FEIRA EM HISTRIA

FEIRA EM HISTRIA: A MICARETA DE 1947

15/4/2019, 9:9h |
Texto lido por este cronista em 21 de abril de 2007, dentro do programa Primeira Página, da Rádio Povo, então comandado por Valdomiro Silva. (Adilson Simas)
 
Parece saudosismo, mas quem se dedicar à leitura de antigos jornais, revistas e outras publicações locais, vai concluir que mesmo com o advento do trio elétrico e tantos outros elementos, a micareta de Feira já não exibe a mesma animação de tempos passados.
 
A falta de animação, é bom frisar, não é um fato que ocorre nos dias atuais nem  de poucos anos  atrás. Há mais de cinco décadas, em 1966, por exemplo, logo após a realização de mais uma micareta, o jornal “Folha do Norte” já dizia que “a cada ano que passa, a animação de rua vai desaparecendo”.
 
Também naquele ano o jornalista Franklin Machado, em artigo com o titulo “Velhos Tempos”  dizia textualmente: “O fato é que no meu tempo de menino víamos batucadas, cordões, ranchos, blocos e fantasiados desfilando pelas ruas  fazendo todo mundo rir com seus trajes  em cartazes cômicos.”.
 
Feitas  essas observações, vamos hoje lembrar de uma micareta mais distante, a de 1947, realizada nos dias 11, 12, 13 e 14 de abril, com grande animação nas ruas e nos clubes.  
 
A cidade, como de resto o país, vivia a transição entre a queda do Estado Novo, a instalação da Assembleia Constituinte que come uma nova constituição que devolveu ao país o regime democrático. Nesse período, até que fossem realizadas eleições gerais, vários prefeitos assumiram como interventores os destinos da cidade..
 
Quando da realização da micareta de 1947, era prefeito  o farmacêutico João Barbosa de Carvalho, que substituiu Carlos Valadares que se afastou para ser candidato a deputado estadual. Homem bondoso, dono da antiga Farmácia Agrário, João Barbosa era tido como médico pela classe pobre da cidade. Morreu no exercício do cargo e foi substituído por mais um prefeito tampão, o advogado Edelvito Campello, mas esse é outro assunto, pois hoje estamos tratando de micareta.
 
Naquele ano Feira  ainda era uma cidade pequena basicamente com  quatro grandes ruas no centro, alguns becos que ficariam famosos e cerca de meia dúzia de subúrbios com poucas casas. Entre eles, Tomba e Sobradinho. Tanto  assim que segundo  os números oficiais do IBGE, nos anos 40  todo o município de Feira de Santana tinha apenas  83.268 habitantes, sendo 63.608 na zona rural e sòmente  19 mil e 660  pessoas residindo na sede do município.
 
Sobre a micareta, os jornais da época destacam que além dos três clubes tradicionais -  25 de Março, Vitória e  Euterpe Feirense, que ainda funcionava no prédio da antiga Prefeitura, em frente a Igreja Senhor dos Passos, também houve festa no caçula Feira Tênis Clube, que tinha três anos de fundado.
 
O Tênis realizou quatro bailes cobrando do não associado 50 cruzeiros por noite e 150 cruzeiros pelas quatro noites. Vale ressaltar que para melhorar a sede  em razão da festa momesca, o diretor Newton Falcão conseguiu da Fábrica de Tintas Renner a doação de 72 galões de tintas Reko, para que fosse feita a pintura do clube.
 
Também foi grande a animação nas ruas. O jornal “Folha do Norte” que circulou depois da micareta, disse em matéria de primeira página:


  •