EDINHO SANTANA: UM ARTISTA SEM PRESSA QUE OLHAVA A QUALIDADE EM PRIMEIRO LUGAR
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade
Foi muito cedo, quando o sucesso parecia estar chegando para premiar a sua luta e a qualidade do que produzia. Edinho Santana, cantor e compositor de Canudos, autor de Capa de Revista, solidificava seu trabalho, tinha 12 músicas suas e de Dilton Carneiro prontas para um novo CD, que foram perdidas. Um artista respeitoso do qual vale a pena falar.
Tranquilo, olhando o mundo como se não houvesse barreiras, mas disposto a ultrapassá-las se elas existissem. Bela voz e semblante sereno, Edson Brito Santana, Edinho ou Edinho Santana, foi um artista de forte presença no cenário musical de Feira de Santana na década de 1980, com sucesso e a perspectiva de alcançar degraus bem mais elevados no nem sempre fácil mundo da música. Todavia, de forma surpreendente, dele se despediu prematuramente, deixando saudosa lembrança.
Natural do município de Canudos, Edinho começou a caminhada no meio musical na Cidade Princesa de forma consciente, cantando e produzindo boas composições, com isso granjeando público e amizades. A tranquilidade que lhe era natural fomentava sempre novas conquistas. Suas apresentações no bar Língua de Trapo, que funcionava com grande frequência no bairro Cidade Nova, foram importantes para o artista, que passou a atrair bom público. Ao lado do então estudante de Engenharia, Dilton Carneiro, Edinho formou uma boa dupla, embora seu trabalho solo já fosse conhecido e consolidado.
Era uma época difícil para os artistas novos que pretendiam gravar, e o caminho inevitável era o sudoeste brasileiro, Rio de Janeiro e São Paulo, onde ficavam localizadas as grandes gravadoras e os melhores estúdios de gravação do País, mas tudo custava caro. Determinado, ele registrou para a posteridade algumas das suas melhores composições em um CD, mídia que naquele momento começava a substituir os antigos longas durações (LPs). Capa de Revista, composição sua, foi bem executada em emissoras de rádio da cidade e região.
O cantor e compositor Dilton Carneiro (Dilton La, Mi, Re) lembra a proveitosa parceria que manteve com Edinho Santana: “Fizemos 12 músicas inéditas e iríamos gravar um CD, tanto que preparamos tudo e registramos as composições em uma fita cassete que seria apresentada a uma gravadora, mas a fita desapareceu, nunca foi encontrada”, lamenta, do mesmo modo que lastima o falecimento do cantor e compositor de Canudos, em 26 do mês de outubro de 2011, quando ele avistava um momento propício para elevar a carreira. “Bom amigo, bom coração, mas infelizmente Edinho, como outros artistas, não teve reconhecimento das autoridades competentes”, observa seu antigo companheiro de música.
Por Zadir Marques Porto




