FEIRA EM HISTÓRIA

FEIRA EM HISTÓRIA: Micareta de 1947

30/3/2020, 14:50h

Na micareta de 1947, era prefeito tampão o farmacêutico João Barbosa de Carvalho, que substituiu Carlos Valadares, que se afastou para ser candidato a deputado estadual. Homem bondoso, dono da antiga Farmácia Agrário, João Barbosa era tido como médico pela classe pobre da cidade. Morreu no exercício do cargo e foi substituído por mais um prefeito tampão, o advogado Edelvito Campello, mas esse é outro assunto, pois hoje o tema é micareta. (Adilson Simas)

Naquela micareta Feira de Santana ainda era uma cidade pequena, basicamente com quatro grandes ruas no centro, alguns becos que ficariam famosos e cerca de meia dúzia de subúrbios com poucas casas. Entre eles Tanque da Nação e Olhos D’Água, próximos do centro e os distantes Tomba e Sobradinho.

Tanto assim que segundo os números oficiais do IBGE, nos anos 40 todo o município de Feira de Santana tinha apenas 83.268 habitantes, sendo 63.608 na zona rural e somente 19 mil e 660 pessoas residindo na sede do município.

Sobre a micareta, os jornais da época destacam que além dos três clubes tradicionais, 25 de Março, Vitória e a Euterpe Feirense, que ainda funcionava no prédio da antiga Prefeitura, em frente a Igreja Senhor dos Passos, também houve festa no caçula Feira Tênis Clube, que tinha três anos de fundado.

O FTC realizou quatro bailes cobrando do não associado 50 cruzeiros por noite e 150 cruzeiros pelas quatro noites. Vale ressaltar que para melhorar a sede em razão da festa momesca, o diretor Newton Falcão conseguiu da Fábrica de Tintas Renner a doação de 72 galões de tintas Reko, para que fosse feita a pintura do clube.

Também foi grande a animação nas ruas. O jornal “Folha do Norte” que circulou depois da micareta, disse em matéria de primeira página:

“Corresponderam plenamente a expectativa, os ranchos, ternos e cordões, entre eles os Guardas de Momo, de João Alfaiate e Os Sentinelas da Lua de  Isaac Nunes e Arlindo Pintor.

Informa também que as batucadas Amantes das Flores, Cadetes do Ritmo e Canto do Canecão com turmas selecionadas e boas na fuzarca revolucionaram a cidade.

Ainda segundo o jornal, três caminhões se sobressaíram no desfile grandioso da Avenida da Alegria, citando Mula Manca, que levava uma grande mula de papelão, bem como Garotas do Frevo e o caminhão Nós Queremos.

Na Rua Direita, quartel general da folia, além da coroação da rainha Delorisa Bastos e as princesas,  do desfile infantil da turma das caboclas, do terno de Cachoeira e dos cordões vindos da Bahia, que era como se chamava Salvador na época, a nota sensacional, foi dada quando Jeremias se apresentou ao público montado numa mula manca.

O jornal destaca que a exemplo de festas anteriores, naquela micareta os cordões, ternos e ranchos continuavam cantando letras de compositores feirenses, entre eles Aloisio Resende, o Zinho Faula que faleceu seis anos antes e Adalardo Barreto, o conhecido Ladinho.

Nos salões dos clubes continuava o predomino de sucessos do carnaval carioca. E por conta da Segunda Guerra Mundial, cantava-se muito mais as músicas de antigos carnavais.

Na 25 de Março, permanecia em sucesso o samba carnavalesco de Noel Rosa, que composto em 1934, continuava na boca dos foliões que pulavam cantando: “O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu, e também vão sumindo, as estrelas lá no céu. Tenho passado tão mal! A minha cama é uma folha de papel...”.

No Tênis, outro sucesso de Noel Rosa, e que terminou sendo a única musica a identificar a sisuda Aracy de Almeida como interprete, cantando “Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do céu, que palpite infeliz...”.

No sobrado da Euterpe, todas cantavam a letra de André Filho, interpretada por Aurora Miranda, exaltando o Rio de Janeiro: “Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil, cidade maravilhosa, coração do meu Brasil...”.

Por fim, vale lembrar os que fizeram aquela micareta, todos citados no livro de Helder Alencar: Oscar Erudilho, João Domingues Gonçalves, Manuel Marques, Agostinho Motta, Florisvaldo Albuquerque, Mário Lustosa, Hermenegildo Santana, Narciso da Natividade, Edgar Lima, Constantino Reis, Clarival Souza, Hugo Silva, Milton Costa e Paulo Cordeiro (Adilson Simas).

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A FOLHA DO NORTE DE MARÇO DE 1946

16/3/2020, 9:35h

Hoje vamos lembrar a edição nº 1915 do jornal Folha do Norte que circulou em 23 de março de 1946, agora completando 74 anos. O lançamento do Imposto Predial, o começo do ano letivo no Colégio Santanópolis e as primeiras notas sobre a micareta foram alguns dos destaques. (Adilson Simas):

Através edital nº 60, a prefeitura comunicou o lançamento do Imposto Predial para o exercício financeiro de 1946. Concedeu um prazo de trinta dias para os contribuintes que se considerassem prejudicados com os valores lançados fizessem suas reclamações de direito.

O ato foi assinado pelo secretário Augusto Vital Graça. Naquela edição, com os respectivos valores, estavam apenas os imóveis localizados nas ruas Voluntários da Pátria, São José, Santos Dumont, Conselheiro Ruy Barbosa, Carlos Gomes e Farmacêutico José Alves.

Entre os proprietários com mais de um imóvel na Rua Voluntários da Pátria estavam Eduardo Motta, Dário Santana, Maria Hilda Carneiro e irmãos, Fábio Martins da Silva, Galdino Ciriaco, Miguel Pinto, Dálvaro Ferreira da Silva e outros.

Somente três imóveis aparecem listados como localizados na pequena Rua Conselheiro Ruy Barbosa. Como seus proprietários Nafitalino Vieira, Modesto Simões e Edilzete Correia, sendo que os dois últimos apareciam com a observação “em construção”.

Manuel Souza, José Joaquim Lopes de Brito, Manuel Alves, Constantino dos Reis, Wilfrid Ferreira e Teodorico José Alves eram os contribuintes das propriedades na Rua Carlos Gomes, a que hoje liga a Senhor dos Passos a com a Visconde do Rio Branco.

Dário Santana também aparece na Praça D.Pedro II, ao lado de Servilho Carneiro, Osório Peixoto Lacerda, Paulo Simões Portugal, Abílio Ribeiro, Bernardino Menezes, Antonio Ribeiro Cunha, Cícero Freitas Carvalho, Adalberto Constancio Pereira e outros.

Sobre o Colégio Santanópolis o ano letivo começou com sessão solene. Sua alta direção aproveitou a oportunidade e recepcionou os novos professores da casa e homenageou os mestres que obtiveram distinção no “Seminário de Língua Inglesa”.

Coube a mestra Edelvira Oliveira, que era a diretora do colégio saudar os novos professores. Já o professor e poeta Honorato Manuel do Bonfim ficou com a tarefa de homenagear os colegas que obtiveram distinção no “Seminário de Língua Inglesa”.

Durante a sessão vários alunos fizeram exibições. Os primeiros foram Hamilton Carvalho Lima e Fernando de Souza Santos, apresentando “Olhos Negros” com violino e piano. Já Oscar da Silva Bonfim, da 2ª série, apresentou “Feliz Alvorada”.

Ficou com a professora Maria José Martins, que teceu um hino a mocidade, a missão de agradecer as homenagens que os colegas receberam. O ato final foi a palestra do mestre Áureo Filho fazendo um paralelo entre o ensino no Brasil e na América do Norte.

Por fim as atenções da cidade estavam voltadas para a Micareta de 1946, que tinha no comando da comissão os senhores Alfredo Sarkis (presidente), Alberto Coelho Paim (tesoureiro), mais Dival Pitombo e João Domingues Gonçalves, como secretários.

Nota é publicada pela comissão pedindo a participação de todo o povo para maior brilhantismo “destes festejos já tradicionais da cidade” e convocando os chefes de cordões, batucadas e grupos carnavalescos  para receberam “instruções e auxílios”.

Elogios são feitos à comissão que por sua vez garante que “a sensacional festa popular invadirá as ruas da cidade, dando ao nosso povo doses de entusiasmo para que este ‘caia no frevo’, esquecendo as agruras da vida”. Ainda sobre a festa as seguintes notinhas:

Grande é a agitação nos subúrbios, em especial Sobradinho, Olhos D’Água, Kalilândia, Baraúnas, Cruzeiro, Calumbí e Pedra do Descanso. Dos distritos de Tanquinho, Pacatu e Bonfim “virão charangas, ternos e cordões para a folia que tomará de assalto a cidade”.

Todos esperam que o cordão "As Melindrosas" sob o comando de Manoel Narcízio da Natividade e Manuel Fausto dos Santos, faça valer a sua classe e que a diretoria de “As Garotas” faça o impossível para que o cordão volte a brilhar como nos velhos tempos”.

Muito cobiçada, a batucada “Amantes da Folia”, dos engraxates feirenses, está ensaiando com afinco. Zazá, por sua vez, prepara uma grande batucada e Belmonte, com a “Turma Infantil” espera abafar durante os quatro dias. Já o cordão “Estrela do Oriente”, de Anísio, vai fazer valer a fama dos foliões do Ponto Central.

O noticiário encerra dizendo que nas filarmônicas 25 de Março, Vitória e Euterpe, serão realizados animadíssimos bailes durante a “Micareta da Vitória” realizada nos dias 27, 28, 29 e 30 de abril...

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FEIRA EM HISTÓRIA – EFEMÉRIDES DE TREZE DE MARÇO DE 1953

9/3/2020, 11:21h

Em mais uma nostálgica viagem no tempo vamos voltar a 1953 e lembrar o que estava acontecendo na Feira de Santana no dia 13 de março, conforme notícias vinculadas nos jornais e emissoras de rádio que existiam na cidade (Adilson Simas).

Sobre os jornais além da decana Folha do Norte, estavam em circulação o jornal Vanguarda, do vereador Demócrito Soares e o Diário de Feira do prefeito Almachio Boaventura. Sociedade e Cultura eram as duas emissoras de rádio.

Antes das notícias, um pouco daquela Feira que no inicio da década de 50, segundo dados do IBGE, tinha um total de 107 mil 205 pessoas habitando o município, sendo 34.277 no distrito sede e 72.928 nos demais distritos que formavam a zona rural.

Feira tinha como seu prefeito, o tabelião Almachio Boaventura, que antes exerceu o cargo de vereador. Almachio, entre outras realizações, construiu o estádio municipal que mais tarde, em 1966, deu lugar ao atual Joia da Princesa, edificado por Joselito Amorim.

Treze vereadores integravam o poder legislativo. Entre eles três ex-prefeitos: Heráclito Carvalho que governou por dois períodos, no final dos anos 30 e inicio dos anos 40. Francisco Caribé que foi um dos muitos nomeados após a queda do Estado Novo e Aguinaldo Boaventura eleito em 1947, com a volta do regime democrático.

Também entre eles dois jovens estreantes que entrariam para a história política da cidade. Wilson Falcão e Chico Pinto já falecidos. Em 1970 os dois foram eleitos para a câmara dos deputados. Empossados em 1971 juntos passaram a defender em Brasília os interesses da Feira e da Bahia.

O poder judiciário continuava funcionando no prédio da Prefeitura e as sessões do júri no espaço hoje denominado salão nobre. Juiz de Direito da Vara Cível da Comarca de Feira de Santana, Candido Colombo Cerqueira era a autoridade maior.

Feitas essas lembranças, vamos às noticias de mais de meio século atrás, quando a cidade tinha suas poucas ruas do centro e dos subúrbios, interligadas por muitos becos, alguns famosos com seus nomes exóticos, como o Bom e Barato, Lasca Gato, Baixinha da Égua, Jiboia e outros.

Na saúde, a Santa Casa de Misericórdia distribuiu balancete mostrando receita e despesas com as obras do novo Hospital Dom Pedro de Alcântara. Era provedor o vereador Wilson Falcão, tendo como tesoureiro Antonio Pinto, pai do historiador Raimundo Pinto.

Ainda sobre a Santa Casa, a instituição deu conhecimento que no primeiro bimestre do ano, janeiro e fevereiro, foram realizados 61 sepultamentos no Cemitério Piedade, de sua propriedade e único da cidade. Foram 38 em sepulturas pagas e 23 em sepulturas grátis.

No esporte a torcida da A.D. Bahia ainda comemorava a vitória de 4 a 1 no amistoso com o Elite Futebol Clube, campeão de Santo Amaro. O “bicho papão” jogou com esta escalação: Baguesa, Lipinho e Bueiro; Cabo, Tote (Painé) e Juvenal; Alegre, Mirinho, Mário Porto, Macedo e Nozinho (Otoney).

Outra do esporte: o time de basquetebol do Feira Tênis Clube, em que pese a grande exibição, perdeu de 29 x 26 para o poderoso C.R. Itapagipe. Clovis, Regis, Isaac, Dega e Dilermando defenderam o clube feirense que durante o jogo também utilizou os atletas Itamar, Oyama e Helio Brasileiro.

Na cultura, com grande presença, foi realizada no Edifício Santana a primeira reunião para a criação da Associação Cultural de Feira de Santana. À frente da iniciativa estava Dival Pitombo, que foi o responsável pela redação do ante-projeto dos estatutos.

Na educação o Colégio Santanópolis, pelo seu diretor Áureo Filho, anunciou para o dia 19 o encerramento das matriculas para os secundaristas e mais o curso comercial. No aviso, lembrou que já no dia seguinte seria iniciado o ano letivo por determinação do Ministério da Educação e Saúde.

Na política Claudemiro Campos, presidente do PTB local, enviou dois telegramas a Getulio Vargas, presidente da republica. No primeiro sugerindo a liberação de mais recurso para as obra da rodovia Rio-Bahia e no segundo por conta da seca prolongada, pedindo medidas para amenizar o sofrimento dos nordestinos, em transito na cidade.

Na recreação Silvério Pedra Banca anunciou excursão para quem quisesse conhecer e banhar-se nas águas milagrosas do Jorro, em Tucano. A caravana teve como ponto de partida a Rua do ABC, utilizando seu confortável caminhão de placa nº 3.00.97.

Na música a professora Clarice Bullos Cerqueira, irmã de Gerson Bullos, avisou aos seus alunos e todos os interessados o recomeço das aulas do curso de piano na escola localizada na Rua Barão do Rio Branco nº 25/A.

No comércio a loja “A Seda Moderna” comunicou aos foliões que “por conta da micareta que se avizinha”, acabou de receber entre outras marcas, “setim lumiére, lamé e duchese em todas as cores, além de organdys organzas lisas e lavradas”.

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FEIRA EM HISTÓRIA: Efemérides de março de 1980

2/3/2020, 9:55h
Passados exatos 40 anos, vale a pena lembrar a Feira de Santana de 1980, através registros extraídos dos jornais Feira Hoje e Folha do Norte que desde março de 1976 passaram a circular diariamente. (Adilson Simas)
 
Feira tinha cinco grandes hotéis – Palace, Luxor, Samburá, Caroá e Flexa. O Caroá, surgido no começo dos anos 70 desapareceria nos anos 90 e com ele o famoso “Bar Sapoti” que todo fim de tarde reunia executivos para um “dedo de prosa” antes do retorno ao lar.
 
Muitos restaurantes disputavam a preferência de visitantes e moradores da cidade. Desde o Restaurante Tão, na Rua Barão do Rio Branco, com cozinha natural e alimentação integral, aos famosos “Itália” e “Casa Caiada” com cozinha italiana.
 
Entre as opções no centro comercial, destaque para O Gibão, Veleiro, Espeto de Ouro e o Boiadeiro. Mais distantes e disputadíssimos, Safári, no Contorno; A Cancela, na Estação; Cantinho da Paz, próximo a sede dos ex Combatentes e  Brisk Beer, na Maria Quitéria.
 
Sobre os bares, inesquecíveis aqueles de pouco luxo, mas de muita fama. Entre eles, O Boteco, do Sargento Regis; A Catucha, de Aniceto, famoso por “esticar” as contas dos fregueses; A Coréia, do paciente Edgar, o Bar de Lambão da disputada dobradinha na Rua do ABC e a Farmácia de Cumpadinho.
 
Poetas, escritores, jornalistas curtiam o entardecer no bar de Aniceto, e a turma da velha guarda se escondia sob as escadas do bar de Edgar. Todos eles, no dia de sua preferência, estavam no Boteco do Regi saboreando a carne de sol, de cortes padronizados, que Regis fazia com faca que amolava no passeio.
 
Bares como “A Cancela” e “Casa de Sinhá e Samba” brindando os fregueses com  conjuntos de samba. Outros como “Engenho Velho” com palco e violão para quem quisesse mostrar a voz. Bares também para cochichos, como o de “Tia” no Beco da Coelba.
 
Dona Calu com suas infusões, Pingo Bar com seu chopp, Xamego, Karbaça, Bule Bule, Kalilândia, A Prosinha, O Batidão, são bares que também lembram a cidade no começo dos anos 80. Alguns já desapareceram, outros continuam funcionando.
 
Iris e Timbira, os dois principais cinemas da cidade, ambos na Avenida Senhor dos Passos, estavam sempre lotados. Na quinta-feira, 6 de março, o Timbira que não mais existe brindava os amantes da sétima arte com o filme “O Alvo de 4 Estrelas”, com Sophia Loren.
 
  No Íris que resistiu, mas também terminou desaparecendo, estava em cartaz o filme “Na Boca do Mundo”, de Antonio Pitanga. No elenco grandes nomes do teatro brasileiro e mais uma participação especial de Milton Gonçalves.
 
Nesses pontos de encontros, principalmente nos bares e restaurantes, os freqüentadores ficavam sabendo, seja através do rádio, seja através do jornal, o que estava acontecendo nos mais diversos segmentos da vida feirense;  
 
Na educação, ao mesmo tempo em que se comemorava a inauguração do Grupo Escolar Agrário Melo, no quilometro 14 de Ipuaçu e a Escola Valdemira Alves de Brito, na Fazenda Matias, chegava a notícia de que o prefeito Colbert Martins marcou para o dia 16 a entrega da Escola Diva Portela, no Jardim Cruzeiro.
 
No futebol mais uma vez o Fluminense estava sem comando. O presidente Albérico Novaes renunciou e o vice Humberto Magalhães sugeriu e conseguiu que toda a diretoria fizesse o mesmo, alegando que seria melhor para o clube. Eduardo Lacerda, presidente do Conselho Deliberativo segurou o pepino.
 
Na administração, o prefeito estava cobrando mais eficiência da Embasa, órgão estadual, na recuperação do calçamento das ruas abertas para a rede de esgotos. Era mais uma guerrinha política, entre Colbert Martins, prefeito pelo MDB e ACM, governador pela Arena.
 
Na política a formação do novo PTB por conta da reforma partidária que estava em curso também chegou a esta cidade. Anunciava-se que José Falcão, Noide Cerqueira, Oscar Marques e outros oriundos do MDB  ingressariam no PTB. No fim optaram pelo PDS. 
 
Na sociedade, o “Caju de Ouro”, tradicionalmente uma semana antes da micareta, já era o assunto dominante entre os associados do Clube de Campo Cajueiro. Naquela quinta-feira o presidente Osvaldo Torres anunciou que “Sonha do Uma Noite de Verão” seria o tema da decoração.  
 
No calendário da cidade, a micareta marcada para ser realizada de 19 a 22 de abril, já estava na ordem do dia. O secretário de Turismo Luciano Cunha reuniu a imprensa no Mercado de Arte, e comunicou a abertura das inscrições para a escolha de rainha e princesas da folia de momo.
 
No campo assistencial, a comunidade da Baraúna se organizava para a festa de inauguração, no domingo, 9, da Creche Dagmar Silva, ainda hoje em funcionamento. Foi uma obra da primeira dama Beth Martins, que também criou a Associação de Promoção Humana, também ainda existente. O prefeito Colbert Martins, o deputado federal Francisco Pinto e o líder político Eduardo Motta foram algumas das presenças.
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FEIRA EM HISTÓRIA: Efemérides de fevereiro de 1993

17/2/2020, 21:10h

Decorridos 27 anos vamos voltar ao tempo e lembrar o que estava acontecendo nas terras do santo Padre Ovídio de São Boaventura no inicio da segunda  quinzena de fevereiro de 1993. (Adilson  Simas)

Feira  tinha como prefeito o ex-governador João Durval Carneiro, empossado no primeiro dia do ano. Vale frisar que JD já havia exercido o mesmo cargo nos anos sessenta ao ser eleito no pleito de 1966.

O poder legislativo, por sua vez, era composto de 21 membros e tinha na presidência Oyama Figueiredo. PMDB, PSDB, PFL, PDS, PL, PDC, PST, PTB, PSB e PCdoB eram os partidos que tinham assento na câmara.  

A seca castigava o município. Na zona rural já faltava água para beber e em Jaguara animais estavam morrendo. O governo federal descartou  a instalação de frentes de trabalho motivando protestos comandados por Lourenço Cundes, que presidia o Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

“Novo Testamento Brasil – 2000”, projeto visando popularizar a Bíblia através do livro “Boa Semente”, foi anunciado para ser lançado nesta cidade no Colégio Padre Ovídio. O anunciou foi feito por Julieta Furtuoso de Araújo Filha, coordenadora diocesana.

Tiitular da Secretaria de Obras, o ex-vereador Antônio Carlos Pinto de Almeida anunciou multa pesada para quem canalizasse águas servidas para a rua. Disse, porém que a Prefeitura pretende ajudar os moradores sem recursos, construindo fossas comunitárias.

Mesmo sem Carnaval na cidade,  o prefeito João Durval seguindo uma antiga tradição, decretou ponto facultativo na segunda-feira, 22, deixando de fora apenas as repartições sujeitas ao regime de plantão. Assim sendo, a Prefeitura só voltou a funcionar a partir do meio dia de quarta-feira, 24.

Projeto do vereador João Batista Cerqueira modificando a composição do Conselho Municipal de Transporte causou reboliço na câmara. Principalmente a proposta de reduzir de cinco para um o numero de representantes do legislativo no aludido conselho.

Quem também fez indicação foi o vereador José Nery. Este, pedindo ao governo do Estado a implantação do 2º grau no distrito de Humildes. Na justificativa, lembrou o comercio em expansão, o grande número de indústrias e mais uma população de cerca de 10 mil habitantes.

Mesmo já constando na Lei Orgânica, a idéia de um novo distrito com parte do território de Maria Quitéria, englobando as áreas de Olhos D’Água das Moças, Matinha, Jacu, Candeia Grossa e Alecrim Miúdo, passou a contar com adversários na câmara.

O vereador Antônio Carlos Machado anunciou uma emenda a Lei Orgânica e a imprensa noticiou que a iniciativa já contava com a adesão do seus colegas  Nantes Belas Vieira, Genésio Serafim, Osmário Pena, Ribeiro, José Marcone e José Flantildes.

Ainda sobre a câmara, estava tramitando o projeto de Reforma Administrativa enviado pelo prefeito João Durval durante o recesso, fato  que motivou a realização de sessões extraordinárias. A divisão da cidade em regiões administrativas foi uma das novidades do projeto.

Messias Gonzaga, vereador comunista, reuniu a imprensa  e criticou a criação da Secretaria de Assuntos Jurídicos do Município, incluída no projeto de Reforma Administrativa do prefeito João Durval. Argumentou o vereador que a Lei Orgânica prever a criação de uma Procuradoria Jurídica.

Decreto assinado pelo prefeito com seu secretário de Serviços Públicos, Mauricio Carvalho, extinguiu a Zona Azul de Feira, criado também por decreto pelo então prefeito José Falcão, quando da sua segundo passagem pelo comando do executivo.

O ato do prefeito dividiu a cidade. Contra a decisão se manifestou a Associação Comercial, através do seu presidente Clovis Cedraz. Por outro lado o Sindicato do Comercio Varejista e Atacadista, pelo presidente José Carlos Morais Lima ficou do lado do alcaide.

A primeira-dama Ieda Barradas Carneiro, presidente das Fiandeiras Sociais, inaugurou a sede da entidade em imóvel localizado na Estação Nova, mais precisamente na Rua Edelvira Oliveira. O Ato foi prestigiado pelo prefeito e todo secretariado.

No discurso inaugurando a sede, a primeira-dama disse aos presentes que o atendimento à gestante, o aleitamento materno, o planejamento familiar e o incentivo à alimentação natural alternativa, são alguns dos programas que serão colocados em prática pelas Fiandeiras Sociais.

Antes do coletivo para o amistoso em Várzea Nova os jogadores do Fluminense fizeram um bingo em favor do jogador Zelito, roubado em três milhões de cruzeiros no vestiário do Jóia quando realizava treinos de rotina. A grana era parte da “luva” recebida pelo atleta.

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FEIRA EM HISTÓRIA: Primeira quinzena de fevereiro de 1998

10/2/2020, 15:23h
Mesmo nem tão distante, certamente muitos não mais recordam o que andou acontecendo em Feira vinte e dois anos atrás. Assim, vamos lembrar algumas notícias da cidade durante a 1ª quinzena de fevereiro de 1998, todas encontradas nas edições do jornal “Feira Hoje”. (Adilson Simas)
 
No domingo, 1º, no plenário da câmara municipal a deputada Eliana Boaventura foi eleita presidente do diretório do PSDB de Feira. Osvaldo Ventura (vice), Moacir Cerqueira (secretário), Delorme Lacerda (tesoureiro), mais Ademir Esperidião e José Carlos como vogais completaram o comando tucano local.  
 
O PSDB teve seu evento prestigiado pelo pré candidato a governador Beto Lélis, os deputados tucanos Nestor Duarte, Arnando Lessa e Maria Del Carmem, o vereador comunista Messias Gonzaga e os secretários municipais Roberto Tourinho, Edson Cedraz, Evangivaldo Figueiredo e Humberto Cedraz.
 
Na segunda-feira, 2, em concorrida solenidade, Adauto Lacerda, superintendente da Receita Federal para Bahia e Sergipe, empossou Adilson Galvão de Carvalho, no cargo de Delegado da Receita Federal para a região de Feira de Santana.
 
O novo titular do órgão assumiu substituindo o servidor federal Obede Rocha. Já na quinta-feira, 5, por convite do prefeito Clailton Mascarenhas, o mesmo Obede Rocha assumiu a Secretária da Fazenda  substituiu  Carlos Alberto Brito, que estava no cargo desde o tempo de falecido prefeito José Falcão.
 
Pelo Decreto 6.059, com validade de um ano, na terça-feira, 3, o prefeito Clailton Mascarenhas nomeou a Comissão Única e Permanente de Licitação. Ao todo sete membros, tendo na presidência Antonival Augusto Jatobá, representando a Secretaria de Administração.
 
Visando salvar o posto local da Liga Baiana Contra o Câncer, que estava com um déficit operacional de 30 mil reais, os funcionários iniciaram a “Campanha do Real”. Entidades como a MOC, APLB, Fórum de Mulheres, Sindisaúde e outras logo aderiram ao movimento.
 
Misto de emoção e tristeza na tarde de terça-feira, 3, na Uefs. Naquele dia saiu a relação dos aprovados no vestibular de janeiro. 6.248 candidatos (551 abstenções) disputaram as 605 vagas oferecidas para 17 cursos, incluindo Licenciatura em Letras Vernáculas no Campus Avançado de Santo Amaro, que estreou no vestibular.   
 
O Fluminense foi a Vitória da Conquista cumprir sua terceira partida pelo certame baiano e venceu de 2 a 0, gols de Rivelino e do estreante Rincon. O tricolor feirense passou a somar 5 pontos, pois os jogos anteriores, contra Galícia no Jóia, e Catuense na casa do adversário, terminaram em  0 a 0.  Gilson Porto era o técnico dos touros. 
 
A AFAS, pelo presidente Ewerton Cerqueira, ameaçou suspender os enterros no Cemitério São Jorge, alegando que a sua capacidade já estava esgotada, por ser o único onde são sepultados os indigentes. Como paliativo teve inicio a construção de 60 gavetas, enquanto a prefeitura discutiu a desapropriação de uma área vizinha para ampliação.
 
O ano letivo foi iniciado na segunda-feira, 9 e no dia 11 a imprensa dizia que “Pais transformam Avenida Senhor dos Passos num inferno”. As noticias faziam alusão aos pais de alunos na hora de buscar os filhos na escola.
 
Através das Dires a Secretaria de Saúde do Estado convocou todos  aposentados para serem recadastrados. Na terça-feira, 10, Gutemberg Almeida, diretor da Dires local disse que o objetivo era detectar os aposentados que já faleceram, mas que o salário ainda está sendo pago.
 
Messias Gonzaga, vereador do PCdoB, denunciou que a câmara pagou o 14º salário dos vereadores, mas não completou ainda o 13º dos funcionários. E disse que fazia a denuncia com base em documentos do setor de pessoal da Casa da Cidadania.  
 
Reitora da Uefs, a professora Anaci Paim foi empossada na presidência do Fórum de Reitores das Universidades Estaduais da Bahia. O ato presidido pelo secretário de Educação Edílson Freire foi realizado no CUCA, na quarta-feira, 11, com a presença de várias autoridades.
 
Diretores do Colégio Nobre, Luciano Ribeiro e Jodilton Souza anunciaram que da programação do ano letivo consta um Encontro Pedagógico entre os professores da casa a ser se realizado em abril tendo na supervisão a professor Débora Silva de Castro Pereira. 
 
Conceição Borges, já presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, disse em entrevista que a seca que vem castigando a zona rural “já deixa mais de mil famílias passando fome”. A sindicalista pediu a decretação de Estado de Emergência.
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FEIRA EM HISTÓRIA: Efemérides de 7 de fevereiro de 1974

3/2/2020, 17:6h

Feira tinha como prefeito o advogado José Falcão da Silva e a câmara de vereadores era composta de quinze vereadores, sendo oito do MDB e sete da Arena. Na presidência estava o emedebista Antônio Carlos Daltro Coelho. 

Além de Coelho eram do MDB Roque Aras, Gerson Gomes, Noide Cerqueira, Renato Sá, Nilton Belas, Otaviano Campos e José Raimundo. Pela Arena, Adessil Guimarães, José Flantildes, Carlos Pires, José Pinto, Newton Tavares, Dival Machado e Mário Moreira.

O Irdeb – Instituto de Rádio Difusora Educativa da Bahia, através da Coordenadoria Regional de Educação, anunciou a instalação de 23 novos tele postos nos municípios da região de Feira de Santana, sendo três deles nesta cidade.

Os postos se destinavam a realização de cursos para os exames supletivos. Os seus encarregados todos indicados pelos municípios, ganharam um curso de aperfeiçoamento realizado em Salvador, com as despesas pagas pelo Irdeb. Vale frisar que em Feira já funcionavam  dez tele postos.

Sobre supletivos, naquela quinta-feira, 7 de fevereiro, a edição 271 do jornal “Feira Hoje”, divulgou, com chamada na primeira página, a relação dos aprovados no exame supletivo de primeiro grau realizado no Instituto de Educação Gastão Guimarães. 

E ainda sobre educação, além de sua edição normal de quinta-feira,  no entardecer do mesmo dia o jornal “Feira Hoje” fez circular uma edição extra, com a relação dos aprovados no vestibular da Faculdade de Educação, fornecida pelo DESAP. A divulgação só foi feita 30 dias depois do concurso.

Técnicos do Departamento Nacional de Obras de Saneamento estavam na cidade. Vieram escolher a área para a instalação da lagoa de oxidação dos esgotos sanitários de Feira. Fixado o local, o Escritório de Planejamento Integrado, o EPI, entraria em ação providenciando a devida desapropriação.

Mais uma campanha foi iniciada em prol da instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros  em Feira de Santana. À frente do movimento o jornal “Feira Hoje”, que em editorial citou entre os exemplos o incêndio verificado no ano anterior que destruiu parcialmente o Posto Cedep, localizado às margens da rodovia Feira/Salvador.  

Titular da antiga Secretaria de Serviços Urbanos, Dourivaldo Dórea reuniu a imprensa e anunciou que o prefeito José Falcão iria adquirir uma  frota de veículos apropriados para a limpeza publica. Mas disse também que “até lá temos que  utilizar carros particulares”

Quem também reuniu a imprensa foi o provedor da Santa Casa de Misericórdia, Cícero Carvalho. No encontro anunciou que estará chegando para o Hospital Dom Pedro de Alcântara uma ambulância doada pelo Funrural. Além da ambulância farto material cirúrgico e mesas de operação.

Durante a coletiva o provedor Cícero Carvalho citou outras medidas em favor do hospital. E destacou entre elas a construção de uma dependência para indigentes com vários leitos e a implantação de um parque de estacionamento ao lado da área conhecida como campo do São Paulo.

A unidade local do Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição escolheu as comunidades de Campo Limpo e Calumbí para mais um programa semanal de distribuição de alimentos a 200 famílias, com direito a orientação sobre nutrição e mais recreação infantil.

Quem retornou a cidade na quinta-feira, 7, foi o superintendente do Centro Industrial do Subaé, arquiteto Raimundo Torres, que se encontrava em Recife. Veio presidir a concorrência para as obras de implantação de uma etapa do sistema viário do CIS.

Ainda  sobre o CIS, na época uma autarquia municipal, que estava ganhando  20 quilômetros de rede de água, o superintendente solicitou dos técnicos do EPI  que todo projeto industrial que chegasse à Prefeitura passasse também pelo CIS. Era uma forma de evitar que indústrias poluentes se instalassem em área não conforme com o parque industrial da cidade.

Outro grande momento de quinta-feira, 7, foi a inauguração, às 17 horas, das novas instalações do Posto Fiscal  do quilometro 1.460 da rodovia BR 116 pertencente a região de Feira de Santana. O ato foi prestigiado pelo Delegado da Receita Estadual José Ferreira Cardoso e pelo Inspetor Fiscal Osvaldo Medrado. (Adilson Simas)

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FEIRA EM HISTÓRIA: Efemérides de janeiro de 1977

27/1/2020, 10:44h
Por Adilson Simas
 
Colbert Martins era o prefeito tendo José Raimundo como vice. A câmara era integrada por 15 vereadores – 8 do MDB e 7 da Arena e tinha na presidência o emedebista Rubem Carvalho.
 
A cidade tinha três representantes na Câmara dos Deputados. O veterano arenista Wilson Falcão e os estreantes, João Durval Carneiro, também da Arena e o ex-vereador Noide Cerqueira, pelo MDB. 
 
Feira estava com apenas dois representantes na Assembléia Legislativa. O arenista Augusto Matias da Silva e pemedebista Roque Aras. O professor Áureo de Oliveira Filho, o terceiro representante havia falecido no exercício do mandato, em 1976.
 
Iniciada mais  uma festa da padroeira que na madrugada de domingo, 15, viu sair o Bando dos Olhos d’Água entoando “Salva, Senhora Santana”. O bando tinha 30 músicos e arrastou uma multidão de aproximadamente duas mil pessoas.
 
Naquele ano o secretário de Turismo Antônio Miranda, criou concurso para premiar as três barracas mais bem decoradas. A escolha foi feita por uma comissão formada pela jornalista Socorro Pitombo, o radialista Valter Vieira e o artista plástico Naílson Chaves.
 
O concurso foi vencido pelas barracas “Santo Antônio” de Damiana Bispo, “São Pedro” de Joana Maria dos Santos e “Sertaneja” de Izabel Maria Conceição em primeiro, segundo e terceiro lugares. Eterno campeão, Diva da barraca “Santana” não concorreu.
 
A barraca campeã, com decoração trabalhada em papel crepom e bolas de sopro multicoloridas, ganhou isenção da taxa de uso do solo e as outras duas pagaram apenas a metade da taxa. Os barraqueiros campeões também ganharam troféus.
 
Mesmo com a festa da padroeira sendo o assunto maior, os palhaços Didi, Dedé, Zacarias e Muçum continuavam enchendo o Cine Timbira com a comédia “Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão”. Tendo ainda uma semana para continuar em cartaz, o filme já batia recorde de bilheteria.
 
Alheio a Festa de Santana, o arquiteto Raimundo Torres embarcou com destino a João Pessoa para representar Feira em seminário promovido pela Universidade Federal da Paraíba e Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e Comercio. Torres era o Superintendente do CIS que naquela época era uma autarquia municipal.
 
Ao anunciar a instalação na Rua Sabino Silva do Colégio Anísio Teixeira, a imprensa  destaca o acontecimento dizendo: “Ganha assim Feira de Santana um estabelecimento de ensino compatível com o seu progresso”.
 
Falando em colégio, o jornalista feirense Raimundo Lima, repórter da Tribuna da Bahia e Televisão Aratu aceita convite do colégio Superstar para ministrar aulas do curso de taquigrafia, garantindo utilizar estenografia, que é o método mais rápido de escrita manual de todo o mundo.
 
Depois da audiência com o prefeito Colbert Martins, o secretário de Serviços Urbanos, Eduardo Leal, anuncia para a imprensa as primeiras medidas visando equipar os diversos órgãos da secretaria, principalmente os departamentos de Iluminação, Limpeza e Parques e Jardins.
 
As colunas sociais dos dois jornais diários da cidade traziam no “roda pé” o mesmo comercial que dizia: “A mais bela galeria da cidade está surgindo na Avenida Senhor dos Passos”. Era a Galeria Marla, que segundo a nota tinha lojas e salas de fino acabamento para aluguel.
 
Ainda sobre crônica social, o colunista Eme Portugal registra que “O prefeito Colbert Martins e Beth receberam um mundo de gente para um churrasco comemorando a formatura de Colberzinho, em medicina”.
 
No futebol a principal notícia se referia a reunião do Conselho Deliberativo do Fluminense marcada para o dia 19, no Hotel Caroá, para a escolha do novo presidente do Clube que estava marcada para o dia 31 de dezembro, mas que foi adiada. Sobre o assunto o jornal “Feira Hoje” exibiu a seguinte manchete: “Quem quer o Flu?”
 
Na câmara o vereador Clóvis Lima condenou a demora na entrega das chaves das casas do conjunto construído pela Inocoop. E denunciou que o órgão, através da Cohafs, estava exigindo que os mutuários fizessem a ortoga de uma “Procuração por Instrumento Público”. A nota se referia ao Conjunto Milton Gomes.
 
Um ato simples, sem a presença de autoridades, marcou a posse no capitão Idalberto Pereira Matos no cargo de subcomandante do 1ºBPM/FS. Idalberto veio do batalhão Vitória da Conquista e nesta cidade substituiu Belmiro Santos. 
 
No dia 17 foram abertas as inscrições para o curso supletivo do 2º grau turno da noite, nas escolas Oliveira Brito, Monteiro Lobato, Irmã Celina, João Marinho, Obra de Santana e na Capela de Nossa Senhora Aparecida, na Cidade Nova
 
Foram encerradas as inscrições de chapas para as eleições  da Diretoria do Sindicato dos Empregados no Comercio de Feira de Santana. Apenas uma chapa, encabeçada por Délcio Mendes Barbosa, candidato a reeleição, foi inscrita na sede da entidade. (Adilson Simas)
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FEIRA EM HISTÓRIA: Última quinzena de janeiro de 1971

20/1/2020, 9:35h
A última quinzena de janeiro de 1971 foi de muito movimento na cidade. No dia 31, por exemplo, o prefeito João Durval passou o cargo para o prefeito eleito Newton Falcão e na câmara foi instalada a 7ª legislatura. (Adilson Simas)
 
Quarenta e nove anos depois aqui estão algumas lembranças daquele tempo, tomando como fonte o extinto jornal “Feira Hoje”, que só circulava aos sábados. 
 
Depois de sessenta dias de absoluto silencio, uma semana antes da posse o prefeito eleito Newton da Costa Falcão reuniu a imprensa e numa entrevista coletiva tornou público os nomes que formariam no seu secretariado. No anuncio, duas surpresas:
 
Primeiro a escolha do professor Antonio Araújo para a importante Secretária de Finanças. Vereador de vários mandatos e primeiro candidato a prefeito pelo MDB de Feira, em 1966, seu Araújo do Cartório era do PSD de Colbert, Pinto, Falcão e outros, liderados do cacique Eduardo Fróes da Motta.
 
Segundo foi o anunciou de dois técnicos – arquitetos Juracy Dórea e Everaldo Cerqueira, como comandantes da Surfeira, tirando o cunho político que marcou a criação da autarquia, tida como uma prefeitura paralela, pois  executava e fiscalizava as pequenas e grandes obras públicas do município.
 
Fechando a equipe, Adnil Falcão (Gabinete), Gil Marques Porto (Expansão Econômica), Asclepíades Negritos de Barros (Serviços Urbanos), Ângelo Mario de Carvalho (Desenvolvimento Comunitário), Faustino Dias Lima (Administração) e José Maria Nunes Marques (Educação). 
 
Naqueles últimos dias de janeiro de 1971, aqui esteve o governador Luiz Vianna Filho, também em fim de mandato, pois em março passaria o comando do Estado para o deputado federal ACM que era o prefeito nomeado de Salvador e havia sido também nomeado novo Governado da Bahia.
 
Recebido com festa, Luiz Vianna inaugurou na antiga Escola João Florência, hoje Arquivo Municipal, a Delegacia Escolar da região e as escolas estaduais Ecilda Ramos e Otávio Mansur, em terrenos doados pela prefeitura.
 
Vianna muito realizou em Feira, inclusive na área educacional, com destaque para o Colégio Assis Chateaubriand e a Faculdade de Educação que deu origem a UEFS. Naquele dia ele recebeu o titulo de Cidadão Feirense, projeto de Artur Santos, suplente de vereador no exercício do mandato.     
 
O prefeito João Durval também aproveitou os últimos dias de seu mandato para entregar obras. Uma delas, o Teatro Municipal, na Rua Carlos Gomes, que os artistas batizaram com o nome da falecida atriz Margarida Ribeiro, irmã do então vereador Luciano Ribeiro, do MDB, e um dos membros dos movimentos artístico-culturais da cidade.
 
Outro grande acontecimento nos últimos dias de janeiro foi o lançamento da Pedra Fundamental de uma unidade da Peterco do Nordeste Produtos Elétricos S/A, às margens da rodovia BR/324, trecho conhecido na época como Núcleo Piloto do CIS.
 
O evento trouxe a Feira o alto comando da empresa e vários empresários que à noite foram recepcionados pelas autoridades locais com um jantar no Clube de Campo Cajueiro. A Peterco anunciou uma área construída de 16 mil metros quadrados e prometeu 500 empregos diretos. 
 
Notícia triste nos últimos dias de janeiro, foi o embate jurídico entre o Clube de Campo Cajueiro e a Phebo do Nordeste edificada ao lado do clube. A diretoria do Cajueiro alegava que a poluição da indústria colocava em risco a saúde dos associados.
 
O último dia do mês, domingo, 31, foi de movimentação política. O juiz Jarbas Pedreira instalou a 7ª Legislatura composta de 13 vereadores, 8 da Arena e 5 do MDB. O arenista Jorge Mascarenhas foi eleito para presidir aquele primeiro período legislativo.
 
Juntos com Jorge Mascarenhas formavam na bancada da Arena, José Pinto, Newton Tavares, Dival Machado, Alberto Oliveira, Paulo Cordeiro, Araújo Freitas e Orlando Leite. Na bancada do MDB estavam Roque Aras, Noide Cerqueira, José Raimundo, Antonio Carlos Coelho e Nilton Belas. 
 
No mmesmo dia com a câmara já instalada e o plenário totalmente ocupado, aconteceu a posse do prefeito Newton Falcão que antes de usar da palavra ouviu dois discursos. De Alberto Oliveira, saudando o prefeito correligionário e de Roque Aras, anunciando que o MDB faria uma oposição vigilante.  
 
Fechando as notícias da segunda quinzena de janeiro, com um concorrido coquetel no Cajueiro, a antiga Telefeira, concebida por homens feirenses e que mais tarde viraria Telebahia lançou à venda 300 linhas telefônicas em Feira, iniciando a ampliação do seu sistema que logo chegaria a 2 mil aparelhos.
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FEIRA EM HISTÓRIA: A cidade há 62 anos, janeiro de 1958

13/1/2020, 15:24h

Nesta segunda-feira, 13 de janeiro, vamos viajar no tempo e reviver a Feira de Santana no distante janeiro de 1958, portanto há mais de seis décadas. (Adilson Simas)

Feira já era esta cidade encontro das rodovias. Pelas ruas planas, os carreteiros às vezes atravessando os poucos subúrbios, passavam transportando mercadorias do sul para o norte do país e vice versa.

Tanto que existiam vários postos fiscais. Entre eles o do Minadouro – estrada de Serrinha; da Pampalona – estrada de Anguera; da Rodagem – estrada Feira-Salvador e o da Boa Viagem – estrada da Estação da Leste.
  
João Marinho (foto) era o prefeito. Não existiam secretarias, fundações e autarquias como hoje. Oscar Erudilho (secretário), Margarida Ramos (tesoureira) e João Almeida (fiscal geral) eram os seus principais assessores.

A câmara  funcionava na própria prefeitura. No primeiro período o presidente era o médico udenista Augusto Matias. No segundo e último período da legislatura o presidente era o advogado trabalhista Jorge Watt da Silva.

Artur Vieira, Antônio Araújo, Antonio Nery, Colbert Martins, Dourival Oliveira, João Durval, Joselito Amorim, Mário Porto, Osvaldo Pirajá, Walter Nink e Wilson Falcão completavam a câmara que tinha 13 vereadores. Vale lembrar que naquele ano Wilson Falcão foi eleito deputado estadual.

Pouco mais de doze mil votos foram apurados na eleição daqueles vereadores. Existia apenas uma zona eleitoral, a 19ª, presidida pelo juiz José Manuel de Castro Viana, que era também titular da Vara Civil. O outro juiz, da Vara Crime, era Jorge de Faria Góes.

Quem viveu a Feira de 62 anos atrás, tem saudade das ações culturais existentes impulsionadas pela Associação Cultural Filinto Bastos. Eram seus dirigentes Benedito Farias, Olney São Paulo, Humberto Mascarenhas, Agnaldo Marques, Luiz Navarro, Carlos Pires, Edgar Erudilho e tantos outros.
 
Os poetas  faziam da Confeitaria Aurora, na Rua Direita, do também poeta Apóstolo Filho, o ponto de encontro aos domingos.  Antonio Lopes, por exemplo,  não cansava de contar em versos a vida da preta Maria Tereza..

ASSIM como nos anos 30 com o Grupo Taborda e outros, a vida teatral continuava firme nos anos 50. Francisco Barreto dirigia o Grupo Scafs que estimulou o surgimento de outros movimentos teatrais, dos quais  emergiriam mais tarde atores e atrizes como  Luciano Ribeiro, José Carlos Teixeira, Gildarte Ramos, Antonio Miranda, Deolindo Chechucci, Alvaceli Penha, Antonia Veloso, Neide Sampaio e tantos.

Duas rádios – Cultura e Sociedade dividam a audiência, jogando no ar as vozes de Raimundo Oliveira, Chico Baiano, Geraldo Borges, Edival Souza, Lucílio Bastos, Itaracy Pedra Branca, Dourival Oliveira, Chico Caipira, Nestor Peixoto. A estes logo se juntaria o garoto Itajaí que começava fazer sucesso.

Duas emissoras, dois auditórios, palcos para nomes famosos da MPB, mas também para grandes cantores locais como Ivanito Rocha, Maria Luiza, Raimundo Lopes, Antonieta Correia, Antonio Batista, Ednalva Santana, Antonio Moreira, Dilma Ferreira e estrelas mirins que surgiriam mais tarde como Marcelo Mello, causando soluços nos programas de Alcina Dantas.

Antes do “Brasil do Amanhã”, da professora Alcina Dantas, a missa dominical era uma das opções da gurizada. Na Matriz, Senhor dos Passos, Asilo, Igreja dos Remédios, Santo Antonio, Alto Cruzeiro. Tempo de Aderbal Miranda, Mário Pessoa, Frei Salomão e outros Sacerdotes.

Sem as salas do Iguatemi, novidade dos anos 90, Feira em 58 já tinha opções para os amantes da sétima arte. Além de Íris e Santanópolis, com tabuletas nas ruas anunciando os filmes, a cidade se preparava para receber em fevereiro mais um cinema, o Madrid, na Rua Castro Alves, com 375 lugares.

A vida social, passada a fase de ouro das filarmônicas “25 de Março” e Vitória, ganhava intensidade nos salões do Feira Tênis Clube e da Euterpe. O “aristocrático” presidido por Milton Falcão de Carvalho, seu Bubu  e o “clube do povo”  por João Augusto Pires, seu João da Loja Pires.

No 10 de janeiro as atenções já estavam voltadas para mais uma Festa da Padroeira. No dia 5 aconteceu o Pregão e para o dia 12 estava marcado o Bando Anunciador, vindo dos Olhos D’Água e saindo da porta da igreja para percorrer todas as ruas do centro.

Como o novenário começaria no dia 19, muitas modistas estavam cheias de encomendas de senhoras e senhorinhas. Os homens, por sua vez, completavam o terno de linho comprando gravatas, borboletas, chapéu palhinha e sapatos duas cores.

Á frente da comissão responsável pela Festa da Padroeira, escolhido desde que foi encerrada a festa do ano anterior, estava o comerciante Valdemar da Purificação. Vale frisar que naquele tempo, além da parte profana, a comissão também se encarregava da parte religiosa.

Também participavam da comissão, Alfredo Sarkis, João Suzart, Joel Magno, José Sena Lima, Carlos Fadigas, Maurílio Silva, Clarindo Borges, Israel Trindade, Alberto Oliveira, Osvaldo Cordeiro e tantos outros devotos. 

Naquele  tempo, há 62 anos, quem não queria curtir as opções que eram oferecidas se deslocava para Salvador ou cidades do recôncavo. Pegava a estrada velha utilizando os ônibus da Empresa Santana, ou a linha de ferro usando  trem - motriz ou misto, que partiam da Estação da Leste.

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