Serviço de Atenção Domiciliar promove tarde de lazer e resgata história de paciente assistido em domicílio

14/9/2026, 11:33 | Fotos: Abraão Melo
Ação em alusão ao Setembro Amarelo levou acolhimento, alegria e uma experiência afetiva para paciente com mobilidade reduzida

Uma tarde diferente, marcada pelo lazer, acolhimento e resgate de memórias. Foi assim que a equipe do Serviço de Atenção Domiciliar, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), promoveu, na sexta-feira (11), uma ação especial para Floriano Oliveira Rios, de 61 anos, paciente acompanhado pelo serviço e que vive com diagnóstico de atrofia de múltiplos sistemas.

Cadeirante e com mobilidade bastante prejudicada, Floriano apresenta pouca aceitação de visitas e resistência em sair de casa. Diante desse cenário, a equipe decidiu proporcionar um momento de descontração e convivência, em alusão ao Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental e da prevenção do suicídio.

A atividade foi planejada a partir da própria história de Floriano. Antes do adoecimento, ele tinha o hábito de preparar acarajé em casa, tanto para o consumo da família quanto para receber amigos. A relação com a iguaria também marcou a amizade com um casal que, com ele, aprendeu a preparar o acarajé e posteriormente passou a comercializar o alimento.

Foram justamente esses amigos que contribuíram para tornar a tarde especial. O casal forneceu os materiais necessários para a preparação do acarajé, possibilitando que a equipe do Serviço de Atenção Domiciliar criasse um momento de alegria, acolhimento e resgate de uma lembrança afetiva importante na vida de Floriano.

A proposta foi muito além de oferecer uma atividade de lazer. A intenção foi reconectar o paciente com uma experiência que fazia parte de sua rotina e de suas relações, valorizando sua história e proporcionando novos estímulos fora do ambiente domiciliar. 

Para a coordenadora do Serviço de Atenção Domiciliar, Ramille Oliveira, ações como essa ampliam o cuidado para além dos procedimentos de saúde e contribuem diretamente para a qualidade de vida dos pacientes.

“Promover esses pacientes em sua totalidade. Eles ficam restritos ao leito e precisam de uma atenção para estar saindo. Geralmente, quando saem, é de ambulância. Então, a gente preza muito pela saúde mental e qualidade de vida desses pacientes”, explica.

Segundo Ramille, a iniciativa busca possibilitar que os pacientes tenham contato com outros ambientes, com a natureza e com diferentes estímulos, rompendo, ainda que por alguns momentos, com a rotina restrita ao quarto e ao ambiente domiciliar.

“A gente está tentando fazer esse movimento de retirada desses pacientes para que eles tenham acesso ao verde, a ver gente mesmo, a ver os animais, sair do quarto, da televisão e se conectar com a natureza, que a gente sabe que também é cura”, destaca.

Cuidado que preserva vínculos e histórias

O trabalho do Serviço de Atenção Domiciliar também tem como princípio oferecer um atendimento humanizado, respeitando a história, a cultura e os vínculos familiares de cada paciente. Para Ramille, o cuidado no ambiente domiciliar permite preservar referências que muitas vezes são perdidas durante longos períodos de hospitalização.

“O cuidado no domicílio é devolver a origem do paciente, a cultura, porque quando ele se vê no hospital é como se perdesse as raízes, a referência dele”, afirma.

A coordenadora ressalta ainda que, especialmente nos casos de cuidados paliativos, estar em casa proporciona mais conforto e aconchego, além da proximidade com familiares.

“Quando a gente tira um paciente de paliação, principalmente para o domicílio, é para que ele tenha o aconchego, o conforto e a presença da família nesse fim de vida”, acrescenta.

Acesso ao Serviço de Atenção Domiciliar

O Serviço de Atenção Domiciliar é uma estratégia que oferece assistência domiciliar gratuita a pacientes que atendem aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

A solicitação pode ocorrer por demanda espontânea ou por encaminhamento das unidades da Atenção Primária à Saúde, como UBS e USF, ou ainda por serviços hospitalares, no caso de pacientes que estejam internados.

De acordo com a coordenadora do Serviço de Atenção Domiciliar, quando o paciente está hospitalizado, é realizada uma contrarreferência médica solicitando a atenção domiciliar. O encaminhamento é recebido pela equipe, que agenda uma visita para avaliar a elegibilidade.

“A gente programa a visita e vê se esse paciente se enquadra ao perfil do nosso programa ou não”, explica.

Na visita de elegibilidade e desospitalização, a equipe preenche um formulário para verificar se a pessoa atende aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Após essa avaliação, pode ocorrer a admissão no programa.

A base do Serviço de Atenção Domiciliar funciona na Rua Americana, nº 164, no bairro Parque Ipê.



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