182 anos: em Feira pararam e ficaram para sempre
21/9/2015, 9:10h |
Pela quantidade de pessoas que resolveu ficar em Feira de Santana e não mais seguir para o sul ou para o norte, até parece que a cidade é a metade do caminho entre a origem e o destino. A parada para descanso virou estadia definitiva. Aqui criaram raízes, se casaram e nunca mais voltaram para suas cidades natais, a não ser a passeio. E nem seguiram adiante. Viraram feirenses de coração - e, de certa maneira, de alma.
Nos seus 182 anos de emancipação administrativa, Feira de Santana cresceu, em termos populacionais, com a chegada de pessoas que nasceram em outros municípios. Principalmente no período das grandes migrações para São Paulo. Bairros inteiros, como a Chácara São Cosme foi formado por pernambucanos, principalmente. A presença dos paraibanos é grande no Caseb. Aqui cresceram ou transmitiram suas características genéticas.
O fotógrafo Antônio Magalhães chegou em Feira em 1963. Mineiro que morava no Rio de Janeiro e casado com uma feirense, resolveu se mudar para a Bahia depois de um contratempo familiar. E nunca mais voltou à sua Minas natal. Antes das máquinas fotográficas, vendeu boi para os magarefes. "Depois que comprei um equipamento me encontrei como profissional. Descobri o que gostava de fazer". É autor de muitas fotografias históricas da cidade e de seu povo.
Servidora federal, Rita Nery Cruz de Souza chegou em Feira em meados dos anos 80, para estudar, se formar e depois voltar. Se formou em matemática na UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), ingressou no serviço público, trabalhou em Paulo Afonso, que fica a cerca de 110 quilômetros da sua cidade natal, mas mais visitava Feira, a 380 quilômetros, do que Rodelas. "Resolvi que Feira seria minha terral natal, mesmo sem esquecer onde nasci". Já passou bem mais da metade da sua vida na Cidade Princesa. Aqui casou e teve os seus três filhos: Pedro Henri que, João Pedro e Letícia.
Quem também não mais cogita deixar Feira por outra paragem, nem mesmo Salgueiro, no sertão pernambucano onde nasceu, é o radialista e jornalista Tanúrio Brito, que por aqui chegou em 1979. Em Petrolina, trabalhou na Emissora Rural. "Já vim contratado pela Rádio Sociedade de Feira", onde está até hoje - neste período se desligou durante menos de um ano da emissora. "E não pretendo mais sair daqui, onde casei e tive uma filha".
E são milhares as histórias de casais que vieram de outras cidades e aqui se casaram. Como Rosângela e Nonato Gomes, que moram na Queimadinha. Ela veio da Paraíba ainda criança e ele, do Ceará, já adolescente. "Não pretendia ficar. São Paulo era o meu destino. Mas depois de alguns dias, arrumei um emprego e encontrei a minha outra metade. Como não tinha forças e nem vontade para seguir, fiquei". Irmãos e pais seguiram a viagem. "Não me arrependo, porque aqui conquistei tudo. Principalmente a minha família". Tem quatro filhos e seis netos. "Da minha casa para o cemitério, tudo em Feira", diverte-se.


