Currículos devem ser revistos a partir das identidades linguísticas, étnicas e culturais, defende professora

5/2/2019, 17:36h

Para (re)construir os currículos de ensino, as escolas precisam elaborar propostas pedagógicas que considerem as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes, assim como suas identidades linguísticas, étnicas e culturais.

O argumento partiu da professora Ana Cristina Pereira, que também é coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), durante a abertura da Jornada Pedagógica, na manhã desta segunda-feira, 4, no Teatro Margarida Ribeiro.

O evento, que reuniu aproximadamente dois mil professores das diversas modalidades ensino, aconteceu concomitantemente em sete locais diferentes; a partir desta terça-feira, 5, segue nas escolas municipais, com as orientações da Secretaria de Educação. O evento vai até sexta-feira, 8.

No Margarida Ribeiro, participaram gestores e coordenadores pedagógicos das 217 escolas da Rede Municipal. Este ano, o eixo central do evento foi exatamente a reconstrução dos objetivos de aprendizagem e sua relação com a práxis pedagógica.

Segundo a professora Ana Cristina – que atuou na equipe de pesquisa da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), do Ministério da Educação – as novas propostas de ensino devem proporcionar aos alunos a produção de saberes nas diversas linguagens, nas ciências humanas e sociais e na matemática.

Ana Cristina argumenta que “a reelaboração do currículo escolar deve tomar o sujeito e suas necessidades como princípio básico, partindo do reconhecimento que a Educação tem um compromisso com a formação e o desenvolvimento integral desse sujeito”.

A garantia do direito à aprendizagem e o desenvolvimento da criança e do adolescente são os principais eixos orientadores da Base Curricular; e a reformulação dos currículos deve acontecer segundo as orientações da BNCC, explicou a professora.

“Existem crianças que saem da Educação Básica sem a formação necessária, sem os conhecimentos de Matemática, Língua Portuguesa e das Ciências. Segundo Ana Cristina, as diretrizes do documento apontam para novas possibilidades didático-pedagógicas e formativas nas diversas áreas do conhecimento.

A pedagoga defendeu ainda que as redes de Educação devem ter autonomia para reescrever as orientações e suas propostas curriculares, de acordo com suas realidades específicas.

Feira de Santana já dispõe dos Cadernos de Objetivos de Aprendizagem para a rede de ensino do município, construídos ao longo do ano passado durante as formações.

Jornada 2019

Em sete locais diferentes, a jornada pedagógica reúne os profissionais de acordo com sua atuação nas modalidades da educação básica – desde a Educação Infantil à EJA, Educação de Jovens e Adultos

Em sua fala, a secretária de Educação, Jayana Ribeiro, destacou a importância de potencializar o debate fundamentador na Jornada. “É a soma dos olhares que nos leva a um denominador comum. Estamos aqui para aproximar as ideias e discuti-las, construir e reconstruir nossos saberes, e esse processo é contínuo”, argumentou.

O objetivo, explica, é favorecer a discussão do tema central entre os professores cujas experiências são mais próximas e, também, o compartilhamento das vivências e perspectivas relacionadas à abordagem central.

A partir desta terça, 5, e até sexta-feira, 8, o evento segue em cada escola, a partir das orientações da Seduc e sob a coordenação dos próprios gestores escolares.

Nesta segunda, os sete grupos discutiram a temática central do evento e sua relação com assuntos específicos de cada segmento. Os professores que atuam com Educação Infantil, por exemplo, contaram com a palestra “Ganhe asas na Educação Infantil: práticas promotoras de transformação”, proferida pela professora Ana Verena de Araújo.

Já a equipe do Ensino Fundamental - Séries Iniciais abordou as competências socioemocionais”, além de promover rodas de discussão. Os professores do Ensino Fundamental – Séries Finais participaram de uma mesa redonda a partir do tema: “O movimento do currículo na escola: juventudes e diversidade”.