FEIRENSE EDIELSON MORAIS LEMBRA TÍTULO BAIANO DE KART

9/6/2026, 9:47 | Fotos: Arquivo pessoal
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

Pegas e "cavalo de pau", quando era adolescente na estrada de Jaguara e no bairro Sobradinho — começando tudo com um Fusca — foram uma espécie de "amostra grátis" do que ele iria fazer nas pistas de automobilismo, especialmente em karts e motos. E assim aconteceu quando frequentava o curso de Agronomia na Universidade Católica de Salvador. Mostrando sua habilidade em competições de "1 Km de Arranque", ganhou vários troféus e o inesquecível título de Campeão Baiano de Kart — categoria livre — em 1991.

A velocidade sempre esteve presente em sua vida como uma paixão nata, difícil, ou até mesmo impossível, de ser esquecida. No futebol, como torcedor do Flamengo, usava a camisa rubro-negra e a velocidade no ataque, mas nunca levou a sério correr atrás da bola. Muito cedo, quando começou a dirigir aos 14/15 anos, no bairro do Sobradinho, mostrou que não tardaria a fazer sucesso ao volante. Não é difícil imaginar os veículos populares mais comuns nas décadas de 1960 e 1970 e que poderiam estar ao alcance de um garoto: o Fusca e a Brasília. E foi com eles que Edielson Morais Lima, filho de Arlindo Morais Lima e Edith Morais Lima, começou a fazer o que gostava e o que o levaria às corridas de kart e outras pistas de automobilismo com sucesso.

Que "cavalo de pau" é uma manobra arriscada, perigosa e proibida, ele bem sabia, mas, no entusiasmo de dirigir e na admiração pelos adultos que, burlando familiares e a Polícia, divertiam-se perigosamente, foi se aprimorando nas manobras e chamando a atenção dos amigos e praticantes dessa modalidade pela perícia que exibia durante as ousadas manobras na estrada do distrito de Jaguara, próximo à propriedade da família. Logo também dominava com perícia motos potentes.

Aprovado no vestibular do curso de Agronomia da Universidade Católica da Bahia (UCSal), aos 18 anos passou a morar em Salvador, em um apartamento próprio — presente do pai —, no bairro da Graça. "Ali, exatamente, onde ficava o antigo Estádio da Graça e foi disputado o Campeonato Baiano de Futebol antes da existência da Fonte Nova", relata. Ganhou novos amigos e o apelido de "tabaréu da Feira", o que ele recebeu como uma brincadeira sem maldade e, a partir daí, o grupo passou a fazer constantes "pegas". Além do bairro da Graça, o Farol da Barra era um dos locais preferidos pela rapaziada.

Lembra que, na época, a Secretaria de Segurança Pública, tendo à frente o coronel Luís Artur, considerado um homem muito rigoroso, adotou medidas para refrear os "pegas", mas o grupo sempre conseguia uma forma de realizá-los, contudo sem provocar acidentes. Na época, Edielson Morais fazia sucesso com as manobras de "cavalo de pau", pilotando uma Kombi, e em "pegas", provas não oficiais de velocidade de automóvel, com um Opala e um Dodge, depois de começar com um Fiat 147. Também participava de provas de motociclismo. Mas o kart era o que mais gostava, talvez pensando em chegar a uma categoria maior.

"O kart é o início de tudo quando se trata de automobilismo", garante. Destacando-se em "Um Quilômetro de Arranque", prova que exige extrema velocidade devido à pequena distância a ser vencida — exatamente um quilômetro —, e pilotando diferentes veículos, Edielson participou de campeonatos promovidos pela Federação Baiana de Kart (FBK) a partir de 1976 e, dentre os vários troféus obtidos, destaca o de Campeão Baiano de Kart de 1991. Também competiu fora do estado, com destaque em Goiânia, ao lado de pilotos como Tony Kanaan e Pizzonia.

Obras realizadas que reduziram em 200 metros a pista do kartódromo de Lauro de Freitas — hoje pertencente ao município de Salvador —, segundo Edielson, inviabilizam competições importantes na Bahia, o que ele lamenta. Aos 70 anos, o piloto de kart feirense, empresário e já avô, continua adepto do automobilismo, tanto que, além de acompanhar as competições pela televisão, está sempre ao volante de um carro potente. Quanto ao fato de não ter prosseguido no automobilismo para tentar chegar a uma categoria maior, como poderia ter acontecido, Edielson não tem queixas, mas observa que, na época, não havia incentivo para isso.

Sem questionar a política partidária, diz que, em Salvador, o ex-prefeito João Henrique Barradas foi quem mais deu atenção a essa modalidade esportiva. Contudo, para chegar à Fórmula 1, por exemplo, seria necessário muito mais, pelos elevados custos do automobilismo, que implicam a mobilização de patrocinadores poderosos, encontrados apenas em grandes empresas multinacionais. Ciente de que fez o melhor na atividade esportiva de sua preferência, com responsabilidade, ele espera das novas gerações o surgimento de jovens tão apaixonados pelo automobilismo quanto ele foi.

Por Zadir Marques Porto



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