IVANITO ROCHA CONSTRUIU A VIDA COM MUITO TRABALHO E EXTREMA VERSATILIDADE

22/4/2025, 16:10 | Foto: Divulgação - Arquivo pessoal
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

Garoto do interior, município de Mairi, começou a trabalhar em Feira de Santana aos oito anos de idade, vendendo caixas de fósforo, temperos, pipas (arraias), depois foi radialista, jogador e presidente do Bahia de Feira e da Liga Feirense de Desportos, cantor, fundador de partido político, empresário e construtor. Caminhando para 89 anos, continua célere, dançarino e adepto de uma seresta. Receita: trabalhar sempre, com amor ao que faz!

Se existe um sinônimo para dínamo, este pode ser Ivanito Rocha. Caminhando para os 89 anos de idade e muito bem situado financeiramente, apesar da queixa de muitos prejuízos, ele acumula uma vida de capítulos interessantes a partir dos oito anos de idade, quando veio morar em Feira de Santana e começou a trabalhar como gente grande. Em 1945, Erudilho Rocha, getulista apaixonado, resolveu deixar a cidade de Mairi por não se sentir mais bem acolhido politicamente. Em Feira de Santana, aos oito anos, Ivanito começou a ‘batalhar’ para ajudar a levar o ‘pão de cada dia para casa’ e lembra que era um ‘pão grande e saboroso’.

Era produto da famosa Padaria da Fé, de Jorge Mascarenhas, que ficava na Rua Sales Barbosa e até hoje é lembrada pelos mais antigos. O garoto começou do zero, vendendo caixas de fósforo, bolas de gude, pipas (arraias), tempero, caixa de papelão e o que pudesse gerar algum dinheiro. Aos 13 anos, foi trabalhar com o empresário Ideval José Alves, proprietário do Hotel Umuarama, que ficava na Rua Conselheiro Franco, esquina com a Rua Olímpio Vital (trecho hoje considerado extensão da Av. Getúlio Vargas, sentido Centro de Abastecimento), e sua capacidade e dedicação ao trabalho foram reconhecidas pelo empresário, que o ajudou, inclusive nos estudos, conseguindo sua matrícula na Escola Normal e depois no Ginásio Santanópolis, que ‘era pago e custava caro’.

Destaca o apoio que sempre recebeu, assim como seu pai, de Eduardo Fróes da Mota, que foi prefeito municipal e o responsável pela vinda da família Rocha para esta cidade. Depois de 10 anos no Umuarama e já formado em contabilidade, recebeu convite da Cia. Souza Cruz, que tinha uma forte representação em Feira de Santana. Jovem, extremamente dinâmico e já com bastante experiência, resolveu tomar outra trajetória. Como cantor na Rádio Sociedade de Feira, foi ganhador várias vezes em programas de auditório, passando a receber pagamento como profissional. Em 1959, com a inauguração da Rádio Cultura, trocou de prefixo e, além de cantar, criou a primeira equipe de esportes de uma emissora de Feira: Ivanito (narrador), Moacir Cerqueira (comentarista), Raimundo Almeida “Dinho” (repórter). Depois agregou Marivaldo Bastos, Itajay Pedra Branca, Lúcio Bonfim e Ângelo Belmonte ‘Berô’.

Contratado pelo frei Hermenegildo de Castorano, passou a fazer esportes na Rádio Sociedade, mantendo de forma inédita e inaceitável na época, duas equipes esportivas em emissoras terrivelmente rivais. E foi assim que ele lançou como narrador, na Rádio Sociedade, Edmundo de Carvalho Júnior – Palito, que nunca havia narrado uma partida de futebol. Na Cultura, ele integrava o programa noturno Duas Vozes e Um Violão, cantando ao lado de Raimundo Lopes (o cantor galã), enquanto Toninho acompanhava ao violão; também apresentou o musical Eu, Você e a Noite. Sempre avançado no tempo, em 1959, Ivanito lançou na Rádio Cultura o programa Ritmo Alucinante, o primeiro de rock no rádio baiano.

Em 1960, realizou com êxito o I Festival de Rock’n’Roll de Feira de Santana, que foi repetido nos dois anos seguintes com enorme sucesso e a presença de Demétrius, consagrado como o ‘Rei do Rock no Brasil’. Com enorme versatilidade, em 1965, Ivanito, que nunca se interessou por cargo político, foi um dos fundadores do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Feira de Santana, ao lado do advogado José Falcão da Silva, que foi prefeito de Feira de Santana em três oportunidades, e do empresário Oscar Marques, eleito deputado estadual.

No futebol, além de jogar e ser campeão pelo Bahia de Feira, posteriormente foi dirigente máximo da agremiação, na época em que o Bahia havia ingressado no profissionalismo e mudou o nome para Feira Esporte Clube. Ele lembra que o pai, Erudilho Rocha, descendente de russos, era torcedor do Galícia, tricampeão baiano, onde jogaram Mário Porto e David, que eram feirenses, e chegando a Feira de Santana passou a torcer pelo Bahia local, sendo acompanhado pelos filhos Ivanito e Ivan. Aqui, Ivanito também foi presidente do Vasco e da Liga Feirense de Desportos. Na Euterpe Feirense, teve forte participação como dirigente, o que garantiu a permanência da agremiação como único clube social atualmente existente em Feira de Santana.

Nessa longa jornada de trabalho, já foi proprietário de uma construtora, uma farmácia e outros empreendimentos, além de contar com vários imóveis na cidade. Casado com a senhora Licélia Rocha há 52 anos, não festejou as bodas de ouro, mas presenteou-a com joias e uma viagem ao exterior. Interessante é que, pelo seu ritmo de vida na juventude, algumas pessoas não acreditavam que o enlace perdurasse tanto, mas ele espera muito mais, quem sabe tanto quanto a vida de sua sogra, dona Leonor, que “tem 103 anos de idade e, graças a Deus, está muito bem!”.

Por Zadir Marques Porto



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