FEIRA EM HISTÓRIA: Entrudo, as festas de Momo que antecederam a Micareta

11/2/2019, 9:56h

No livro “31 Anos de Micareta”, publicado em 1967 pelo jornalista Helder Alencar com capa de Juracy Dórea e republicado em 2011 pela Fundação Senhor dos Passos, o editor lembra que muito antes da Micareta, a cidade comemorava as festas de Momo com a denominação de “Entrudo”. Vale a pena ler de novo o consagrado historiador feirense (Adilson Simas):

O ENTRUDO

São antigas, muito antigas mesmo, as festas de Momo na Feira de Santana. Elas datam de quando o carnaval ainda era a festa bárbara, denominada de Entrudo, festa que precedeu, no Brasil, como em Portugal, aos grandes festejos carnavalescos. 

Diz Luiz da Câmara Cascudo, inegavelmente o maior folclorista brasileiro, no seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, que o “entrudo brutal e alegre viveu até meados do Século XIX”. 
Assinala, ainda, Cascudo, que “pelo norte, centro e sul do Brasil o movimento era geral. Água, farinha do reino, gomas ensopavam os transeuntes - águas molhando famílias inteiras em plena batalha”. 

O velho jornal “O Comercial”, que por muitos anos se editou na cidade de Feira de Santana, condenava, em 1871, o entrudo feirense, com a seguinte nota: 
“O divertimento do entrudo passou nesta vila sem lamentar-se desgraça alguma, graças ao desuso e que vai caindo esse péssimo brinquedo”. 

O entrudo permaneceu, entretanto, até 1891, ano em que os jornais locais dão conta das primeiras manifestações carnavalescas. 

Em 1877 --  durante o entrudo feirense -  no baile das máscaras do Hotel Globo, o moço Francisco Xavier de Macedo recebeu uma estocada e, no local denominado Minadouro desancaram a pauladas a Martin Levino Diego. 

Como pode se notar a fama do Minadouro data de longos anos. 

O entrudo era, assim, uma festa bárbara, violenta e absurda, precursora do carnaval. 

Na Feira de Santana houve muitos entrudos, até que surgisse o carnaval que durou alguns anos, quando então apareceu esta festa magnífica e grandiosa que é a Micareta.