BUSTOS, UMA HOMENAGEM POUCO VISTA EM FEIRA DE SANTANA
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade
Uma das mais significativas homenagens a um homem público, ou alguém efetivamente merecedor, independentemente de cargo ou posição ocupada na sociedade — pelo fato de eternizá-lo —, é um busto. Na Cidade Princesa, são poucos os bustos existentes: o primeiro data de 1955 e o mais recente, de 1990. Um deles, reverenciando o ex-presidente da República Getúlio Vargas, tem uma marca importante, lembrando a consequente morte do médico e professor Gastão Guimarães.
Bustos, esculturas do corpo humano, ou mais precisamente da cintura para cima, são uma forma antiga de homenagear uma pessoa pública, como autoridades, artistas, literatos, cientistas, heróis, religiosos — enfim, alguém de reconhecido valor na comunidade, nacionalmente ou até internacionalmente. Em Feira de Santana, cidade que sinonimiza trabalho, são poucas as manifestações desse tipo, embora todas consideradas justas e merecidas.
Buscando-se a necessária cronologia, o busto do coronel Agostinho Fróes da Mota é o mais antigo, já que foi erigido em 1955, na praça que tem o seu nome e em frente à sua residência, hoje Fundação Senhor dos Passos. Essa homenagem foi consolidada há 71 anos, por admiradores do coronel Agostinho, que, além de forte comerciante, foi prefeito municipal (1915/1920).
Em 1959, foi instalado o busto do ex-presidente da República Getúlio Dornelles Vargas, na avenida que tem o seu nome, com localização entre o Feira Palace Hotel e o Hospital EMEC. Essa honraria foi interrompida durante algum tempo com a inexplicável retirada do busto, posteriormente recolocado, mas em um ponto mais distante, próximo ao final da avenida.
O busto do ex-presidente da República foi uma homenagem de correligionários e simpatizantes do político gaúcho, que faleceu em 24 de agosto de 1954, com enorme repercussão no país. Nesta cidade, ao saber do trágico acontecimento, atribuído a um suicídio, até hoje questionado por alguns, o conceituadíssimo médico e professor Gastão Guimarães (Gastão Clóves de Souza Guimarães), que era getulista, atingido por forte emoção, teve morte súbita na mesma data. Ele era avô do saudoso jornalista Helder Alencar.
Em 1961, na gestão do prefeito Arnold Ferreira da Silva (1959/1962), foi instalado o busto do coronel Bernardino Bahia, na praça que tem o seu nome, na Avenida Senhor dos Passos. Bernardino da Silva Bahia foi intendente por nomeação de 1912 a 1915 e intendente eleito de 1920 a 1923.
O último busto instalado em Feira de Santana foi em 1990, em homenagem ao monsenhor Amílcar Marques de Oliveira, no interior da Catedral de Senhora Santana. O preito foi prestado pelo professor Antônio Ramos, rememorando, na época, o vigésimo quinto aniversário de morte do religioso, em trágico acidente automobilístico ocorrido em 1965, na BR-324 (Feira/Salvador).
Amílcar Marques nasceu em Cachoeira, em 1898, e foi vigário da Matriz entre 25 de dezembro de 1933 e 19 de setembro de 1946.
Na Praça da Kalilândia, havia um busto do médico Elias Kalili, responsável pelo surgimento do bairro e um cidadão muito querido pela comunidade. Há muito tempo, vândalos destruíram totalmente essa significativa homenagem.
Por Zadir Marques Porto
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