Memorial da Feira

A história de Geminiano Costa, o professor dos negros e pobres

7/10/2020, 11:21h

Qualquer feirense, nascido ou radicado em Feira de Santana, conhece a Rua Geminiano Costa, uma das mais importantes artérias da cidade. É ali que estão situados o Ginásio de Esportes Péricles Valadares, o Centro de Saúde Especializado Dr. Leone Coelho Leda, a Biblioteca Municipal Arnold Silva, o Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, e a sede do Fluminense de Feira.

A importância dessa rua nos diversos aspectos da vida da cidade corresponde à grandeza da personalidade histórica que lhe empresta o nome. Mas pouca gente sabe quem foi Geminiano Alves da Costa, nome completo do educador negro que deu uma decisiva contribuição ao sistema educacional de Feira de Santana, nos primeiros anos da República, no final do século XIX e início do século XX.

Geminiano Costa nasceu em 1867, portanto antes da Abolição da Escravatura, que só viria a acontecer 21 anos depois. Era filho de mãe solteira e, apesar de negro, nasceu livre, porque era proveniente de uma família de escravos alforriados. Foi apadrinhado por um rico comerciante da cidade e, graças a isso, conseguiu estudar e tornou-se aluno-mestre, título conferido pelo Externato da Escola Normal da Bahia, o que lhe permitiu se dedicar ao magistério.

E foi como aluno-mestre que Geminiano Costa passou a ensinar as primeiras letras a crianças pobres e negras, na aula-pública que funcionava em sua própria residência. Foi também professor na primeira escola municipal de Feira de Santana, inaugurada em 1918 na Praça Fróes da Motta, e que mais tarde viria a ser denominada Escola Maria Quitéria. Geminiano Costa também foi diretor e professor de adultos na Escola para Pobres, aula noturna para trabalhadores fundada em 1903 pela Conferência de São Vicente de Paulo, e que funcionou primeiro na Igreja dos Remédios, depois no prédio da Sociedade Montepio dos Artistas Feirenses. E implementou o primeiro censo escolar realizado no município, para identificar as deficiências educacionais da população carente da cidade.

A história de Geminiano Costa é contada pela professora e mestre em História, Daiane Oliveira, em mais um vídeo produzido pelo Memorial da Feira, portal mantido na internet pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Comunicação. O endereço do portal é www.memorialdafeira.ba.gov.br.

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Memorial da Feira traz a biografia da feminista feirense Edith Mendes

9/9/2020, 15:51h

A primeira mulher a ingressar na Academia de Letras da Bahia era de Feira de Santana. Trata-se de Edith Mendes da Gama e Abreu, que foi também uma das pioneiras do feminismo na Bahia e no Brasil. Edith Mendes nasceu em Feira de Santana no ano de 1903, e era filha do Coronel João Mendes da Costa, que foi prefeito da cidade entre os anos de 1930 e 1933.

Depois de estudar no Colégio Nossa Senhora de Lourdes (hoje Colégio Padre Ovídio), Edith Mendes foi concluir os estudos em Salvador, onde se formou em Magistério pelo Educandário Sagrado Coração de Jesus e tomou cursos de Canto, Inglês, Filosofia, Literatura Geral, Literatura Luso-Brasileira e Literatura Francesa. 

A partir daí, ela iniciou uma brilhante carreira como educadora, tendo sido, entre outras coisas, inspetora de Educação do Ensino Secundário do Ministério da Educação e Cultura; fundadora e professora da Faculdade de Filosofia da Bahia; membro do Conselho de Educação e Cultura; delegada do Governo da Bahia e conferencista no I Congresso de Ensino Regional; e presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, tendo representado essa entidade no I Congresso Brasileiro de História, em Brasília. 

Edith Mendes também foi uma das mais destacadas feministas do Brasil. Fundou, em 1931, a Federação Baiana pelo Progresso Feminino, e foi delegada do governo da Bahia na I Convenção Feminista Nacional, em Salvador, e no II Congresso Internacional Feminista, no Rio de Janeiro, em 1931. 

A educadora e feminista feirense também se destacou como articulista e escritora, tendo sido autora de mais de duzentas conferências e vários livros de ensaios, ficção e reflexões, entre eles Ruy e Deus, O que a vida me tem dito, A Cigana e Problemas do Coração. 

Em 1938, tomou posse na Academia de Letras da Bahia, que, por causa dela, alterou o Estatuto, pois antes só permitia a participação de homens. (Veja, acima, foto da posse).

A vida da educadora e feminista feirense é contada pela escritora e pesquisadora Lélia Fernandes, em vídeo que está sendo exibido no Memorial da Feira, portal mantido na internet pela Prefeitura de Feira de Santana, através da Secretaria de Comunicação Social.
O portal pode ser visto no endereço www.memorialdafeira.ba.gov.br.

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A Volta do Bando Anunciador está no portal Memorial da Feira

7/7/2020, 11:28h

A pandemia da Covid 19 impediu, agora no mês de julho, o desfile do Bando Anunciador, cortejo profano e irreverente que anuncia as comemorações religiosas em homenagem a Senhora Sant´Anna, padroeira de Feira de Santana. É a primeira vez que o desfile deixa de ser realizado, desde que foi retomado, no ano de 2007, pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), através do Cuca, Centro Universitário de Cultura e Arte.

O Bando Anunciador, que na verdade reúne vários “bandos” de várias partes da cidade, é uma das mais antigas tradições de Feira de Santana, remontando ao século XIX, mas foi extinto em 1987 pela Prefeitura e pela então Diocese de Feira de Santana. Em 2007, foi ressuscitado pelo Cuca, e de lá para cá o desfile foi crescendo cada vez mais, recuperando a força, a irreverência e a representatividade cultural que possuía no passado.

A retomada dessa rica manifestação da cultura popular de Feira de Santana é tema do documentário A Volta do Bando Anunciador, que está sendo exibido no MEMORIAL DA FEIRA, portal mantido na Internet pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Comunicação Social. Com 30 minutos de duração, o documentário foi realizado pela Uefs, e traz depoimentos de várias pessoas direta ou indiretamente ligadas ao evento, como José Inácio Belmonte, antigo organizador do bando dos Olhos D´água, as antigas festeiras Antonieta Ribeiro e Maria de Lourdes Santana, o cantor e compositor Carlos Pitta, o publicitário Antonio Miranda, o arquiteto e artista plástico Juraci Dórea, a pesquisadora Lenilda Carneiro, a então diretora do Cuca, Selma Soares, e o padre Pedro Júnior, pároco da Catedral de Santana, que explica porque a Igreja interditou o desfile do Bando Anunciador. A direção do documentário é do jornalista Marcondes Araujo.

A Volta do Bando Anunciador está na seção Relíquias de Feira. O portal MEMORIAL DA FEIRA pode ser visto na internet, no endereço www.memorialdafeira.ba.gov.br.

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Eulina Thomé de Souza: pioneira feirense do feminismo no Brasil

3/7/2020, 12:45h

É de Feira de Santana uma das mais vibrantes e polêmicas feministas da história do Brasil. Foi uma das pioneiras na luta em defesa dos direitos da mulher, nas primeiras décadas do século XX. Conferencista de sucesso em todo o país, chegou a ser presa no Rio de Janeiro porque tentou fazer um comício, vestida de homem, nas escadarias do Theatro Municipal. Posou para fotografia vestida de "cow-boy", com um rifle do lado. O nome dela: Eulina Thomé de Souza.

A vida da grande feminista feirense, de quem há poucos registros em sua terra natal, está sendo contada, em linhas gerais, no MEMORIAL DA FEIRA, portal mantido na internet pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Comunicação. O vídeo mostra, entre outras coisas, que Eulina Thomé de Souza, já depois de bastante conhecida em outros estados do país, proferiu duas conferências em Feira de Santana, noticiadas pelo jornal Folha do Norte. Em Manaus chegou a fundar e dirigir um jornal cultural chamado Almofadinha, em cujo editorial ela própria diz que a publicação é “o produto vitorioso deste século; ele é tudo, porque representa a vida, a poderosa razão da vida que freme, que se agita, que fala, que grita, que gesticula e estuda poses e cultiva gestos dengosos”.

Em 1971, Eulina Thomé de Souza ainda era notícia. Na edição 1034 da revista Manchete, foi publicada uma crônica do jornalista e escritor Paulo Mendes Campos, relatando as aventuras incríveis da feminista feirense nos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Entre outras coisas, diz que Eulina desafiou várias autoridades, enfrentou um dos mais tenazes perseguidores de Lampião e dormiu na fazenda de uma sobrinha do famoso cangaceiro, assombrando a moça com sua valentia.

O vídeo sobre Eulina Thomé de Souza está na seção Panoramas da Feira. O portal MEMORIAL DA FEIRA pode ser visto na internet, no endereço www.memorialdafeira.ba.gov.br.

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Memorial da Feira mostra homenagem ao intelectual Dival Pitombo em 1990

25/6/2020, 11:8h

Um vídeo produzido pela Academia de Letras de Feira de Santana mostra uma homenagem póstuma ao poeta e intelectual Dival Pitombo, com a inauguração de uma sala com seu nome no antigo Museu Regional. Professor e animador cultural, Dival foi, juntamente com Odorico Tavares,  o fundador do Museu Regional, que funcionava onde hoje é o Museu de Arte Contemporânea, na Rua Geminiano Costa.

Transferido em 1995 para o Cuca – Centro Universitário de Cultura e Arte, com o nome de Museu Regional de Arte, o Museu Regional foi inaugurado em 1967, com um rico acervo de pintores modernistas brasileiros e ingleses, doado pelo legendário jornalista Assis Chateaubriand. 

A homenagem a Dival Pitombo, realizada em 1990, reuniu várias personalidades do mundo cultural e político de Feira de Santana, além de familiares do homenageado, entre eles o cirurgião-plástico Volney Pitombo. Na ocasião, houve também a entrega do Prêmio Literário Alberto Boaventura, e uma mostra de fotos e recortes de jornais sobre Dival Pitombo, além de uma exposição de livros de vários autores de Feira de Santana.

O vídeo pode ser visto na seção Relíquias da Feira, do portal Memorial da Feira, mantido na internet pela Prefeitura, através da Secretaria de Comunicação Social. O endereço do portal é www.memorialdafeira.ba.gov.br.

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