Mais de 60 mulheres com fibromialgia recebem atendimento humanizado no ASM
A iniciativa integrou a programação especial do mês de maio, período dedicado às homenagens pelo Dia das Mães
A manhã desta sexta-feira, 22, foi marcada por emoção, acolhimento e cuidado integral à saúde da mulher no ASM – Ambulatório de Saúde da Mulher, em uma grande ação promovida pela Prefeitura de Feira de Santana, através da Fundação Hospitalar. Mais de 60 mulheres diagnosticadas com fibromialgia participaram de atendimentos especializados realizados por clínico geral, ginecologistas, psicólogos, psiquiatras, equipe de enfermagem, serviço social e profissionais da equipe multidisciplinar da unidade.
A iniciativa integrou a programação especial do mês de maio, período dedicado às homenagens pelo Dia das Mães, reforçando o compromisso da gestão municipal com a assistência humanizada e a promoção da qualidade de vida das mulheres que convivem diariamente com dores crônicas e limitações provocadas pela doença.
Durante toda a manhã, as pacientes receberam acompanhamento médico especializado, orientações sobre tratamento contínuo e suporte voltado ao bem-estar físico e emocional. A ação também chamou atenção para a importância do diagnóstico precoce e do acolhimento humanizado no enfrentamento da fibromialgia, síndrome crônica que provoca dores intensas em diversas partes do corpo, fadiga, distúrbios do sono, ansiedade e depressão, atingindo principalmente as mulheres.
A emoção tomou conta de muitas pacientes a cada consulta e atendimento recebido. Moradora do bairro Pampalona, Arilma Santos de Macedo, 53 anos, não conteve as lágrimas ao falar das dificuldades enfrentadas por quem convive com a enfermidade.
“Estou emocionada em ver tantas mulheres que sofrem com essa doença silenciosa e dolorida. Não é fácil para nós porque as dores da fibromialgia são difíceis de descrever. É uma dor constante, que impede a gente de fazer até as coisas mais simples. Sofro com dormência nos pés e braços, dores de cabeça e um cansaço físico enorme. Muitas vezes somos cobradas a reagir a uma dor que nos debilita completamente. Isso mexe muito com o psicológico e pode levar até à depressão”, desabafou.
Ela destacou ainda a importância de espaços como o ASM para oferecer assistência especializada às pacientes. “As pessoas que sofrem com fibromialgia precisam de lugares como esse, onde encontramos atendimento com outras especialidades necessárias para diminuir nosso sofrimento”, acrescentou.
Outra paciente, Edilene Ramos Cardeal Santos, 54 anos, ressaltou a importância da iniciativa e da atenção dedicada às mulheres com dores crônicas. “Isso é muito importante. É alguém olhando para quem sofre com essas dores ocultas”, afirmou.
Há 12 anos convivendo com a doença, Carmelita de Santana Almeida, 59 anos, moradora do bairro Asa Branca, disse que qualquer esforço vale a pena para conseguir atendimento especializado. “Esse momento é muito importante para mim. Hoje estou aqui para receber essa assistência que tanto esperava, para amenizar o sofrimento de uma doença que ninguém respeita porque não consegue enxergar. Muitas vezes temos que fingir que está tudo bem. Estou muito grata”, declarou.
Moradora do distrito da Matinha, Valéria dos Santos Cerqueira, 49 anos, contou que o diagnóstico mudou completamente sua vida. Segundo ela, além das dores físicas, a doença trouxe impactos emocionais severos. “Para mim foi um pesadelo, porque além das dores físicas vieram também a ansiedade e até a depressão. Esse atendimento aqui é muito importante porque os pacientes com fibromialgia não encontram esse tipo de assistência com facilidade. Só temos a agradecer”, disse Valéria, enquanto aguardava atendimento psicológico após consulta ginecológica.
A médica clínica geral Patrícia Alves explicou que a fibromialgia ainda é uma doença cercada de desafios, principalmente pela dificuldade do diagnóstico e pela complexidade dos sintomas. “A raiz da dor da fibromialgia ainda não é completamente identificada. São vários pontos dolorosos que limitam essas mulheres até nas pequenas atividades do dia a dia. O comprometimento físico acaba afetando diretamente o psicológico. A dor constante, somada às responsabilidades e cobranças diárias, provoca um enorme impacto emocional nessas pacientes”, esclareceu.
A especialista destacou ainda a importância do tratamento multidisciplinar e da continuidade do acompanhamento médico. “Nosso objetivo é dar seguimento ao tratamento dessa enfermidade e minimizar as dificuldades enfrentadas por essas pacientes. Conseguir assistência especializada para fibromialgia não é fácil, tanto pelo SUS quanto pela rede privada. Por isso, ações como essa são fundamentais”, ressaltou a médica.
De acordo com a coordenadora do ASM, Aline Bastos, a ação foi organizada pela Fundação Hospitalar a pedido da Associação de Fibromiálgicos de Feira de Santana (AFEFIBRO). “A presidente da Fundação Hospitalar, Gilberte Lucas, percebeu a necessidade de elaborar essa ação para atender essas pessoas com fibromialgia. Organizamos tudo com muito carinho e hoje estamos com todas as 60 vagas preenchidas, além de outras pacientes que chegaram posteriormente e também foram acolhidas. Agradecemos toda a equipe médica e de enfermagem que prontamente se colocou à disposição para participar”, destacou.
A Fundação Hospitalar segue fortalecendo ações voltadas ao acolhimento, à acessibilidade e à assistência humanizada nas unidades administradas pela autarquia municipal, promovendo saúde, dignidade e qualidade de vida para a população de Feira de Santana e região.
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