Professores devem ater-se a sinais de violência apresentados pelas crianças, apontam conselheiros tutelares

21/3/2019, 17:2h | Foto: Andreyse Porto

Professores das escolas básicas devem ater-se de maneira mais cuidadosa aos sinais que as crianças apresentam em situações de violência. De acordo com os conselheiros tutelares, este é um fator fundamental para aprimorar a relação entre escola e instituições da rede de proteção à criança. O assunto foi tema da capacitação oferecida pela Equipe Interprofissional, da Secretaria de Educação da Prefeitura de Feira de Santana, aos conselheiros tutelares. A atividade, de iniciativa do governo do prefeito Colbert Martins Filho, aconteceu na manhã desta quarta-feira, 20, na própria Seduc.

De acordo com os profissionais, outros fatores importantes são a notificação da família nos casos em que os alunos apresentam baixa frequência nas aulas e atitudes que podem prevenir determinados problemas. O objetivo do encontro foi ouvir os conselheiros tutelares sobre os desafios de sua relação com as escolas municipais e apontar sugestões para melhorar essa interação.

A Equipe Interprofissional realiza atendimentos a estudantes, professores, equipe gestora e pais, em situações verificadas nas escolas que apresentam demandas psicopedagógicas e sociais; encaminhamentos à Rede de Atendimento, visitas institucionais para averiguar casos de dificuldades de aprendizagem e conhecer a dinâmica institucional para posteriores encaminhamentos; mediação entre escola e família; oficinas socioeducativas e/ou atividades didático-pedagógicas.

De acordo com as profissionais da Equipe Interprofissional, essas situações estão ligadas a um ruído de comunicação existente entre as unidades de ensino e as instituições que compõem a rede de proteção da criança – Centro de Referência de Assistência Social (CRAS); Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS); Ronda Escolar, dentre outros.

A capacitação é uma iniciativa do Projeto de Prevenção à Violência Escolar (Prevesc), que busca desenvolver ações de combate aos problemas relacionados à violência no ambiente educacional. O encontro funciona como uma ouvidoria para que estas sugestões e orientações cheguem às gestoras das escolas.

“Por vezes, gestores ou professores não sabem como proceder ou recorrem ao órgão incorreto diante de uma situação específica de violência. Isto é prejudicial. É importante até mesmo que as próprias instituições estejam cientes das responsabilidades de cada uma para que possam orientar essas pessoas em casos de equívoco. Esta capacitação serve para articular estas instituições e as escolas”, explica Nadjane Oliveira, psicopedagoga da Equipe Interprofissional da Seduc e coordenadora do projeto.

Na visão dos especialistas, os profissionais da educação devem denunciar os casos de abuso sexual sempre que cientes deles. “Existem situações em que eles não denunciam por medo, receio de se envolverem. Denunciar é orientação do Estatuto da Criança e do Adolescente e as denúncias podem ser feitas em anonimato. A escola pode ser acusada até mesmo de negligência ou cumplicidade, de estar sendo conivente com o abuso”.

No período da tarde, os conselheiros participaram do minicurso “Automutilação na Adolescência”, ministrado pela psicóloga Lívia Leite, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Violência e Saúde, NIEVS, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

A equipe volta a se reunir no próximo dia 27 com profissionais dos CRAS e CREAS. Um terceiro encontro acontecerá em seguida com as gestoras das escolas da Rede Municipal de Educação. Participaram da capacitação membros dos Conselhos Tutelares I, II e III e uma representante do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Feira de Santana.