de abril. Também anunciaram o concurso “Mobral Transformação”, consistindo transformar objetos em desuso em peças de arte.


Mesmo faltando muito tempo, as eleições para a escolha do novo provedor da Santa Casa de Misericórdia, marcada para janeiro do ano seguinte, já era o assunto mais discutido entre os irmãos da secular instituição. E o nome de Osvaldo Torres foi o primeiro a ser lançado

O grupo pró Osvaldo divulgou nota mostrando sua eficiência quando esteve presidindo o Feira Tênis Clube, o Clube de Campo Cajueiro, a Liga Feirense de Desportos e o Lions Clube, quando construiu a Biblioteca Infantil na Praça da Matriz.

As colunas políticas e sociais destacaram a candidatura do jornalista, advogado e ex-vereador Hugo Silva a Assembléia Legislativa por Feira. Eleito, Hugo devolveu a Arena local a cadeira perdida com a morte de Áureo Filho no exercício do mandato parlamentar.

Vereador e presidente em exercício do diretório local do MDB, Gerson Gomes marcou para o dia 14 o reinicio das reuniões dos dirigentes do partido com os diretórios de bairros. Informou também que o Tanque do Urubu foi escolhido para primeiro encontro.

Ano eleitoral vale frisar que Gerson Gomes foi um dos candidatos do MDB à Assembléia Legislativa. Concluídas as eleições e com sua vitória nas urnas, Gerson passou a formar no grupo de vereadores que interromperam o mandato municipal para ser deputado estadual. 

Foram abertas no Feira Palace Hotel as inscrições para a II Jornada Bahiana de Cancerologia marcada para 22, 23 e 24 de maio. Promoção da Liga Bahiana Contra o Câncer, contou com o apoio da Prefeitura, Governo do Estado e da regional da ABM.

Retornou a cidade o arquiteto Raimundo Torres, superintendente do Centro Industrial do Subaé. Estava na capital participando no Desenbanco do 2º Encontro sobre Participação em Feiras e Exposições no Exterior, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores.

Dentro do trabalho de prevenção da febre aftosa no rebanho bovino baiano, a Gerfab anunciou uma campanha de desinfetação dos caminhões que fazem o transporte de gado, a partir do posto da BR 116. A informação foi do chefe da área dez, Joel Andrade Mota.

E no mais, homens de negócios da cidade, preocupados com o incremento comercial de Camaçari em função do Pólo Petroquímico pediram uma reunião à Associação comercial para uma ampla discussão sobre a vida comercial de Feira de Santana. (Adilson Simas)

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EDUARDO MOTTA E A RÁDIO CULTURA

4/5/2020, 13:0h

Há 35 anos, em setembro de 1983, circulou o primeiro número da Revista Panorama, projeto do falecido empresário Antônio Gonçalves, reunindo grandes profissionais – Jânio Rêgo, Edson Borges, Marcílio Costa, Oydema Ferreira e tantos outros. (Adilson Simas)

Na estreia entre as matérias, uma longa entrevista com cacique político Eduardo Froes da Motta. Nela vale lembrar quando ele trata do golpe de 1937 e principalmente de sua luta para conquistar a Rádio Cultura de Feira que seria cassada na vigência do golpe de 1964.

O Senhor apoiou o golpe de 37?

- Não. Os partidos políticos não intervieram na revolução. Foi uma revolução de cúpula, de alto nível, de maneira que os partidos não opinaram. Mas eu acompanhei a revolução de 30, que foi daí, realmente que ocorreu a modificação do país. Naquele tempo nos tivemos presidentes militares. O Dutra, por exemplo, um grande presidente, contra meu partido, mas eu, várias vezes me entendi com ele.

O Senhor teve oportunidade de estar com Dutra?

- Tive. Na ocasião da Rádio Cultura, porque quem trouxe a Rádio Cultura para aqui fui eu. Eu consegui o canal, quando na ocasião era prefeito Almáchio Boaventura.

Como foi?

- O projeto da rádio foi de Almáchio, e naquela ocasião funcionava a Rádio Sociedade que pertencia a Pedro Matos. Pedro, muito amigo de Juracy Magalhães, e o Juraci prometeu a ele que não consentiria a entrada de outro canal de rádio em Feira, enquanto ele tivesse prestígio no governo federal.

Tratando-se de minha terra, tendo um correligionário meu à frente do projeto, eu me interessei em conseguir o canal.

Fomos varias vezes a Comissão Técnica de Rádio e encontramos as dificuldades. Fomos ao ministro, e dificuldades em falar com ele. Eu, então, reuni a bancada, que era constituída do senador Pedro Aleixo, do senador Moacir e de alguns deputados da Bahia como Vieira de Mello, Pacheco de Oliveira e fomos a Dutra.

Lá Moacir foi quem falou em nome da bancada e colocou a questão da Rádio Cultura como um assunto político:

- Senhor Presidente, o prédio da Rádio Cultura já está construído, é justamente o PSD, partido contrário de Vossa Excelência, presidido aqui (neste tempo havia democracia...!) pelo nosso amigo deputado Fróes da Motta. E se esse canal não for concedido é um desprestígio para um chefe político, que não conseguiu porque o partido oposto não permitiu.

Então o Dutra nos respondeu com aquele aspecto amável dele: -“Os senhores esperem um instante que o ministro neste momento vem falar comigo e eu então abordarei o assunto a ele”. Descemos, ficamos numa saleta, e momentos depois sobe Pestana, que era ministro, entendeu-se lá com o presidente e quando desceu perguntou logo: “Quem é o deputado Fróes da Motta?”

- Sou eu.

- O Senhor poderia ir amanhã ao Ministério, falar comigo?

- Pois não, às suas ordens, amanhã estarei lá.

Dia seguinte eu fui lá. Todas as portas estavam abertas. Não houve dificuldade nenhuma.

- Deputado, faça logo uma petição, requerendo da Comissão Técnica de Rádio, a concessão do canal.

Eu fiz e ele despachou imediatamente, pedindo a comissão que olhasse com simpatia. Eu então perguntei se levaria ao almoxarifado e ele disse: “Não fica logo comigo”.

Quando desço o rapaz do almoxarifado perguntou: “O senhor vai deixar a petição aqui?”. Eu disse: Não, ficou com o ministro e de lá mesmo segue.

E foi assim que eu consegui a concessão da Rádio Cultura, e que hoje sinto não está funcionando como deveria estar. Uma rádio muito prestigiada, sem desconhecer as outras...

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