SABINO SILVA: O GAROTO DE BONFIM DE FEIRA, O MÉDICO CONCEITUADO
A vitória expressa o resultado de uma luta e, quando justa e honesta, é merecedora de reconhecimento e homenagens. Foi assim a vida do feirense Sabino Lobo da Silva, que começou muito cedo, trabalhando como caixeiro, para, cedo também, formar-se em Medicina. Foi breve igualmente sua existência, deixando, no entanto, uma significativa contribuição como médico.
A metropolitana Feira de Santana, olhada prioritariamente pelo seu excepcional percurso desenvolvimentista, com base no comércio, sem dúvida inigualável em se tratando de urbes de porte semelhante, por isso mesmo talvez se descuide de importantes filhos que honraram a sua história e são pouco conhecidos das novas gerações. O nome em uma rua, uma praça, uma escola parece ser o destino de ilustres feirenses. Assim, o doutor Sabino Silva está presente na Kalilândia, em uma rua que demanda à bela praça ali existente. Todavia, poucos sabem alguma coisa sobre ele e, se alguém procurar informações sobre a rua, mais facilmente terá como referência o nome de um dos estabelecimentos comerciais ali existentes.
Sabino Lobo da Silva, filho de Faustino Almeida da Silva e Sabina Etelvina Lobo da Silva, nasceu em 11 de julho de 1892, em Bonfim de Feira, distrito que fica a 31 quilômetros da sede municipal. Ao completar 14 anos de idade, foi morar em Cachoeira, onde contava com parentes e passou a trabalhar em uma casa comercial, da qual se desligou por conta de exigências do proprietário que estariam muito além do que ele deveria fazer.
Determinado, não se deixou abater e, mesmo tendo poucos recursos, obtidos no emprego, foi para a cidade de Salvador. Ali conseguiu trabalho, prosseguiu nos estudos secundários e, ao concluí-los, ingressou na Faculdade de Medicina, formando-se em Odontologia em 1912. No ano de 1918, obteve o desejado diploma como médico, defendendo a tese: "O fígado tuberculoso e o fígado dos tuberculosos". Foi professor de Fisiologia entre 1921 e 1927. Em 1925, foi professor de Patologia Médica e, entre os anos de 1927 e 1934, foi professor catedrático de Fisiologia, assumindo, em 1934, mediante decreto, a cátedra de Clínica Médica, que ocupou com relevância. No mesmo ano, requereu a transformação da 2ª Cadeira de Fisiologia em 3ª Cadeira de Clínica Médica, aprovada pela Escola de Medicina e referendada pelo Ministério da Educação e Saúde Pública. Mediante essa decisão, desaparecia a 2ª Cadeira de Fisiologia, dando lugar à 3ª Cadeira de Clínica Médica, como sugerira o feirense Sabino Silva.
Era esmerado em tudo o que fazia e, como mestre, tornava o ensino algo atraente e interessante. Foi o responsável pela instalação de um aparelho de raios X autônomo e do primeiro eletrocardiógrafo no Hospital Santa Isabel. Não era apenas médico, dedicando-se a pesquisas e estudos. A literatura e a música sempre fizeram parte de sua vida. Na adolescência, em Cachoeira, com desenvoltura aprendeu a tocar piston na Filarmônica Minerva Cachoeirana, passando depois, já na idade adulta, do sopro para as cordas, como um dedicado violinista. Tinha uma valiosa biblioteca, produzia artigos interessantes e poemas. Sabino Lobo da Silva faleceu de forma inesperada, aos 54 anos de idade, em Salvador, na noite de 10 de outubro de 1946, no seu gabinete de trabalho, na Faculdade de Medicina, quando elaborava, com carinho, como sempre fazia, a aula que iria ministrar no dia seguinte. No distrito de Bonfim de Feira, embora bastante modificado, ainda há o antigo prédio (sobrado) que pertenceu aos seus pais. O Posto Médico Dr. Sabino Silva, mantido pela Prefeitura Municipal, perpetua a imagem desse insigne filho da Terra de Senhora Santana.
Por Zadir Marques Porto



