HIDROGRAFIA DE FEIRA DE SANTANA: POUCOS RIOS, MAS MUITAS LAGOAS E NASCENTES
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade
Famoso mesmo só o pequeno e pouco lembrado Subaé, que deu nome ao Centro Industrial, à televisão e à rádio, já que são poucos os rios oriundos da terra de Senhora Santana, que depende mesmo do Jacuípe, com nascente distante, no Morrão, a menos de 9 km de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. Mas a Princesa é provida de muitas lagoas e nascentes. Aqui, um pouco sobre a hidrografia de Feira de Santana.
Com área territorial de 1.344 quilômetros quadrados de extensão – dos quais 111 km² na sede – e altitude de 257 metros acima do nível do mar, "Portal do Sertão" ou entrada do semiárido, o município de Feira de Santana conta com uma hidrografia considerada de pouca relevância, em comparação à de alguns outros municípios, mas interessante e útil. Embora com sensível redução devido ao avanço desordenado da zona urbana, em muitos casos sacrificando importantes nascentes, ainda é expressivo o montante de lagoas de médio e pequeno porte e até dimensionadas como grandes, pelo menos de acordo com a realidade local, a exemplo das lagoas de São José e da Lagoa Grande.
A Lagoa de São José, localizada no distrito de Maria Quitéria, que fica a 13 quilômetros da cidade, antes denominado São José das Itapororocas (pedra que racha), é uma das maiores do município e, em meados da década de 1960, foi transformada pelo prefeito Joselito Falcão de Amorim em uma espécie de "praia artificial", popularmente chamada de "praia de Feira de Santana", com grande frequência popular. Mas isso ocorreu por um breve período, seguido da desativação do projeto, até hoje lembrado. Na sede municipal está a Lagoa Grande, que faz jus ao nome, onde havia poços de água abastecedores da cidade por meio do sistema inaugurado em 1955 pelo presidente Juscelino Kubitschek, na gestão do prefeito João Marinho Falcão. Hoje, ganha porte especial com obras de urbanização pelo Governo do Estado, tornando-se uma bela área de lazer.
Mas, além dessas, há um número expressivo de nascentes, dentre elas as lagoas do Prato Raso, Subaé, Peixe, Formiga, Rosário, Mundéu, Mangabeira, Capim, Salgada, Tabua e a Lagoa do Geladinho, que fica na Avenida José Falcão da Silva e foi transformada em uma importante área de lazer da cidade em homenagem ao radialista Erivaldo Cerqueira, registrando enorme fluxo de visitantes. Os riachos são em bom número: Papagaio, Aguilhadas, Mungunzá, Viveiros, Prata, Roncador, Formiga, Pai Santo, Maia, dentre outros. Em várias partes da urbe, notadamente em áreas de topografia mais baixa, há nascentes de água límpida, como no Tanque da Nação, Mochila, Baraúnas, Queimadinha, Rua da Aurora (Desembargador Filinto Bastos) e descida do Nagé (Rua Voluntários da Pátria). Todavia, muitas dessas nascentes foram parcial ou totalmente destruídas diante do crescimento da população.
Apesar da proliferação de nascentes e de um lençol freático importante, o município não conta com rios expressivos que determinem uma bacia hidrográfica própria. Os rios da Terra de Senhora Santana são poucos: do Peixe, Pojuca, Cavaco e o Subaé, que nasce na lagoa homônima e, apesar de ser considerado de pequeno porte, tem boa extensão, passando pela cidade de Santo Amaro da Purificação e desaguando em São Francisco do Conde. O rio Pojuca nasce em Santa Bárbara, mas é considerado um rio feirense, o que se justifica pela proximidade e pelo fato de Santa Bárbara ter pertencido a Feira de Santana, antes da natural emancipação político-administrativa.
Todavia, de grande importância para a metrópole Feira de Santana, em sua admirável marcha de crescimento, é o Rio Jacuípe, maior tributário do Paraguaçu, que fornece água potável, após tratamento, a Feira de Santana e a outras cidades da região. O Jacuípe nasce no Morro do Chapéu, também chamado de Morrão, pela sua dimensão, a menos de nove quilômetros da cidade de Morro do Chapéu, e deságua no Paraguaçu. Jacuípe (do tupi Jacu – ave da região – e Ipê, árvore símbolo do Brasil) tem uma ampla bacia hidrográfica que abraça quase 40 municípios baianos, a partir da sua origem no Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, a uma altitude de 1.300 metros, até confluir com a Barragem de Pedra do Cavalo, no vizinho município de Conceição da Feira. Em Feira de Santana são tributários do Jacuípe os rios Cavaco e do Peixe, e os riachos Casa Nova (Jaguara) – que no tupi significa onça ou cachorro –, Aguilhadas, Cungú, Formoso, Mocó, Monte Castelo, Salgado, Riachão (Ipuaçu), Mungunzá e Santa Tereza (Bonfim de Feira), Maia (CIS), do Fato (Chácara São Cosme), Homero (Gabriela), Mochila (Feira X), Cipriano Barbosa (Baraúnas) e o Riacho das Panelas (Gabriela).
Por Zadir Marques Porto



