Transe coletivo ao som do samba de roda
Pandeiros, bumbo, atabaques, cavaquinho e letras simples, que falam do dia a dia de quem vive no campo, juntos dão vida ao baianíssimo samba de roda, o mais tradicional das variantes do samba.
A batida rápida e a música parecem hipnotizar as pessoas pelos ouvidos. Um animado transe coletivo. Parecem dançar para elas mesmas, sempre com um discreto sorriso. “Abram a roda”, grita um dos músicos, que é atendido imediatamente.
É um ritmo muito valorizado no Recôncavo, onde teria nascido no século XIX e muito popular na zona rural de Feira de Santana, onde grupos, como o da Matinha e da Lagoa da Camisa, suam a camisa e vestidos dos sambadores e mantém a tradição viva.
Grandes rodas de samba, uma das identidades regionais, são vistas no Parque de Exposição João Martins da Silva, todas as noites. E com grande participação. Neste sábado, o grupo União do Samba da Fazenda Genipapo II, foi envolvido por dezenas de pessoas.
Os pés têm que ser rápidos para acompanhar o choro do cavaquinho, dedilhado na mesma nota. E a roda se forma rapidamente, afinal o ritmo é admirado por homens, mulheres e crianças, que entram no samba de cabeça e gingado, cadenciado por palmas fortes.
E foram várias as batalhas de umbigadas, no miudinho, o passo desta dança mais praticado. Quem está na roda se voltam um contra o outro numa disputa para ver quem samba melhor ou por mais tempo.
É um espetáculo belo para ser visto. E quem tiver samba no pé, disposição e resistência física, dele participar. Tem hora para entrar na roda. Não para sair dela.


