BAHIA DE FEIRA, JÁ FOI FEIRA ESPORTE CLUBE, MAS NÃO DEU CERTO

7/7/2026, 9:7 | Foto: Divulgação - Arquivo ZMP
A coluna Feira em História, assinada pelo jornalista Zadir Marques Porto, traz fatos históricos e curiosos sobre a cidade

Aniversariante do mês, no calendário do futebol baiano, como uma das mais antigas e tradicionais agremiações, a Associação Desportiva Bahia de Feira (ADBF) tem uma história rica, desde o amadorismo, quando foi o ‘bicho-papão do interior’ que derrotou o invicto Internacional de Porto Alegre. Na era profissional foi Feira Esporte Clube, mas voltou a ser Bahia e campeão estadual.

Fundado em 1937, pelos desportistas Ernesto Ribeiro de Carvalho, Antônio Lopes, Afonso Martins e Antônio Costa, no dia 2 de julho – data da Independência da Bahia – por isso mesmo com o nome do estado e as cores da sua bandeira –, a Associação Desportiva Bahia de Feira (ADBF), aniversariante do mês, com 89 anos de existência, tem uma história pontilhada de glórias no período de amadorismo, marcado por grande rivalidade com o Fluminense, e mutações na era do profissionalismo, inclusive com a mudança do nome e cores e a brilhante conquista do título estadual em 2011.

Era o ‘bicho-papão do interior’, codinome que correspondia às suas façanhas dentro de campo contra equipes profissionais e semiprofissionais – ou do amadorismo marrom –, já que, embora amadores, os atletas eram bem remunerados. Essa fase, final da década de 1950, foi marcada pela façanha praticada no Estádio Almachio Alves Boaventura, depois transformado no Estádio Alberto Oliveira (Joia da Princesa), ao derrotar por 2 x 1 o ‘invencível’ Internacional de Porto Alegre.

O alvirrubro gaúcho vinha de uma notável excursão pelo País e, em Salvador, ganhou um quadrangular, derrotando o Flamengo, goleando o Bahia por 7 x 0 e o Vitória por 8 x 2. O que se esperava em Feira era uma impiedosa goleada gaúcha, mas o ‘bicho-papão’ fez 2 x 1. O juiz, que veio na delegação visitante, tentou, sem sucesso, evitar o tremendo desconforto do time que tinha jogadores como: Periquito, Salvador, Oreco, Larry, Paulinho, Odorico, Ênio, alguns dos quais chegaram à Seleção Brasileira.

Vivendo da abnegação de fiéis torcedores, o tricolor teve uma vida de oscilações, contabilizando, no entanto, muitos capítulos positivos, como em 1953, na inauguração do estádio municipal (Prefeito Almachio Alves Boaventura), ao derrotar o fortíssimo Galícia – primeiro tricampeão baiano – por 2 x 0, gols marcados pelo centroavante Mário Porto. No final da década de 1950, o tricolor voltou a viver uma fase positiva, formando forte elenco, tendo na diretoria o Dr. Adir Guimarães, trabalho seguido por Edgar Carneiro, Ivanito Rocha, Joel Magno, Moacir Cerqueira, Rosalvo Costa, Juca Dias, dentre outros. Em 1969, o Bahia de Feira ingressava no futebol profissional, prognosticando clássicos com o Fluminense que levavam enorme público ao Joia, surgindo as torcidas organizadas que garantiam clima especial nas arquibancadas, com Horácio (Bahia) e Virgílio Porto – Leguele (Flu) movimentando as duas torcidas.

Com o incremento do bipartidarismo político, os reflexos se estenderam ao futebol, e o Bahia de Feira passou a ser visto como o time da oposição ou do MDB, já que tinha na sua diretoria, dentre outros, políticos como: Renato Sá, Oscar Marques, José Falcão da Silva, Noide Cerqueira, Francisco Lopes – Maranhão – e Roque Aras. Foi exatamente esse atuante e sempre lembrado advogado e deputado federal que decidiu mudar o nome do clube, por entender que nada justificava ser homônimo do clube da capital. Para ele, a ADBF parecia mais ser uma espécie de extensão, ou filial, do tricolor de Salvador.

Assim, em 1969, em reunião na sede do clube, na Avenida Senhor dos Passos, desaparecia o Bahia de Feira, dando lugar ao Feira Esporte Clube (FEC), trocando também as cores do uniforme tricolor pelas cores da bandeira de Feira de Santana, visualmente consideradas mais bonitas. Embora não satisfazendo alguns torcedores tradicionalistas, o Feira formou boa equipe. Em 1969, contra seu maior rival, o Fluminense de Feira, que foi o campeão estadual, o Feira Esporte Clube não perdeu para o Touro. Foram dois empates em 1 x 1, no primeiro turno final e no segundo turno final, já que o certame de 1969, disputado por 13 clubes, teve uma forma diferente, com quatro turnos. O Fluminense, para ser campeão, fez 31 jogos. Em 1970, o Feira fez dois jogos com o Fluminense, perdendo um por 1 x 0 e empatando outro em 0 x 0. Em 1971, o Feira E.C. jogou contra o Fluminense duas vezes, perdendo a primeira por 3 x 1 e empatando a segunda em 1 x 1. O FEC caiu para a segunda divisão.

Em 1973, o saudoso radialista Joel Magno (J. Magno) assumiu a gestão do clube, que estava afastado da primeira divisão, e procedeu ao resgate da nominação original. Em 1983, o time feirense retornou ao futebol profissional com bons e maus momentos, mas mantendo até agora o nome com o qual surgiu há 89 anos: Associação Desportiva Bahia de Feira. A mudança para Feira Esporte Clube durou três anos e não foi exitosa.

Por Zadir Marques Porto



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