IGREJAS CATÓLICAS DE FEIRA NÃO TÊM POTENCIAL TURÍSTICO, DIZIA O PADRE GALVÃO
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade
A população católica feirense é numerosa e demonstra inquebrantável fé, mas as igrejas da cidade princesa foram classificadas, anos atrás, pelo padre Renato Andrade Galvão, cura da Catedral de Santana e dedicado historiador, como: “Pobres arquitetonicamente e em obras de arte”.
Uma cidade de origem e tradição católica, ou majoritariamente adepta a essa religião, tanto que é conhecida como Terra de Senhora Santana, padroeira oficial do município, com população fixa estimada em 700 mil pessoas, mas ultrapassando a casa de um milhão, levando-se em conta a população móvel, aquela que diariamente circula na urbe para trabalhar, fazer compras, resolver questões particulares, buscar assistência médica, estudar e se divertir, dentre outras coisas, Feira de Santana tem um bom número de templos católicos onde os fiéis congregam acompanhando as efemérides constantes no calendário anual oriundo de instâncias superiores.
Por ser um município ainda jovem – menos de 200 anos –, surgida com natural vocação para o comércio, ao contrário de algumas cidades antigas do Recôncavo e Salvador, capital do estado, a Princesa não chega a reunir expressivo número de igrejas detentoras de acervo considerado rico – ornamentadas de ouro –, tampouco com imagens sacras de maior relevância histórica, embora importantes pelo que representam para os fiéis. Esse aspecto nada tem a ver com a fidelidade do povo de Deus, que continua firme em sua escolha religiosa, mantendo alta a caminhada no legado apostólico romano.
Natural de Brejões, trazendo na bagagem o fato de ter sido prefeito do município de Cícero Dantas, cargo que ocupou com destaque, o padre Renato de Andrade Galvão chegou a Feira de Santana em 1965 e até 1995, quando faleceu, portanto durante 30 anos, ocupou a Cúria da Catedral de Santana, ganhando enorme popularidade que o fez membro destacado da sociedade feirense. Independente da sua farta atuação religiosa, tornou-se também um profundo e determinado estudioso sobre Feira de Santana, ganhando respeito como historiador, para muitos o melhor da modernidade na Princesa.
Monsenhor Galvão, como era carinhosamente tratado pela comunidade, tinha conceito definido e claro sobre o patrimônio do município no que tange aos seus templos católicos, que, com indiscutível conhecimento, afirmava: “Pobres arquitetonicamente e em obras de arte”. Ele citava as principais igrejas católicas de Feira de Santana: Catedral de Santana, Igreja do Senhor dos Passos, Igreja do Senhor do Bonfim, no Cruzeiro, e a Igreja dos Remédios, o que é um limite extremo para o patrimônio específico da cidade. A Catedral originou-se da Capela de Santana, erigida em 1732, chegando ao formato atual mediante modificações que foram sendo introduzidas paulatinamente. A Igreja do Senhor dos Passos foi concluída em 1852, em outro local, e, após ser abandonada e destruída, foi edificada no ponto atual, com início das obras em 1922. Já a Igreja do Senhor do Bonfim, no Cruzeiro, foi iniciada em 1905. A Igreja dos Remédios tem o interessante registro de ter servido como sede para a primeira reunião do Tribunal do Júri e a visita do Imperador Dom Pedro I. Antes disso, em 1707, registrou a realização de um casamento. Todavia, na comunidade de São Simão, já próximo a Jaíba, a capela de São Simão e Nossa Senhora das Neves é de 1680, conforme dizia o padre Galvão. Todavia, observava em tudo a pobreza arquitetônica das igrejas católicas de Feira de Santana, invalidando a inclusão delas em um possível roteiro turístico que fosse montado.
.jpg)
(2).jpg)




