FEIRA EM HISTÓRIA

Dival Pitombo detalha conferência a luz de velas de Érico Veríssimo em Feira

23/10/2018, 11:1h

Na crônica “Feira em tempo de nostalgia”, que o mestre Dival Pitombo publicou no jornal A Tarde há 43 anos, num sábado, 26 de julho de 1975, o professor recorda a visita que o consagrado escritor gaúcho Erico Veríssimo fez a Feira de Santana. Com o subtítulo “Conferência a luz de velas”, Dival Pitombo detalha a ilustre presença. Vale a pena recordar (Adilson Simas):

“Um dia recebi um recado do velho João Marinho.

Queria falar comigo. Ao procurá-lo, disse-me o seguinte:

- Amanha chega aqui um literato que João Falcão me pediu para receber. E como não sei conversar muito com essa gente, quero que você venha fazer-lhe companhia.

Fui sem saber quem era. E encontrei-me – que agradável surpresa – com Érico Veríssimo. Após o jantar sair com ele e a senhora, para mostrar-lhe a cidade.

No caminho recebi um recado de Joselito Amorim, pedindo-me para levar o romancista no Colégio Santanópolis, que os estudantes queriam conhecê-lo.
Érico mostrou-se interessado no contato com os jovens. 

Fomos. 

Ao nos dirigirmos para lá, um “blackout” total surpreendeu a cidade.
Chegamos ao colégio na mais repleta escuridão. Ficamos na secretaria aguardando a normalização, que não se deu até o fim da noite. 

Então os estudantes compraram grande quantidade de velas e, na sala de aula, colocaram  uma em cada carteira.

Ao entrar, Érico foi saudado com uma calorosa manifestação dos alunos. Palmas entusiásticas estrugiram.  

Surpreendido, o escritor improvisou uma linda conferência  sobre costumes gaúchos, à luz das velas, que naquele auditório “sui generis” criaram um ambiente fantasmagórico semelhante a um lago iluminado, que impressionou o romancista.

Mais tarde escreveu-me de Porto Alegre comentando o fato. 

E treze anos depois, no Rio de Janeiro, em lançamento de um dos seus livros na Livraria São José, relembrou o acontecimento, dizendo-me que não esqueceria, porque foi a única vez, em sua vida, que pronunciou uma conferência à luz de velas.

A originalidade da situação fixou o episódio, que talvez, um dia, figure em suas Memórias

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Eduardo Fróes da Mota fala para Revista Panorama sobre Golpe de 37 e chegada da Rádio Cultura

1/10/2018, 18:3h

Há 35 anos, em setembro de 1983, circulou o primeiro número da Revista Panorama, projeto do falecido empresário Antônio Gonçalves, reunindo grandes profissionais – Jânio Rêgo, Edson Borges, Marcílio Costa, Oydema Ferreira e outros. Na estreia entre as muitas matérias, uma longa entrevista com o cacique político Eduardo Froes da Motta. Nela vale lembrar quando ele trata do golpe de 1937 e de sua luta para conquistar a Rádio Cultura de Feira que seria cassada na vigência do golpe de 1964 (Adilson Simas).

O Senhor apoiou o golpe de 37?

- Não. Os partidos políticos não intervieram na revolução. Foi uma revolução de cúpula, de alto nível, de maneira que os partidos não opinaram. Mas eu acompanhei a revolução de 30, que foi daí, realmente que ocorreu a modificação do país. Naquele tempo nos tivemos presidentes militares. O Dutra, por exemplo, um grande presidente, contra meu partido, mas eu, várias vezes me entendi com ele.

O Senhor teve oportunidade de estar com Dutra?

- Tive. Na ocasião da Rádio Cultura, porque quem trouxe a Rádio Cultura para aqui fui eu. Eu consegui o canal, quando na ocasião era prefeito Almáchio Boaventura.

Como foi?

- O projeto da rádio foi de Almáchio, e naquela ocasião funcionava a Rádio Sociedade que pertencia a Pedro Matos. Pedro, muito amigo de Juracy Magalhães, e o Juraci prometeu a ele que não consentiria a entrada de outro canal de rádio em Feira, enquanto ele tivesse prestígio no governo federal. Tratando-se de minha terra, tendo um correligionário meu à frente do projeto, eu me interessei em conseguir o canal.
Fomos varias vezes a Comissão Técnica de Rádio e encontramos as dificuldades. Fomos ao ministro, e dificuldades em falar com ele. Eu, então, reuni a bancada, que era constituída do senador Pedro Aleixo, do senador Moacir e de alguns deputados da Bahia como Vieira de Mello, Pacheco de Oliveira e fomos a Dutra. Lá Moacir foi quem falou em nome da bancada e colocou a questão da Rádio Cultura como um assunto político:
- Senhor Presidente, o prédio da Rádio Cultura já está construído, é justamente o PSD, partido contrário de Vossa Excelência, presidido aqui (neste tempo havia democracia...!) pelo nosso amigo deputado Fróes da Motta. E se esse canal não for concedido é um desprestígio para um chefe político, que não conseguiu porque o partido oposto não permitiu.
Então o Dutra nos respondeu com aquele aspecto amável dele: -“Os senhores esperem um instante que o ministro neste momento vem falar comigo e eu então abordarei o assunto a ele”. Descemos, ficamos numa saleta, e momentos depois sobe Pestana, que era ministro, entendeu-se lá com o presidente e quando desceu perguntou logo: “Quem é o deputado Fróes da Motta?”
- Sou eu.
- O Senhor poderia ir amanhã ao Ministério, falar comigo?
- Pois não, às suas ordens, amanhã estarei lá.
Dia seguinte eu fui lá. Todas as portas estavam abertas. Não houve dificuldade nenhuma.
- Deputado, faça logo uma petição, requerendo da Comissão Técnica de Rádio, a concessão do canal.
Eu fiz e ele despachou imediatamente, pedindo a comissão que olhasse com simpatia. Eu então perguntei se levaria ao almoxarifado e ele disse: “Não fica logo comigo”.
Quando desço o rapaz do almoxarifado perguntou: “O senhor vai deixar a petição aqui?”. Eu disse: Não, ficou com o ministro e de lá mesmo segue.
E foi assim que eu consegui a concessão da Rádio Cultura, e que hoje sinto não está funcionando como deveria estar. Uma rádio muito prestigiada, sem desconhecer as outras

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FEIRA EM HISTÓRIA: Como 18 de Setembro foi instituído o Dia da Cidade

17/9/2018, 9:21h

Durante algum tempo o aniversário da cidade foi comemorado em 16 de junho, data alusiva a Lei Provincial que elevou a antiga vila à categoria de cidade, em 1873. Entretanto alguns historiadores, como o monsenhor Renato de Andrade Galvão defendiam que a data original era o 18 de setembro, quando em 1833 o presidente da Província da Bahia, Joaquim Pinheiro de Vasconcelos, criou o Arraial de Feira de Santana. Confira o artigo do jornalista Adilson Simas que descreve os fatos históricos que envolvem o Dia da Cidade:

O DIA DA CIDADE

Foi no dia 18 de setembro de 1833 que o presidente da Província da Bahia, Joaquim Pinheiro de Vasconcelos, criou o Arraial de Feira de Santana. Tomou a decisão autorizado pelo Governo Imperial que em 13 de Novembro do ano anterior, determinou a criação de vilas em todo o país.

Muitos ainda indagam a razão do aniversário da cidade ser em 18 de setembro se até pouco tempo a comemoração acontecia em 16 de junho

Na verdade o dia 16 de junho lembra a Lei Provincial nº. 1320, que em 1873 levou a Vila à categoria de cidade, com o nome Comercial Cidade de Feira de Santana. Por isso em 1973 comemorou-se intensamente o centenário da data, fato que se repetiu até o final do século XX

Em que pese as comemorações, vários estudiosos e historiadores continuavam defendendo 18 de setembro como sendo o Dia da Cidade. Entendiam que a emancipação da Feira aconteceu 40 anos antes, em 18 de setembro de 1833 e não em 16 de junho de 1873.

Entre eles estava o saudoso Monsenhor Renato de Andrade Galvão que não se cansava de pedir a mudança da data. Convidado pela Câmara em 1979, para falar em 16 de junho sobre o Dia da Cidade, Galvão não perdeu a oportunidade. Aproveitou a sessão solene, galerias repletas de convidados e defendeu sua tese.

Entre os seus argumentos, quando a Lei de 16 de junho de 1873 instituiu a Comercial Cidade de Feira de Santana, o Arraial de Feira de Santana já tinha status de cidade, pois na Vila  existiam  vários serviços públicos.

Segundo Galvão, a câmara municipal estava instalada há vários anos, escola já funcionando tanto para crianças como adultos, existia a Cadeia Pública e a autoridade competente, além de um jornal circulando, “O Feirense”, mantendo informada a população da Vila. Essas e outras atividades, no entendimento do padre historiador, davam ao Arraial de Feira de Santana o status de cidade.

Monsenhor Galvão encerrou sua memorável palestra minimizando o 16 de junho, ao afirmar que o Decreto Provincial assinado naquela data foi recebido sem que a população comemorasse com efusividade.

Somente no final do ano 2000, quando Galvão já havia falecido, sua tese e de outros historiadores foi vitoriosa, com a câmara oficializando o 18 de setembro como o Dia da Cidade.

A primeira comemoração dentro da nova data coincidiu com a chegada do novo milênio. O prefeito José Ronaldo de Carvalho promoveu ampla programação, e assim em 18 de setembro de 2001 o povo foi as ruas comemorar o Dia da Cidade.

As comemorações ganharam mais dimensão em 18 de setembro de 2005, com a inclusão da Ordem Municipal do Mérito de Feira de Santana instituída por José Ronaldo de Carvalho, outra vez prefeito de Feira de Santana.

Assim, nesta terça-feira, 18 de setembro de 2018, a Feira de Santana comemora mais uma vez o Dia da Cidade (Adilson Simas)

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FEIRA EM HISTÓRIA: Curiosidades sobre alguns nomes das ruas de Salvador

11/9/2018, 17:3h

O Blog Santanópolis publica matéria com título acima que vale a pena a sua leitura, até como estímulo para que estudiosos da vida feirense possam abraçar a tarefa de buscar a origem de becos, vielas, ruas, avenidas, praças, bairros e até de comunidades distritais (Adilson Simas).

PELOURINHO - Eram colunas de pedra colocadas em lugar público da cidade ou vila para tortura. No Pelourinho os escravos eram torturados e expostos à execração pública.

TERREIRO DE JESUS - Denominação dada à praça em homenagem aos Jesuítas, cujo colégio estava neste local.

PRAÇA DA PIEDADE - Tem esse nome por causa da Igreja Nossa Senhora da Piedade. Nesta praça os condenados eram enforcados, como foi o caso dos líderes da Revolta dos Alfaiates.

RUA DA FORCA - Recebeu esse nome porque era a rua por onde passavam todos os condenados ao enforcamento, que ocorria na Praça da Piedade.

RUA CHILE - Levou o nome devido à visita dos oficiais da Marinha de Guerra Chilena que esteve em visita a Salvador, em 1902.

PRAÇA CASTRO ALVES - Esta praça já recebeu vários nomes: "Largo da Quitanda", "Praça de S. Bento", "Largo do Theatro", na época da inauguração do Theatro S. João, em 13 de maio de 1812. Um grande incêndio destruiu totalmente o teatro. Por fim, a partir de 10 de julho de 1881, a praça recebeu o nome de Praça Castro Alves.

LADEIRA DA BARROQUINHA - O nome origina-se da palavra barranco, e era uma região de depressão provocada pelas chuvas e que era muito utilizada pelo povo que queria ter acesso a Baixa dos Sapateiros.

ÁGUA DE MENINOS - Lugar que tinha uma nascente de água natural onde grande número de meninos iam se banhar. No século XVIII, o governo municipal mandou construir uma bica pública para o abastecimento da população, chamada a Fonte de Água de Meninos.

FEIRA DE ÁGUA DE MENINOS - A feira que hoje é um patrimônio cultural de Salvador foi criada nos anos '60 e era chamada de Feira de Água de Meninos, por ficar num bairro com este mesmo nome. Após ser destruída por um incêndio passou a ser a atual Feira de São Joaquim.

ESTRADA DA RAINHA - Via pública aberta durante o reinado de D. Maria I, rainha de Portugal, conhecida como 'A Louca', durante o período da Inconfidência Mineira.

RIBEIRA - O verdadeiro significado de ribeira é o local onde o navio ou embarcação, tem uma oscilação de marés tal, que permite que o barco fique em seco para trabalhar.

MOURARIA - Este nome se dá pelo fato do local ter sido designado para habitação dos primeiros ciganos de origem moura degredados de Portugal, em 1718.

LADEIRA DA PREGUIÇA - A elite da época, a qual residia em casarões ao longo desta via, costumava divertir-se com gritos de "sobe preguiça!" ao presenciar os escravos subindo penosamente a ladeira, sob o peso de sacos de mercadorias pesando até 60 kg ou empurrando carretas abarrotadas.

SOLAR DO UNHÃO - O local, onde funciona o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), foi residência do desembargador Pedro de Unhão Castelo Branco, em 1692, e até hoje o local homenageia seu antigo proprietário, mais de 320 anos depois.

RUA DO TIRA CHAPÉU - A Rua do Tira Chapéu, nas proximidades da Praça Municipal, fica defronte ao Palácio Rio Branco, onde funcionava antigamente o Palácio do Governo. Por causa disso, os homens que passavam no local tinham o hábito de tirar o chapéu em reverência aos governantes.

RUA DO TIJOLO - A atual Rua 28 de Setembro localizada no centro histórico, já foi conhecida como Rua do Tijolo, devido ao fato de ali, haverem se instalado as primeiras fábricas de tijolos da Bahia colonial, mas aparece registrada no Livro de Tombamentos dos Bens Imóveis da Santa Casa da Misericórdia, como sendo a Rua do Saboeiro.

RUA D'AJUDA - Foi uma das primeiras ruas da cidade de Salvador. O nome é uma homenagem à padroeira da primeira igreja de Salvador construídas pelos jesuítas - Nossa Senhora da Ajuda.

RUA DO CABEÇA - Ganhou o nome devido a atividade de matança de bois nos currais e abatedouros presentes na região e que expunham as cabeças dos animais em suas portas.

RUA GUINDASTE DOS PADRES - Os guindastes ajudaram a expandir muito as ruas e bairros de Salvador, transportando matérias como: pedras, tijolos, telhas, cal e madeiras que chegvam do Recôncavo baiano em barcos.
As ordens religiosas utilizavam guindastes para facilitar as construções ou ampliações de seus conventos. O chamado Guindaste dos Padres se transformou no atual Plano Inclinado Gonçalves.

RUA DO PAU DA BANDEIRA - Situada no antigo sítio político da colônia, ali fica um mastro onde se hasteavam bandeiras para orientar os navegantes em sua ida e vinda, traduzindo o pertencimento da terra.

PAU MIÚDO - Segundo versões do sr. Laurindo Conceição, por volta dos anos '20, onde hoje está assentado o bairro de Cidade Nova, existia a localidade de Cidade de Palha, em razão das moradias serem de palhas.
Com o decorrer dos tempos, as pessoas, moradores do local, começaram a substituir as casas de palha por casas de barros. Com o objetivo de conseguir a referida madeira, grupos de pessoas, subiam e desciam a ladeira de Quintas com destino ao local onde existia a tal madeira. As pessoas nesse trajeto iam com um feixe de paus miúdos na cabeça e ao serem questionadas de onde vinham respondiam: "venho do pau miúdo", e assim ficou batizado o bairro.

TORORÓ - Nome de origem tupi que significa "rumor de água corrente, rio barulhento", ideia que os índios tinham de uma fonte de água corrente que abastecia o grande dique ali e ainda presente.

ALTO DO CABRITO - Este nome descende ainda da era colonial, localizado no alto onde existiu um engenho de cana-de açúcar com o nome Cabrito.

BECO DO MINGAU - Nome dado por existir ali um ponto de venda de mingau.

LADEIRA DO FUNIL - Este nome é devido ao seu traçado cônico, no formato de um funil.

ABAETÉ - Originou-se de um termo tupi 'abaîté', que significa "terror, horror". É uma referência ao fato de a lagoa ser considerada um lugar mal-assombrado. Lagoa do Abaeté: "lagoa tenebrosa", que teria esse nome em função de suas águas escuras.

ITAPUÃ - Ao contrário do que muita gente pensa, Itapuã não significa "pedra que ronca". O nome do bairro tem origem no tupi e é a contração da palavra itá + apuã, que quer dizer, na língua indígena, "ponta de pedra" ou "cabo de pedra".
Para o historiador Carlos Bahia, no caso específico de Salvador, os habitantes nomeavam suas localidades e limites geográficos a partir das referências tomadas da flora nativa, fazendas, e, sobretudo, dos costumes aqui adquiridos ou trazidos de terras longínquas.

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FEIRA EM HISTÓRIA: Lembrando o "Aristocrático" Tênis Clube

30/8/2018, 9:43h
Como de há muito a Feira de Santana perdeu o Feira Tênis Clube, vale a pena lembrar o quanto o “aristocrático” a partir de sua criação, foi importante para a vida esportiva, social, artística e cultural desta cidade de todos os nossos dias.
 
Foi na manhã de sexta-feira 8 de dezembro de 1944, que pessoas destacadas da cidade se reuniram no salão nobre da Montepio dos Artistas Feirenses e fundaram a nova instituição inicialmente denominada  “Feira de Santana Tênis Clube”.
 
Presente à reunião Áureo Filho sugeriu e a assembléia  aprovou que fosse abreviado para Feira Tênis Clube. A entidade surgiu para desenvolver os jogos de salão, os exercícios atléticos, os desportos amadoristas, especialmente a prática do tênis, além de organizar reuniões artísticas, culturais, sociais e mais a criação de uma biblioteca.
 
A muitas personalidades se deve o surgimento do FTC. Três, entretanto, foram os responsáveis maiores pela iniciativa: Ideval José Alves, Newton da Costa Falcão e Antonio Matos.
 
Ideval cuidava da parte financeira. Bem sucedido não pensava duas vezes para financiar o andamento do empreendimento.
 
Newton se encarregava de formar o quadro social. Bem relacionado, buscava sócios até na capital do Estado.
 
Tide, como era conhecido Antonio Matos, acompanhava a construção. Empolgado, se transformava ora em mestre de obra, ora em engenheiro.
 
O terreno foi doado pelo prefeito Eduardo Motta, inclusive sugerindo a área atual onde funcionava o campo do gado e que estava sendo desativado do local.
 
Os primeiros sócios remidos foram oficializados em janeiro de 1945 e em 1946 foi fechado o quadro de 50 sócios cada um contribuindo com um mil cruzeiros.
 
Também em 1946 a prefeitura concedeu 50 mil cruzeiros para ajudar na construção da sede própria.
           
Para tanto o prefeito Carlos Valadares baixou o Decreto Lei 159, também assinado por Edelvito Campelo, que respondia pelo gabinete.
No mês de março, já em 1947, foram admitidos os primeiros sócios efetivos pagando 200 cruzeiros de jóias. 
No mês seguinte aconteceu afinal a abertura dos salões sem que houvesse ato oficial. A data, 12 de abril, mês da micareta, na verdade marcava o inicio dos bailes momescos no clube.
 
Além de Tide Matos, Newton Falcão e Ideval Alves, citados acima, muitos outros passaram pela presidência, todos como amor e dedicação.
 
Hermínio Santos, Dazio Brasileiro, Gilberto Meneses, Manoel Contreras, Enádio Morais, Milton Falcão de Carvalho, Osvaldo Torres, Antonio da Costa Falcão, Wagner Mascarenhas, Péricles Valadares, Edward Assis, Paulo Cordeiro, Wilson Pereira, Adessil Guimarães, Dazio Brasileiro Filho, João Marinho Gomes Junior, Mario Sergio Pinto Ferreira, Ricardo Martins, Fernando Rebouças, Djalma Pereira, Eduardo Teles, Raimundo Mendes, Kennedy Cupertino, Coriolano Cerqueira e tantos outros. 
 
Tamanha a importância do FTC que graças a ele a cidade viu surgir o Clube de Campo Cajueiro. Nos anos 60, numa das aguerridas disputas pela presidência, o grupo derrotado se rebelou e decidiu construir outro clube, nascendo então o CCC.
Ao longo dos anos o FTC foi peça importante na vida social, esportiva, cultural e artística desta cidade.
           
Graças ao Tênis, com suas quadras, seu ginásio de esportes e seu parque aquático, a juventude feirense ganhou espaços para desenvolver diversas modalidades esportivas.
           
A prática desses esportes fez surgir os famosos Jogos Abertos do Interior, aqui reunindo anualmente, sempre no final de outubro e começo de novembro, delegações de várias cidades baianas. 
Foi a partir do Tênis que  a sociedade viu surgir eventos marcantes como Uma Noite no Hawaí, Broto do Ano, Festa das Debutantes, sem falar dos famosos bailes micaretescos, inesquecíveis festas juninas e o tradicional Reveillon.
           
Sempre disputado e sem prejuízos para o quadro social, nos seus salões aconteceram bailes de formatura, concursos de beleza, convenções comerciais, encontros políticos, palestras e assembléias de entidades diversas.
Graças ao Tênis, nos seus salões para boates e no ginásio de esportes para desfile de atrações, a Feira de Santana conheceu grandes astros e conjuntos da MPB desde o rei Roberto Carlos e a rainha Rita Lee. Desde o  Paralamas do Sucesso ao Cassino de Servilla
             
Lembrar o “aristocrático”, como se dizia naquele tempo de glória, é lembrar seus salões forrados com confetes e serpentinas  tomados pelos sócios exibindo a mortalha azul e branca do “Bloco FTC”, e cantando ao som da  bandinha do Maestro Miro:
 
Este ano vou brincar a micareta, 
No Feira Tênis Clube
É o clube mais querido da cidade...
Em cores e amizade... 
 
(Por Adilson Simas)
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Ator teatral nos anos 60, Luciano Ribeiro descreve movimentação cultural dos jovens na época

6/8/2018, 17:6h

A movimentação cultural de jovens estudantes feirenses no início dos anos 60, principalmente na área teatral, foi o tema do professor Luciano Ribeiro, no depoimento prestado ao artista Gil Mário Menezes que em 2002 publicou o livro “Cultura e Artes Plásticas” reunindo o mundo artístico-cultural da cidade. Vale a pena ler de novo o artigo de Luciano Ribeiro, ele que foi um dos mais destacados atores daquele tempo (Adilson Simas):

TEATRO EM FEIRA DE SANTANA

No início da década de 60, um grupo de estudantes de Feira de Santana tinha uma intensa atividade na política estudantil, através dos grêmios e entidades próprias, alguns até em atividades político-partidárias.

Com o golpe de 64, esses estudantes viram-se tolhidos de qualquer ação que significasse a continuidade do que faziam antes de 64. Os grêmios e entidades estudantis foram extintos, partidos políticos da mesma forma, prisões diversas, tudo isto deixando um vazio naqueles que tinham atuação mais efetiva antes de 1964. Diríamos que uma grande frustação abateu-se sobre esses jovens.

Buscando uma nova forma de atuação, boa parte desses estudantes optou por um trabalho artístico, de certa forma mais aceito pelas autoridades de então.

Sob a liderança desses estudantes, reativa-se a Sociedade Cultural e Artística de Feira de Santana – SCAFS, inicialmente voltada para a arte teatral, embora a mesma permitisse outras atividades artísticas, como, exposição de pinturas, recitais, etc.

Estamos na metade da década de 60, notadamente a partir de 1966, onde o teatro feirense, amador, tem grande penetração e respeitabilidade na comunidade feirense, sobretudo com o trabalho dos jovens estudantes de que falamos. A esta altura, não apenas estudantes egressos do movimento estudantil, mas, diversas outras pessoas, sobretudo profissionais liberais, também engrossavam as fileiras dos que em Feira faziam arte.

Embora sendo amador, o teatro produzido pela SCAFS era de boa qualidade. Para dirigir nossas peças teatrais, trazíamos sempre diretores de Salvador, muitos deles da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Diversos espetáculos nossos foram apresentados não só em Feira de Santana, como em Salvador e municípios do Estado da Bahia.

Na imagem, peça teatral encenada por Luciano Ribeiro, Antonia Veloso e Naron Vasconcelos

Algumas peças se destacaram, como, “O Boi e o Burro no Caminho de Belém” (infantil), “Pluft, o Fantasminha” (infantil), “Deus lhe Pague”, “Toda Donzela Tem Um Pai Que é Uma Fera”. “Só o Faraó Tem Alma”, “Teatro de Cordel”, etc. movimentando a cultura feirense. Além dos mais o grupo de pessoas responsável por essas e outras produções artísticas gozava de credibilidade junto à sociedade feirense.

No governo do prefeito João Durval Carneiro, surge o Teatro Margarida Ribeiro. Até então, as peças eram apresentadas em cinemas locais, pois não se tinha uma sala específica para teatro. A necessidade do Teatro Margarida Ribeiro surge a partir daí, com o Prefeito atendendo a solicitação das pessoas que faziam teatro.

O nome Margarida Ribeiro foi uma homenagem dos que faziam cultura, do próprio Governo Municipal a uma atriz feirense, falecida tragicamente em acidente. Quando de sua morte, Margarida Ribeiro estudava Direção Teatral na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia.

Com o teatro amador, não se ganhava nada. A renda de bilhetes e patrocínios, muitas vezes, não dava para cobrir os custos da produção dos espetáculos. Os que compunham o grupo de atores e demais componentes do teatro feirense tiveram que buscar formas de sobrevivência. Alguns deram continuidade a esse trabalho, de forma profissional em Salvador, e outros partiram para outras atividades, as mais diversas possíveis. Em consequência encerra-se o ciclo do teatro produzido pela SCAFS em Feira de Santana, isto, mais ou menos da década de 70.

Apesar das dificuldades e da precariedade existentes naquela época, pode-se dizer que Feira de Santana, a partir do grupo de jovens salientado no início deste depoimento, viveu um período muito importante na história de sua cultura. Não só o teatro, como também cinema (Associação dos Críticos Cinematográficos – AFCC), Academia de Letras dos Estudantes de Feira de Santana – (ALEFS) e outros davam um tom de grande movimentação cultural.

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José Olímpio Mascarenhas relata o lado profano da comemoração de Senhora Santana

23/7/2018, 9:41h

Neste mês em que se comemora a Padroeira da Cidade, ninguém melhor do que José Olimpio Mascarenhas [foto], figura presente nos mais diversos segmentos da cidade, para falar sobre o lado profano da comemoração de Senhora Santana, em especial o Bando Anunciador que voltou a ser realizado por iniciativa da universidade. Recordemos, pois o bando anunciador de tempos idos, contado por esta grande figura no livro que o artista plástico Gil Mário publicou em 2002 (Adilson Simas).

O BANDO ANUNCIADOR

- O dia da Confraternização Universal em nossa cidade era mais completo.

Esperávamos o primeiro dia do ano com mais entusiasmo. Era o início da Festa de Santana. Às dezesseis horas, acontecia o Pregão, desfile de caminhões caracterizados de carros alegóricos pelos artistas da terra, entre eles, Maneca Ferreira e seu eternamente lembrado CARAVELA.

As bandinhas contratadas pelos organizadores dos blocos e a Zabumba de Bonfim de Feira animavam o desfile. Moças e rapazes das tradicionais famílias feirenses brincavam alegres, sem os excessos hoje tão em voga.

Pregão, o desfile do grande bando anunciando o início dos festejos em louvor a Santana que se estenderiam por quase o mês todo.

As festas profanas não ficavam no Pregão. A Lavagem e a Levagem da Lenha aconteciam na semana final da festa, mas os bandos anunciadores eram o que mais mexiam com os jovens, pela originalidade, ingenuidade e pureza de intenções.

Participávamos.

Aconteciam nos primeiros domingos de janeiro, às quatro e trinta da madrugada, amanhecendo o dia. Os sinos da Matriz tocavam alegremente e girândolas de foguetes acordavam fiéis ou não, para reverenciar a padroeira da cidade.

Os blocos vinham de toda parte: do Pilão, Rua Direita, Rua da Aurora, Marechal Deodoro, Tanque da Nação, Avenida Senhor dos Passos (um dos mais animados, por sinal), o denominado anunciador de dona Zizinha Pinto.

Os meninos da época, Oyama, Itamar, Juthay, Oydema, Miriam Ferreira, hoje, Lobo, Emilson, Dede, Falcão, Denise Contreiras linda, linda,  Lícia  Schmidt, Elibia Moreira, Beica, Geraldo Oliveira, João Macedo e tantos da época, envergando máscaras e disfarces, ganhavam as ruas rumo a Matriz, naquela alegria contagiante de jovens felizes.

Ocorriam início de namoro quando se descobria quem era quem por trás das máscaras.

Um fato pitoresco arquivado nos meus guardados da memória, vem à tona: uma garota mascarada de pierrot abraçou um jovem na Praça da Matriz e o chamou pelo nome. Surpreso, pois a máscara dele era de borracha, impossível de ser descoberto ficou sabendo que fora traído pelo perfume Lancaster que usava havia uns cinco anos.

Brincaram juntos, ele mascarado e sem saber a identidade da jovem delicada, carinhosa e boa de corpo. Só tinha um jeito: pediu um beijo. Como beijar de máscara? Tiraram. Era a namorada de seu melhor amigo.

Aí, foi um tal de chorar e beijar, beijar e chorar até a hora da missa.

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Festa de Santana já foi realizada nos meses de janeiro, fevereiro e setembro

3/7/2018, 17:21h

Texto do jornalista Adilson Simas lido em 2007 durante Programa Primeira Página, da Rádio Povo, apresentando pelo radialista e jornalista Valdomiro Silva. Vale a pena recordar:

A FESTA DE SANTANA

A primeira referência oficial sobre a Festa de Santana, segundo estudos de Helder Alencar data de 1868. Mas a sua realização vem de tempos mais distantes, ainda na capelinha dos Olhos D’Água, de Domingos e Ana Brandão.

Nos primórdios a festa era realizada em julho, por ser o dia 26 consagrado a Senhora Santana. As chuvas do mês e a não interrupção das aulas no meio do ano, não permitindo uma grande afluência de público, determinaram a mudança da festa para o mês de janeiro.

Diferente do que muitos pensam a festa não saiu diretamente de julho para janeiro. Fez um estágio no mês de setembro entre os anos 80 e 90 do século XIX.  Somente no começo do século XX ela passou para o mês de janeiro, excetuando as de 1914 e 1919 realizadas em fevereiro.

Da capela dos Olhos D’Água a festa passou para a capelinha do Padre Antonio Tavares, o sacerdote que confessou Lucas. No mesmo local da capelinha, onde hoje se ergue a Catedral, Padre Ovídio de São Boaventura iniciou a construção da Igreja da Matriz concluída por Monsenhor Tertuliano Carneiro e que outros foram ampliando.

Desde que surgiu, a Festa de Santana dividia-se em duas partes: a religiosa e a profana. Além dos bandos anunciadores, no começo formado por jovens mascarados que montados em seus cavalos percorriam as ruas anunciando mais uma festa, da parte profana também faziam parte a lavagem da igreja e a levagem da lenha.

A lavagem acontecia na quinta-feira que antecedia a data magna. Homens, mulheres e crianças se dirigiam para a igreja com latas, baldes e outros vasilhames e faziam a lavagem do templo. O trabalho começava pela manhã e ao final, antes do entardecer, acompanhados por músicos, todos percorriam as ruas com as latas na cabeça.

A levagem, nos mesmos moldes da lavagem passou a acontecer na terça-feira, vespara da procissão. Ela teve sua origem no vai e vem das pessoas levando lenha para a enorme fogueira que era acesa em frente da igreja durante os dias da festa, quando a cidade ainda não tinha luz elétrica.

As festas da padroeira dos tempos idos estão registradas nas páginas de antigos jornais e revistas da cidade. Outras ainda estão na memória da infância de muita gente feirense.

Essas publicações informam que nos tempos idos a Festa de Santana, com a parte religiosa e a profana, era dirigida pelos comerciantes e fazendeiros locais, os homens ricos da cidade, como se dizia na época.

Foi nesse tempo que aconteceu a revolta dos operários e fumageiros que inconformados com aquele privilégio decidiram também assumir a festa. Isso aconteceu por muitos anos, até que a Irmandade de Santana abraçasse a tarefa. No começo do século XX a irmandade foi substituída pelas comissões organizadoras ainda hoje existentes.

Das festas do passado muitos guardam na memória o tempo em que as famílias levavam as suas cadeiras e sentavam na praça para ouvir músicas e assistir os jovens dançarem em volta do coreto ao som das filarmônicas que se rivalizavam  executando dobrados de autores da terra, ou tocando marchas e ranchos carnavalescos.

Das festas do passado muitos recordam o tempo das modistas e alfaiates repletos de encomendas, pois todos queriam fazer roupa nova que era exibida nas novenas, na missa festiva do domingo maior, como também no dia da solene procissão.

Tempo dos homens usando ternos brancos de linho inglês, chapéu palinha, gravata bem larga ou borboleta e o sapato de duas cores. Tempo das senhoras exibindo o vestido novo também feito sobre encomenda.

Do tempo das grandes festas, entre as inesquecíveis está a de 1915, que marcou a inauguração do Altar Mor, construído pelo arquiteto e pintor francês Colman Linhart. A missa solene foi celebrada pelo arcebispo D. Jerônimo Tomé e a pregação pelo orador sacro padre Antonio Ferreira.

A festa soube acompanhar os novos tempos sem perder seu sentido maior. O de reunir em torno da padroeira, o mundo católico de Feira de Santana. Dos velhos tempos sobreviveu apenas a tradição das filarmônicas, mesma assim sem a guerra das torcidas em volta do coreto.

Confetes e serpentinas que forravam e embelezavam o largo pavimentado com pedras irregulares, deram lugar a coloridas gambiarras...

As emoções de cada sorteio da quermesse foram substituídas pelas aventuras no parque de diversões armado na Praça Padre Ovídio...

O serviço de som anunciando que um jovem apaixonado dedica a próxima música à moça do laço de fita azul saiu do ar dando lugar as transmissões diretas das emissoras da cidade...

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Jornalista lembra cores, cheiros e sabores do São João em sua infância

19/6/2018, 19:2h

Há onze anos, no sábado, 23 de junho de 2007, dia da fogueira, no programa “Primeira Página”, comandado pelo jornalista Valdomiro Silva, viajei no tempo e abordei o São João da minha infância, vivido aqui na Feira de Santana no circuito Praça Fróes da Motta, Nagé e Sobradinho. Vale a pena lembrar de novo:

O SÃO JOÃO DE TEMPOS IDOS

Por Adilson Simas

No São João daquele tempo a gente via as residências feericamente iluminadas, adornadas de graciosas lanternas e longas fitas coloridas pelos corredores da casa.

Do São João daquele tempo guardo na memória a bem forrada mesa tendo sobre ela pratos maravilhosos, de travessa, contendo morena e saborosa canjica – a rainha da festa de São João, que tinha como seus seguidores os doces secos e de calda, frutas variadas, entre elas gostosas laranjas.

No São João de outrora, também presente na mesa a leitoazinha tostada, vaidosa ainda, exibindo uma flor na cintura, parecendo namorar o porquinho sizudo, no entanto cheiroso como um cravo.

No São João da minha infância, o rei da mesa, no entanto, era o peru, com seu papo recheado, orgulhoso, desafiando os seus adversários gastrônomos, principalmente as galinhas assadinhas, enfeitadas de tirinhas de papel.

No São João de um passado distante tinha muita mais na mesa de todas as casas. Tinha queijos de cuia, doce de caju, doce de leite, etc. Tinha vinho, tinha cerveja, mas tinha principalmente o saboroso licor de jenipapo a disputar com o licor de maracujá a preferência dos convivas.

No São João da minha infância, na frente de cada casa não existia apenas a fogueira assando milho, batata doce e outros produtos típicos. Tinha a árvore plantada com seus ramos cheios de milhos, laranjas, cocos e tudo mais conforme o dono da casa.

No São João dos velhos tempos a gente bebia, dançava e pulava fogueira, num ritual que motivava o surgimento de  compadres e comadres que muitos vezes até  terminava em casamentos com as graças de Santo Antonio e a proteção de São João.

Exalto o São João da minha infância sem a pretensão de achar que a festa junina acabou e muito menos o São João. Mas se é verdade que ela ainda existe, também é verdade que ela não tem mais a beleza do passado.

Na Feira de Santana de todos os meus dias, quando o São João já não motivava o intenso vai e vem das pessoas de casa em casa, o prefeito José Falcão, ainda no seu primeiro mandato, no começo dos anos 70, fez do distrito de Maria Quitéria, sede da grande festa junina.

Viajo no tempo, estou na rodovia Feira/Serrinha e na entrada da estrada dando acesso a sede do distrito deparo com uma enorme placa de zinco exibindo a tentadora frase: “Entre e veja como é bonito o São João de São José”.

Com o passar dos anos, mesmo nas outras gestões do próprio alcaide, foram desaparecendo as fogueiras, as quadrilhas e outros componentes tradicionais. Na imensa praça, além das barracas com muita cerveja e nenhum licor, um enorme palco armado com artistas famosos executando as músicas dos programas de rádio e televisão.

E no mais, mesmo nas poucas residências onde a festa tenta resistir, no lugar das canções de amor interpretadas por Marines, Trio Nordestino e outros mestres do período junino, ouve-se musicas de duplo sentido como aquela que diz “Eu conheço a cara da mulher de pode”, ou  “Eu nunca fui de mal com você..."

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Joselito Amorim descreve Feira sem carros e rodovias

11/6/2018, 17:32h

Aluno e professor do antigo Colégio Santanópolis e ex-prefeito de Feira de Santana nos anos sessenta, mestre Joselito Falcão Amorim viajou no tempo e lembrou os caminhos de desta cidade em artigo publicado em 14 de junho de 2011 no Blog do Santanópolis. Vale a pena acompanhar o educador nessa lembrança de tempos idos. (Adilson Simas):

O PROFESSOR E “OS CAMINHOS DA FEIRA”

Alcancei Feira sem carros, logo sem rodovias. O que havia eram caminhos vicinais, veredas, estradas carroçáveis e boiadeiras.

A principal era a estrada Real, que vindo da Cidade de Cachoeira, via Belém, Conceição de Feira, São Gonçalo, Magalhães, Tapera, Tomba, chegava a Feira (Praça da Matriz) e, daí, partia em direção ao Norte: Rua Direita (Conselheiro Franco), Sobradinho, Campo Limpo, Pedra Ferrada, São José das Itapororócas, Santa Bárbara, Tanquinho, Jacobina, Juazeiro, transpondo o São Francisco atingindo Pernambuco.

Estrada essa que, tal a sua importância, mereceu a ligação ferroviária, Feira-Cachoeira, entroncando com a ferrovia Leste Brasileiro que ligava Salvador ao Sul do País. Que a modernidade, sem visão e planejamento, deixou-a sucumbir.

Em seguida, vinha a Estrada das Boiadas, que alimentava Salvador. Partindo da Boa Viagem (Professor Geminiano Costa), Ponto Central, entroncamento dos Eucaliptos, Limoeiro, Humildes, Lapa, São Sebastião do Passé, Água Comprida, Paripe, Salvador. Vindo depois a ligação com o resto País, Minas Piauí via Camisão (Ipirá), Santo Estevão, Almas (Anguera), Bonfim de Feira, Bom Despacho (Jaguara), ponte do Rio Branco, sobre o rio de Jacuipe, Calumbi, Feira, tendo uma variante via Sobradinho/Feira.

Tal a importância dessa estrada, que mereceu a construção pelo Governo Federal, de uma ponte metálica linda, sobre o Rio de Jacuipe, denominada “Ponte do Rio Branco”, a qual por falta de assistência, veio a desmoronar-se. Que pena! Essa estrada quando o Rio de Jacuipe permitia, tinha percurso Santo Estevam, Pedra do Descanso, onde havia um grande alojamento para vaqueiros e tropeiros.

Outra estrada de grande movimentação era: Boa Viagem (Geminiano Costa), Rua do Fogo, Lasca Gato, Lagoa Grande, Fortaleza (Jaiba), São Simão, Coração de Maria, Irará, Pedrão, Alagoinhas, Estância, Sergipe, etc.

Havia, também, uma outra estrada menos transitada, via Queimadinha, Mangabeira, São Vicente (Tiquaruçu), Santanópolis, Irará, Alagoinhas, etc.

Foram essas as estradas que fizeram a grandeza de nossa Terra e que hoje, quase todas pavimentadas, continuam a incrementar a sua prosperidade.

Na juventude, tive oportunidade de percorrer grandes percursos, em todas elas. Meu pai, Manoel Bispo de Amorim, era marchante, negociava com gado, carnes verdes, e, tinha hábito de sair pelas fazendas próximas, a comprar gado. Na época, não havia balanças para gado vivo, comprava-se, como se dizia, em pé, a olho...

Eu tinha um animal, devidamente arreado e nas férias acompanhava o velho. Lembro-me de que certa feita fomos até Tanquinho de Feira, a uma feira de gado. Dolorosa viagem, três dias de cama, em compressas de água e sal. Era o remédio da época.

Este comentário terá continuidade, pois pretendo registrar um fato importante, histórico, que teria ocorrido no caminho de Boa Viagem (prof. Geminiano Costa), Rua do Fogo, Lagoa Grande, Fortaleza (Jaiba), são Simão, Coração de Maria, Irará, Pedrão, quando de retorno do General Labatut à Bahia, na época da luta pela independência, de passagem por Feira de Santana, onde montou Quartel.

Até a próxima.

Joselito Falcão de Amorim

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