GODOFREDO FILHO: UM MODERNISTA QUE COLOCOU FEIRA DE SANTANA EM DESTAQUE

19/3/2025, 9:4 | Foto: Divulgação - Arquivo ZMP
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

O feirense Godofredo Filho teve grande projeção no meio artístico-cultural, pela sua obra literária e o esforço permanente em defesa da preservação histórica, o que pode ser plenamente demonstrado à frente do 2º Distrito da Diretoria do Instituto Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), posteriormente transformado no IPHAN. Todavia, foi além ao liderar o Modernismo na Bahia.

Considerado o precursor do modernismo na Bahia (movimento de renovação artística e literária iniciado no país em 1922), Godofredo Filho (Godofredo Rebello de Figueredo Filho), tornou-se conhecido internacionalmente pelas brilhantes palestras, livros publicados e sua presença reconhecida em congressos, reuniões e eventos relacionados às atividades que exercia nos segmentos de Letras e Magistério.

Nascido em 1904, filho do casal Godofredo Rebello de Figueredo e Elisa Maria de Figueredo, iniciou seus estudos na cidade natal, transferindo-se para Salvador, onde estudou no Seminário Central Santa Tereza e no Ginásio da Bahia. Galgando a universidade, dedicou-se com afinco aos cursos de Filosofia e Arte Brasileira. Preocupado com a preservação histórica, presidiu o II Distrito da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN) na região da Bahia e Sergipe, posteriormente transformado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), destacando-se com um trabalho voltado para a preservação histórica na capital e no interior.

Na gestão desse órgão, em 1971, a cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, foi declarada Monumento Nacional, o que ele postulava com veemência. Godofredo foi membro do Conselho Estadual de Cultura e da Academia de Letras da Bahia, além de ter atuado como professor na Escola de Belas Artes da Bahia e na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ocupou ainda a assessoria cultural da Diretoria de Vida Universitária da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). 

Em 1984, aos 80 anos de idade, seus méritos foram festejados com uma homenagem conjunta prestada pela Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores e Universidade Estadual de Feira de Santana, no Museu Regional. 

Godofredo Filho teve um trabalho intenso naquilo que amava e fazia com maestria. Sua destacada atuação no mundo artístico-cultural foi amplamente rememorada através do ‘Simpósio Godofredo Filho Cem Anos Depois’, realizado em 2014, com atividades desenvolvidas em Feira de Santana e Salvador, organizado pelas professoras Zeny Duarte e Ana Angélica de Morais, além de Eduardo Simas. Vários órgãos como o IPHAN, a UEFS, academias de letras e o Instituto Histórico e Geográfico participaram da programação.

Firme integrante do Modernismo e fiel a São Francisco de Assis, Godofredo Filho deixou uma obra literária vasta, atuando com versatilidade em gêneros distintos como poesias, canções e fundamentos da estética psicológica. Também lançou o livro *Dimensão Histórica da Visita de Dom Pedro II a Feira de Santana*. Recolheu-se ao Sítio Santo Antão, no distrito de Maria Quitéria (antes São José das Itapororocas), mas nunca se afastou da poesia, que sempre fez parte de sua vida, em especial dos sonetos, pelos quais demonstrava uma atenção especial. 

Godofredo Filho faleceu aos 88 anos de idade em 22 de agosto de 1992.

Por Zadir Marques Porto



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