RADIO SUBAE, A VINHETA CANTADA POR ZIZI POSSI CONTINUA ATUAL E MARCANTE
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade
Os sons fazem parte das nossas vidas. Em tudo, praticamente, há alguma sonoridade, em alguns casos há música. Nas transmissões de rádio, então, o som é fundamental. Assim, alguns sinais sonoros passam a fazer parte da nossa rotina. Músicas, prefixos e vinhetas, quando agradáveis, eternizam-se. É o caso da vinheta/prefixo da Rádio Subaé, já se aproximando de meio século, mas perfeitamente atual.
“Rádio Subaé, a nova opção que você tem. Uma programação diferente feita pra você, música, informação, tudo que você precisa e quer saber, Rádio Subaé está ligada em você. Em qualquer lugar, o dia inteiro, você vai ouvir, Rádio Subaé, o som daqui, o som de todo lugar, algo de novo no ar em Feira de Santana, só pra você, Rádio Subaé 1.080 AM”. A vinheta, de excelente qualidade, gravada em um estúdio de São Paulo, pela cantora Zizi Possi e lançada na inauguração da Rádio Subaé, no dia 4 de maio de 1979, continua ecoando como marca registrada da emissora 47 anos após e tão atual como se o tempo não houvesse gerado profundas alterações tecnológicas no veículo de comunicação de maior força popular existente: o rádio.
Vale lembrar que a Rádio Subaé, quando foi inaugurada em 4 de maio de 1979, entrou no ar exatamente às 6 horas, em sua sede original na Avenida Getúlio Vargas, onde hoje funciona uma loja de calçados. A emissora pertencia ao falecido engenheiro Jair Santos Silva, que também era proprietário da Construtora Civil do Nordeste (CCN) e do Feira Palace Hotel. O jornalista Antônio José Larangeira, falecido este ano, era o diretor da emissora.
No ato de inauguração, o locutor foi Zadir Marques Porto e o operador de áudio, Júlio Soares. Interessante é que os discos que a emissora utilizou durante bom tempo foram cedidos, sem custos, pelo experiente Júlio Soares, “Julinho”, que era dono de uma boate e possuía extensa e qualificada discoteca. Lembrar esses detalhes, que podem parecer supérfluos, na verdade é como passear pelas páginas da história do rádio local e de emissões sonoras que muitas vezes marcam e nos acompanham ao longo da vida. Em 17 de fevereiro de 1968, o sinal de tempo (hora certa) da Rádio Carioca de Feira de Santana, inaugurada naquele momento, invadia e tomava conta da cabeça do ouvinte e, durante muito tempo, assim permaneceu até quando a emissora mudou de direção. Era um sinal simples, rápido e harmonioso que, ouvido à distância, identificava a emissora. Durante a micareta, um famoso trio elétrico fazia questão de executar o sinal em homenagem à emissora vinda do Rio de Janeiro e ao seu diretor, Sidney Miranda.
Em 1968, para concorrer de forma mais efetiva com a Sociedade, o empresário e político Oscar Marques, proprietário da Rádio Cultura, trouxe de Salvador o renomado radialista da Rádio Cultura da Bahia, Newton Spinola Cardoso, que apresentava o premiado programa “Na Polícia e nas Ruas” e toda sua equipe. Uma das inovações por ele introduzidas na programação da emissora feirense foi criar um sinal de tempo, ou hora certa, marcado pelo canto de uma ave. Não se pode dizer que tenha sido um sucesso, até porque a experiência não perdurou. Mas ainda há quem lembre o sinal de tempo da extinta Cultura, que ficava na Rua Professor Geminiano Costa.
Na Rádio Sociedade de Feira, o saudoso Marivaldo Bastos (Marivaldo Miranda Bastos), falecido em 2010, talentoso ao extremo, extraiu da Súplica Nordestina, composição do artista Gordurinha, a inspiração melódica para o marcante sinal de tempo da “emissora dos Capuchinhos”. Assim, pode-se estabelecer uma ideia, embora pouco aprofundada, sobre a importância do som, ou dos sons, já que são incontáveis, e, no caso específico, em relação a sons emitidos através das ondas hertzianas de uma emissora de rádio. Sons que podem agradar ou não, mas, quando agradam, como é o caso da vinheta cantada da Rádio Subaé, parecem se eternizar: “Rádio Subaé, uma nova opção que você tem...”
Por Zadir Marques Porto.




